Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Miscelânea

Drogas, ceticismo e opinião

 
 

Drogas, ceticismo e opinião

A coluna desta semana na Folha.com trata da queda da taxa de aprovação de medicamentos experimentais pela FDA. Ali também se anuncia que a coluna, bem como este blog, entrarão no limbo internético por alguns meses, enquanto durar a nova função do autor na Folha, de editor de Opinião.

Responsável pela formatação da opinião do jornal, apresentada diariamente nos editoriais da sua pág. 2, o editor de Opinião conta com pouco tempo e latitude para fundamentar a sua própria, sempre uma boa razão para suspender o juízo.

Agradeço aos leitores que me acompanharam até aqui e espero reencontrá-los num futuro não muito distante. Como presente de despedida, deixo uma indicação para todos os "céticos" (negacionistas) da mudança climática e do aquecimento global: a brochura "Guia Científico do Ceticismo quanto ao Aquecimento Global".

Escrito por Marcelo Leite às 15h01

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A internet e o nome do caranguejo

 
 

A internet e o nome do caranguejo

 

Escrevi na Folha.com uma coluna, “A ilha dos caranguejos vermelhos”, em que relatava minha frustração por não ter encontrado na internet o nome científico nem informações ecológicas sobre um crustáceo que infesta a ilha de Trindade, 1.200 km ao leste de Vitória (ES).

No texto, contei que minha curiosidade sobre o bicho surgiu da leitura do livro de Apsley Cherry-Garrard sobre a fracassada expedição de Robert Falcon Scott ao polo Sul, em 1911, que no caminho para a Antártida fez uma parada na ilha oceânica brasileira.

Vários leitores reagiram à queixa contra a internet e enviaram o resultado de suas próprias pesquisas na rede. Pelo menos quatro nomes surgiram (o que bem ilustra um dos problemas com as informações ali encontradas):

Geocarcinus lagostoma

Johngarthia lagostoma

Grapsus adscensionis

Pachygrapsus transversus

A julgar pela quantidade e pela qualidade das manifestações que apontaram o primeiro nome, deduzo que é a espécie correta. Parece que é endêmica de ilhas oceânicas, como Trindade. Agora só falta ir até lá e conferir o bicho de perto – mas sem pernoitar em terra, de preferência.

 

Escrito por Marcelo Leite às 14h50

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As metáforas sem monotonia dos patagões

 
 

As metáforas sem monotonia dos patagões

Em viagem recente à região de El Calafate (Argentina) e Torres del Paine (Chile), aproveitei para ler "Na Patagônia", de Bruce Chatwin (Cia. das Letras). O livro, de 1977, foi muito falado na década de 1980, mas, apesar de uma queda por relatos de viagem, nunca cheguei nem a comprá-lo.

Pelas mãos delicadas de Claudia, cheguei enfim a esse belo livro (do qual ela gostou menos que eu), uma lição para jornalistas sobre narrativas cheias de informação e com juízos apenas na medida certa. Chatwin andou a pé pela região por meses, atrás de coisas e lendas como um pedaço de pele de milodonte (um fóssil de preguiça gigante) e até do bandoleiro Butch Cassidy.

No capítulo 64, ele conta o trabalho insano de Thomas Bridges (a região andou cheia de ingleses e galeses) para aprender e registrar a língua dos índios yaghan, "que Darwin menosprezava" (sim, esse inglês famoso também andou por lá). Ao discutir a velha e equivocada noção de que línguas "primitivas" carecem de conceitos abstratos, Chatwin escreve (com tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura):

"A língua yaghan - e por inferência todas as línguas - opera como um sistema de navegação. As coisas nomeadas são pontos fixos, alinhados ou comparados, que permitem a quem fala planejar o passo seguinte. Se Bridges tivesse desvendado a extensão das metáforas yaghan, seu trabalho jamais chegaria ao fim. Ficou-nos, porém, o suficiente para que possamos ressuscitar a clareza do intelecto daqueles índios.

"O que deveremos pensar de um povo que definia monotonia como "ausência de amigos"? Ou, para depressão, recorria à palavra que descrevia a fase vulnerável do ciclo sazonal do caranguejo, quando ele se desprendeu da casca e aguarda que outra cresça? Ou que derivava preguiçoso do pinguim-jumento? Ou adúltero do pequeno falcão que adeja aqui e ali, e paira imóvel sobre sua próxima vítima?

