Em busca de Francis Crick

 

Cold Spring Harbor Laboratory Press, 538 págs. US$ 45

Se você acha que James Watson era o mais charmoso da dupla Watson-Crick, precisa ler a biografia de Francis Crick que Robert Olby escreveu. O caderno Mais da Folha publicou domingo passado uma resenha (aqui, só para assinantes) do livro, mas nada substitui a leitura da obra original. Reproduzo abaixo os dois primeiros parágrafos da resenha e recomendo também a leitura da entrevista com Crick que a Folha publicou em... 1998!


Arrogante, invasivo, megalômano... Quem já sofreu os efeitos da legendária capacidade de análise de Francis Crick (1916-2004) poderia enfileirar muitos adjetivos depreciativos para qualificar o físico britânico que descobriu a estrutura molecular do DNA em 1953, com o americano James Watson. Poucos o fizeram, porém. O brilho irradiado por esse gigante da biologia sempre ofuscou as áreas de sombra em sua vida e sua personalidade.

A primeira coisa a apontar na competente biografia intelectual por Robert Olby é que as zonas escuras estão lá. Autor de um clássico sobre a biologia molecular, "A Trilha para a Dupla Hélice" (1974, nunca traduzido para o português), o historiador da Universidade de Pittsburgh teve acesso ao acervo pessoal e ao próprio Crick em seus últimos anos de vida, mas essa proximidade não produziu uma mera hagiografia