Rato-Herói contra o espectro da TB

Ratos do gênero Cricetomys são treinados com recompensa em bananas
(Foto: HeroRat/Apopo)

Um ano e meio atrás, quase deixei de escrever aqui sobre uma incrível baixa tecnologia para deteção de minas terrestres na África, que emprega ratos farejadores no serviço. Agora fico sabendo que o mesmo grupo - Apopo, detentor da marca HeroRat - está usando os roedores para farejar casos de tuberculose de forma barata e bem confiável.

Cheguei à notícia por meio do portal SciDevNet. Em seguida vi reportagem sobre o tema também na revista Science News. A nota da própria ONG Apopo você encontra aqui.

O rato-herói não é um rato qualquer, mas os africanos avantajados do gênero Cricetomys (do tamanho de um gato pequeno). Os roedores são treinados a reconhecer amostras de escarro com o bacilo da tuberculose - "TB", na língua eufemística e burocrática dos médicos - da mesma forma com que são condicionados a farejar minas: com recompensas em banana para cada acerto. Segundo a Apopo, tornam-se capazes de dar conta em dez minutos da mesma quantidade de amostras que um microscopista examina ao longo de um dia inteiro.

A técnica tradicional de laboratório para diagnóstico exige montagem de lâminas e exame visual. Não avançou muito no último século e não é o método mais fácil de implementar em locais pobres e distantes, sem boa infraestrutura de saúde, como é o caso da maior parte da África.

Segundo a Apopo, os ratos conseguem identificar amostras com TB em 86% dos casos, mais do que se obtém com o uso de microscopia na região. Estima-se que metade dos casos de tuberculose deixam de ser diagnosticados na África. Cada portador não diagnosticado pode infectar entre 10 e 15 outras pessoas.

Treinamento para diagnosticar tuberculose
(Foto: HeroRat/Apopo)