"Seguem alguns de seus sinônimos:
Chuva misturada com neve - Escamas de peixe
Cardume de arenques pequenos - Muco pegajoso
Emaranhado de árvores caídas bloqueando o caminho - Soluço
Combustível - Algo que se queimou - Câncer
Mexilhões fora de estação - Pele enrugada - Velhice

Escrito por Marcelo Leite às 14h25

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Rato-Herói contra o espectro da TB

 
 

Rato-Herói contra o espectro da TB

Ratos do gênero Cricetomys são treinados com recompensa em bananas
(Foto: HeroRat/Apopo)

Um ano e meio atrás, quase deixei de escrever aqui sobre uma incrível baixa tecnologia para deteção de minas terrestres na África, que emprega ratos farejadores no serviço. Agora fico sabendo que o mesmo grupo - Apopo, detentor da marca HeroRat - está usando os roedores para farejar casos de tuberculose de forma barata e bem confiável.

Cheguei à notícia por meio do portal SciDevNet. Em seguida vi reportagem sobre o tema também na revista Science News. A nota da própria ONG Apopo você encontra aqui.

O rato-herói não é um rato qualquer, mas os africanos avantajados do gênero Cricetomys (do tamanho de um gato pequeno). Os roedores são treinados a reconhecer amostras de escarro com o bacilo da tuberculose - "TB", na língua eufemística e burocrática dos médicos - da mesma forma com que são condicionados a farejar minas: com recompensas em banana para cada acerto. Segundo a Apopo, tornam-se capazes de dar conta em dez minutos da mesma quantidade de amostras que um microscopista examina ao longo de um dia inteiro.

A técnica tradicional de laboratório para diagnóstico exige montagem de lâminas e exame visual. Não avançou muito no último século e não é o método mais fácil de implementar em locais pobres e distantes, sem boa infraestrutura de saúde, como é o caso da maior parte da África.

Segundo a Apopo, os ratos conseguem identificar amostras com TB em 86% dos casos, mais do que se obtém com o uso de microscopia na região. Estima-se que metade dos casos de tuberculose deixam de ser diagnosticados na África. Cada portador não diagnosticado pode infectar entre 10 e 15 outras pessoas.

Treinamento para diagnosticar tuberculose
(Foto: HeroRat/Apopo)

Escrito por Marcelo Leite às 15h14

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Bom 2011

 
 

Bom 2011

 

Em princípio, este blog só deve voltar à ativa em 2011, um Novo Ano para o qual desejo o melhor aos leitores - inclusive um blogueiro mais assíduo. Promessas de Ano Novo não valem grande coisa, mas prometo aqui de público postar com mais frequência, emagrecer, ser menos ranzina e sorrir mais.

 

Escrito por Marcelo Leite às 17h44

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Visões de grandeza da Terra

 
 

Visões de grandeza da Terra

Foto: Nasa

Tomografia PET, imagem de satélite? Se você enxergou na imagem acima um delta de rio, acertou. Se errou, tampouco pode deixar de ver a fantástica galeria de fotos da Terra publicada pela "NatGeo".

 

Escrito por Marcelo Leite às 15h14

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Bacalhau, atum e suçuarana

 
 

Bacalhau, atum e suçuarana

A coluna de hoje na Folha.com trata de dois peixes deliciosos e ameaçados, bacalhau e atum - leia aqui por quê.

Por falar em bichos, li no G1 que a suçuarana (ou onça parda, leão da montanha, puma etc.) ganhou a votação para animal-símbolo da cidade de São Paulo.

CIDADE de São Paulo? Hum... Meio esquisito. A matéria tem até foto de suçuarana nos limites do município, mas não consigo muito enxergar uma ligação. De todo modo, é BEM melhor que escolher os chatos dos sabiás, que nos infernizam com seu canto fora de hora nas madrugadas (perto de casa, na Vila Madalena, eles começam ali pelas 4h).

Escrito por Marcelo Leite às 13h29

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Direto de Toototobi

 
 

Direto de Toototobi

 

Este blog sumiu por conta de uma viagem a Toototobi (tônica no “i”), antiga aldeia ianomâmi no Estado do Amazonas, mas que se alcança por Boa Vista (RR). Você pode ler algo sobre a visita na coluna de hoje na Folha.com, “Uma pajelança para Claudia Andujar”. Mais relatos virão.

