Gigantes

 (Foto: Mario Vaden)

Arborista ao lado da árvore Del Norte Titan,

no Jedediah Smith Redwoods State Park

Galgar uma torre de pesquisa na floresta amazônica e assomar ao topo do dossel, 50 metros acima do solo, é experiência recomendável para qualquer pessoa. Não há ali espaço para ufanismo, porém, nem num 7 de Setembro: não são elas as árvores mais altas do mundo.

Tinha uma vaga noção disso, depois de visitar o Parque Nacional das Sequóias, na Califórnia (Estados Unidos), e a General Sherman, com seus 84 m de altura, maior árvore do mundo em volume de madeira (quase 1.500 m3). Mas não sabia que outras sequóias vão muito além dela. Para descobrir, foi preciso ler o livro "As Árvores Gigantes", de Richard Preston (Editora Rocco, 336 págs., R$ 43,50).

Ali se aprende que a General Sherman e suas irmãs confinadas à Serra Nevada pertencem à espécie Sequoiadendron giganteum. Verdadeiras tampinhas, perto das primas costeiras, Sequoia sempervirens. As maiores árvores do mundo em altura crescem no norte da Califórnia, perto da divisa com o Oregon. Chegam a alcançar 115 m, duas a três vezes mais que as árvores amazônicas, ou a altura de um prédio de quase 40 andares (pense no Edifício Itália, no centro de São Paulo). (...)

A copa das árvores gigantes abriga verdadeiros terraços e jardins. Tempestades de vento e raios quebram e queimam o topo das sequóias. Mas elas lançam novos ramos, às vezes vários, em direção ao céu. Nos espaços entre eles acumulam-se detritos, até formar uma espécie de solo.

É o suficiente para sustentar um bocado de vida. Além de dezenas de variedades de liquens e epífitas, crescem ali arbustos, como mirtilos, e até pequenas árvores. Há salamandras, seres dependentes de água para as trocas gasosas que efetuam pela pele, que passam a vida toda nas copas. Preston não escreveu uma obra de divulgação científica, contudo.

Apesar da precisão nos detalhes, seu livro é de aventura. A base da narrativa se apóia sobre um trio excêntrico de carne e osso, os biólogos Steve Sillett e Marie Antoine e o explorador (na falta de outro nome) Michael Taylor, o fanático caçador das maiores árvores do mundo que sofre de vertigem. (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes). Para saber um pouco mais sobre Sillett e sobre sequóias, vá até a sua página na Humboldt State University.