Enquanto estava dormindo em rede e tomando banho de rio, sem internet nem celular, saiu reportagem sobre as agruras de pesquisadores de ciências naturais. Foi no caderno Ilustríssima de domingo, sob o título “Burocracia in vitro”. Começa assim:


JULIANA CANSOU-SE de esperar. Nasceu no último dia 8, antes que a mãe, Renata de Moraes Maciel, conseguisse concluir o artigo que poderá turbinar sua carreira e a de Bruna da Silveira Paulsen.

Elas estão no encalço de uma explicação celular para a esquizofrenia. Têm de se debater, porém, com as agruras habituais do pesquisador brasileiro, burocracia de importação acima de tudo.

Até uma implosão conspira contra seu grupo de pesquisa. A ala sul do Hospital Universitário da UFRJ, um esqueleto na ilha do Fundão, irá abaixo às 8h de 19 de dezembro com uma nuvem de poeira e vibrações cujo efeito sobre microscópios de precisão e amostras biológicas é imprevisível.

Maciel e Paulsen são cientistas do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance), respectivamente pós-doutoranda e mestranda. Estão na vanguarda dessa área de investigação no Brasil, a ponto de comprovar alterações reveladoras sobre neurônios (células nervosas) de pacientes esquizofrênicos. Arriscam-se, contudo, a perder a corrida para o Instituto Salk, da Califórnia.

(...)

 

Escrito por Marcelo Leite às 12h03

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Nanodiamantes no gelo imemorial

 
 

Nanodiamantes no gelo imemorial

Exemplo de lonsdaleíta, achado na ilha de Santa Rosa

"Diamantes no gelo" poderia ser o título de um poema que se estendesse sobre as artes da camuflagem e da dissimulação. Como aqui se trata de prosa dura e fria, a que convém à apresentação da ciência, que o leitor se conforme com o enigmático "Nanodiamantes no gelo imemorial".

Mesmo retendo no núcleo um eco esquálido do original sonoro, o título desta coluna descreve bem o trabalho que a equipe de Andrei Kurbatov e Paul Mayewski, da Universidade do Maine, acaba de publicar no periódico especializado "Journal of Glaciology". (Agradeço a Jefferson Cardia Simões, companheiro de jornada antártica e pesquisador visitante do Instituto de Mudança Climática daquela universidade, por chamar a atenção para o artigo.)

O grupo encontrou em amostras de gelo com 13 mil anos, na Groenlândia, uma nítida camada pontilhada de diamantes de tamanho nanoscópico. Cada um tem 2 a 40 nanômetros de diâmetro (um nanômetro corresponde a um bilionésimo de metro, ou milionésimo de milímetro --medidas muito pequenas, enfim).

É a primeira vez na história da glaciologia que esse tipo de diamante aparece no gelo. E a melhor explicação para sua presença ali está no impacto de um grande cometa ou asteroide com a Terra.

Esse tipo de diamante, que já foi encontrado em vários pontos da América do Norte, mas só em terra, normalmente não se forma pelos processos conhecidos na face da Terra. Não aparecem em minas e jazidas, por exemplo.

Só em laboratório, sob temperaturas na faixa de 1.000-1.700ºC e alta pressão, foi possível obtê-los. São condições como as que se acredita terem sido produzidas no impacto de um grande objeto sideral contra a Terra.

(...)

Os nanodiamantes são prováveis testemunhas mudas e insignificantes desse cataclismo. Dormiam esquecidos no gelo imemorial da Groenlândia. Voltaram a brilhar, agora sob a luz do conhecimento.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha.com.

Escrito por Marcelo Leite às 16h58

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Vamos comer urubus?

 
 

Vamos comer urubus?

 

Comer é coisa séria, embora nos esqueçamos disso com frequência. Qualquer povo indígena tem um monte de normas, interdições e recomendações. Tradições mais fundamentalistas, como muçulmanos e judeus ortodoxos, também. Nós, “ocidentais”, é que nos fazemos de onívoros sem preconceitos, dispostos a comer de tudo, em especial se vier num saquinho colorido e prateado.

Mas não conheço ninguém que coma cachorro. Nem urubu. Um excesso de fome, ou ter nascido noutra cultura, pode tornar essas coisas lícitas, mas em condições normais de temperatura e pressão – ou seja, mergulhados nos limites ao mesmo tempo opacos e transparentes da nossa própria cultura – somos todos moralistas, como ficou patente na pseudopolêmica contra os urubus de Nuno Ramos na Bienal.

A propósito, recomendo a leitura de seu texto, “Bandeira branca, amor”, no caderno Ilustríssima de ontem, domingo. Nuno consegue defender-se e ir ao ataque com franqueza e sem cabotinismo.

Noves fora, fica evidente que as novas senhoras de Santana, entre um regime e outro, ou no caminho entre a academia e o pet-shop, decidiram tornar-se defensoras dos direitos dos animais. Radicais, marcham com seus poodles para libertar urubus da arte e confiná-los de volta ao espaço bem mais estreito que o vão livre do prédio da Bienal.

É o mesmo tipo de adesão abstrata à “vida” que transforma algumas pessoas em fanáticos antiaborto. Ou em adeptos idem do vegetarianismo.

Este blog considera a pecuária (e o hábito de comer carne que a sustenta) um problema, mas não um pecado. Vê muitas razões para reformá-la e humanizá-la, não tantas para extirpá-la. Aceita de boa fé debater as implicações éticas da deglutição com um pensador honesto como o utilitarista Peter Singer, como na entrevista que serviu de base para o artigo “A dor dos moluscos”.

Prefere, no entanto, seguir a recomendação de Oscar Wilde ser moderado até no uso da moderação.Inclina-se, por isso, em favor das regras para o comer bem mais flexíveis propostas por Michael Pollan, o outro polo do artigo no Ilustríssima. Melhor sentar-se à mesa diante de um bom bife na companhia de Nuno Ramos e seus urubus, com boas maneiras e boas razões, do que jejuar entre apóstolos fundamentalistas prontos a vandalizar obras de arte em nome da falsária libertação animal.

 

 

Escrito por Marcelo Leite às 10h33

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20% verde

 
 

20% verde

Desde o primeiro turno andava incomodado com a "explicação" do aborto para o subida de 10% das intenções de voto de Marina Silva para os 20% de votos válidos que recebeu. Uma oportunidade de pôr a boca no trombone surgiu com o convite para escrever a tradicional coluna vertical da página 2 da Folha nesta terça. O assinante da Folha e do UOL poderá ler o texto aqui. Para o internauta, ofereço um aperitivo:

 


O pior dessa regressão [a discussão sobre aborto] é a tentativa de atribuir ao atraso a única coisa nova que surgiu nos programas encharcados de marketing: a campanha de Marina Silva, acomodada às pressas no maleável Partido Verde.
Sua alta nas pesquisas de intenção de voto e depois a confirmação da "onda verde" com 20 milhões de sufrágios sofreram uma desvalorização. Seriam, juram muitos, produto da migração de votos de evangélicos insatisfeitos com as supostas opiniões de Dilma Rousseff a respeito da interrupção da gravidez.
Não cabe, na tacanha imaginação política que domina as análises, a hipótese de que a votação obtida por Marina Silva tenha sido por seu programa, suas ideias ou seu desempenho nos debates engessados da TV. Que terceira via, que nada. É o velho atraso nacional dando as caras, mais uma vez.
Se Marina Silva é da Assembleia de Deus, e se não renegou suas opiniões conservadoras sobre aborto, drogas, homossexualismo etc., então os votos que empalmou só podem ter origem em mentes simplórias, que recuam em horror diante da hipótese de um genocídio abortivo.
É um silogismo mais amalucado que o normal em um país avesso à lógica. O tipo do chute que, numa esfera pública mais desenvolvida, ninguém se arriscaria a dar sem apoio em evidências. Onde estão?

Escrito por Marcelo Leite às 17h02

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Gleiser por Smolin

 
 

Gleiser por Smolin

Lee Smolin, físico e escritor, escreveu uma resenha generosa do novo livro do nosso Marcelo Gleiser. “Criação Imperfeita". Leia o parágrafo chave:

 


 

Concorde-se ou não com o argumento central de Gleiser, é um prazer seguir seu raciocínio porque o livro é tão lindamente escrito. A prosa é elegante e seu toque é suave. É um clichê do jornalismo científico popular medíocre abrir e fechar com uma história pessoal que foi obviamente enfiada de última hora por insistência de um editor: “Na semana passada fiz uma caminhada e fui surpreendido com a beleza da natureza e isso me relembrou de dois anos atrás, quando uma ideia me ocorreu enquanto eu ouvia uma palestra numa conferência”. Mas a história pessoal de Gleiser é central para seu livro, embora nunca se intrometa em seu argumento. É a história de uma criança que cresceu no Brasil, tornou-se um cientista e foi então abençoado com filhos que lhe ensinaram a ver o mundo de novo pelos olhos de seu próprio eu mais jovem. Ajuda o argumento porque é a história real da evolução do pensamento de um cientista inteligente e reflexivo.

 


Não consigo imaginar elogio mais cativante da parte de um par. No lugar de meu xará Gleiser, estaria radiante.

 

Escrito por Marcelo Leite às 17h31

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Noruega, ou o Norte líquido

 
 

Noruega, ou o Norte líquido

Escultura de Gustav Vigeland em Oslo (Foto: Marcelo Leite)

O caderno de Turismo da Folha de ontem traz uma série de reportagens que resultou de uma viagem à Noruega. Eis o índice completo, para quem for assinante da Folha ou do UOL. A Folha.com, de acesso livre, tem uma boa amostra da versão impressa e uma galeria de fotos.

Escrito por Marcelo Leite às 10h44

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O Brasil de Marina Silva

 
 

O Brasil de Marina Silva

A Folha de hoje traz um polpudo caderno sobre os candidatos a presidente e o que pretendem fazer pelo Brasil. Este blogueiro contribuiu com uma análise sobre o programa da candidata do PV que começa assim:


O Brasil de Marina Silva será um país austero. Sob vários aspectos, até mesmo conservador. Não, porém, convencional, como se espera de uma presidente verde.

Sua prioridade estará na educação, não no ambiente. Em lugar de um Plano de Aceleração da Sustentabilidade, quer marcar sua eventual gestão por um PAE, com "e" de educação e alvo na inovação tecnológica.

O conservadorismo religioso da candidata do PV pouco ou nada influenciará suas políticas. Confrontada com questões sensíveis como liberalização do aborto, ela sai pela tangente com a proposta de plebiscito. Em 125 proposições apresentadas por ela durante dois mandatos no Senado, nenhuma parece obviamente relacionada a igrejas evangélicas, como a sua Assembleia de Deus.

É na gestão da macroeconomia que se revelará sua face mais conservadora. Assessorada por economistas como Eduardo Giannetti da Fonseca, Marina assumiu compromisso com a manutenção da política econômica de FHC e Lula, calcada em metas de inflação, câmbio flutuante e independência do Banco Central.

O passo adiante será deslocar a ênfase da taxa de juros para o controle do gasto público. Um dos raros compromissos quantitativos nas diretrizes para um programa de governo é a meta de restringir o aumento da despesa a 50% do avanço do PIB.

Fala-se, também, em reduzir o número de cargos federais de livre provimento. Na mesma linha, as diretrizes prometem rever "programas extraordinários de anistia fiscal", como o Refis.

A obtenção de altos superavits primários não terá por objetivo financiar o consumo, e sim aumentar a capacidade de investimento do Estado. Não em um rol de obras de interesse de oligarquias estaduais e empresários apadrinhados pelo BNDES, como no PAC, mas com planejamento balizado pela descarbonização da economia.


A íntegra da análise pode ser lida por assinantes da Folha e do UOL aqui.

Escrito por Marcelo Leite às 09h42

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Palpites sobre prêmios Nobel de 2010

 
 

Palpites sobre prêmios Nobel de 2010

O conglomerado de informação Thomson Reuters preparou de novo seu rol de nomes com alguma chance de ganhar prêmios Nobel, se as estatísticas que compila sobre produção científica e impacto têm de fato algum valor preditivo. Eis os palpites:

QUÍMICA - Patrick Brown, Susumu Kitagawa, Stephen Lippard e Omar Yaghi

FÍSICA - Charles Bennett, Thomas Ebbesen, Lyman Page, Saul Perlmutter, Adam Riess, Brian Schmidt e David Spergel

MEDICINA - Douglas Coleman, Jeffrey Friedman, ERnest McCulloch, Ralph Steinman, James Till e Shinya Yamanaka

ECONOMIA - Alberto Alesina, Nobuhiro Kiyotaki, John Moore e Kevin Murphy

A Thomson Reuters monta as listas com base em múltiplos critérios, inclusive o recebimento de outros prêmios prestigiados. Se quiser saber mais sobre o método, leia aqui. Detalhes sobre os nomes acima e seus temas de pesquisa, aqui.

Leve em conta que, mesmo errando mais que acertando, esse pessoal antecipou parte dos nomes de medicina no ano passado e em 2008, como se pode ler nesta reportagem da revista "The Scientist".

Escrito por Marcelo Leite às 19h46

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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