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Nas próximas 4 ou 5 semanas este blog entrará em recesso intermitente, devido a acesso precário (sem banda larga) a internet.

Escrito por Marcelo Leite às 09h21

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O outro lado da cana e do álcool

O outro lado da cana e do álcool

 

Recebi da Fundação Heinrich Böll, mantida pelo Partido Verde da Alemanha, um aviso sobre o estudo "Direitos Humanos e a Indústria da Cana", produzido pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos em conjunto com a Comissão Pastoral da Terra, o MST e instituições acadêmicas como a Unesp, com o "objetivo [de] analisar os impactos do agronegócio e da indústria da cana nos direitos humanos, inclusive os civis, sociais e ambientais, no Brasil". O texto é de abril, mas não o conhecia.

Li rapidamente o resumo, que você encontra aqui. Também estão disponíveis o trabalho completo, aqui, e uma entrevista com Maria Luisa Mendonça, coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, aqui.

A leitura é devastadora. Mesmo pressupondo algum viés antiagronegócio (os usineiros decerto apontarão o dedo para o protecionismo europeu), o fato é que o estudo traz um monte de afirmações empíricas sobre as condições de trabalho de canavieiros que não ajudam a imagem do setor - para dizer o mínimo.

Cabe aos capitães dessa indústria responder não com a velha ladainha de que são casos isolados etc., mas com fatos que desmintam as afirmações do relatório e ações concretas que erradiquem as práticas incontroversas ali denunciadas. Precisam fazê-lo não só por ser a coisa certa, mas porque o futuro de seu negócio depende disso, se quiserem que o etanol de fato se transforme numa commodity internacional. Parte deles já se deu conta disso, ou vêm reagindo positivamente à pressão, como se pode ler no último parágrafo abaixo.

Eis alguns trechos pinçados do resumo:


No estado de São Paulo, os trabalhadores recebem R$ 2,92 por tonelada de cana cortada e empilhada. Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, em São Paulo, atualmente o piso salarial é de R$ 475,00 por mês e para receber esse valor, os trabalhadores têm que cortar uma média de 10 toneladas de cana por dia. Para isso, são necessários 30 golpes de facão por minuto, durante oito horas diárias de trabalho. Novas pesquisas com cana de açúcar transgênica, mais leve e com maior nível de sacarose, significam mais lucros para os usineiros e mais exploração para os trabalhadores. Segundo pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), “antes 100m² de cana somavam 10 toneladas, hoje são necessários 300m² para somar 10 toneladas”. (...)

O trabalho escravo é comum no setor. Os trabalhadores são geralmente migrantes do nordeste ou do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, aliciados por intermediários ou “gatos”, que selecionam a mão-de-obra para as usinas. Em 2006, a Procuradoria do Ministério Público fiscalizou 74 usinas no estado de São Paulo e todas foram autuadas. Em março de 2007, fiscais do MTE resgataram 288 trabalhadores em situação de escravidão em seis usinas de São Paulo. Em outra operação realizada em março, o Grupo de Fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul resgatou 409 trabalhadores no canavial da usina de álcool Centro Oeste Iguatemi. (...)

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, 53% dos 5.974 trabalhadores libertados pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, ou seja, 3.117 trabalhadores trabalhavam nas usinas sucroalcooleiras dos estados do Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Ceará. No dia 8 de abril de 2008, uma fiscalização do Grupo identificou 1.500 trabalhadores em condições degradantes nos municípios de Campo Alegre de Goiás e Mineiros, ambos em Goiás, e Alto Taquari, em Mato Grosso. (...)

Em 10 minutos o trabalhador derruba 400 quilos de cana, desfere 131 golpes de podão, faz 138 flexões de coluna, num ciclo médio de 5,6 segundos cada ação. O trabalho é feito em temperaturas acima de 27ºC com muita fuligem no ar e ao final do dia terá ingerido mais de 7,8 litros de água, em média, desferido 3.792 golpes de podão e feito 3.994 flexões com rotação da coluna. (...)

Os movimentos repetitivos no corte da cana causam tendinites e problemas de coluna, descolamento de articulações e câimbras, provocadas por perda excessiva de potássio. As freqüentes câimbras seguidas de tontura, dor de cabeça e vômito são chamadas de “birola”. Muitos trabalhadores usam medicamentos (como injeções chamadas de “amarelinhas”) e drogas (como crack e maconha) para aliviar a dor e estimular o rendimento. Para cortar 10 toneladas de cana por dia, estima-se que cada trabalhador precise repetir cerca de 10 mil golpes de facão. (...)

Com as sistemáticas denúncias destas condições de trabalho e dos alarmantes casos de morte por exaustão nas lavouras de açúcar, a Pastoral do Migrante avalia que houve uma pequena melhora no quadro geral. De acordo com Padre Antônio Garcia, membro da equipe da Pastoral do Migrante em Guariba, São Paulo, o Ministério Público do Trabalho tem intensificado fiscalizações e autuações das empresas; a imprensa local e nacional tem dado importante visibilidade para o tema e isso faz com que as empresas tenham receio de serem autuadas, uma vez que não querem ter seu nome ligado à situação degradante de trabalho; além disso, por meio das audiências públicas que têm realizado na região, algumas em parceria com a Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Trabalho, tiveram conquistas como a pausa no trabalho, o café com pão e a barraca contra o sol para poderem almoçar. Mas os problemas estruturais, afirmou Padre Garcia, permanecem. Essa situação de pequenas melhorias, no entanto, é específica dessa região de São Paulo. De forma geral, a superexploração permanece como regra no setor.

Escrito por Marcelo Leite às 10h43

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Obama tanque-cheio vs. Hillary meia-bomba

Obama tanque-cheio vs. Hillary meia-bomba

Permita o leitor que este blog fuja um pouco da raia da biologia e dê preferência para a da política (ainda que, na ecologia e na biotecnologia, esses continentes estejam em atrito direto).

Os últimos dias nos Estados Unidos foram marcados por dois debates na campanha eleitoral: o reverendo Wright e o imposto da gasolina. Não tenho lido direito os jornais brasileiros, mas fica a impressão de que deram mais destaque ao primeiro. De fato, estarrecedor. Vi o homem (Wright) falando na TV, é de deixar os cabelos em pé. Vi também na TV o homem que importa, Barack Obama, e o esforço de se desvincular de seu pastor foi visivel, mas, para alguém cuja retórica é tão elogiada, pareceu hesitante em alguns momentos. Agora, o frenesi com que a imprensa americana se lançou ao episódio faz os oportunistas brasileiros do caso Isabella parecerem monges. Hoje, por exemplo, o jornal The New York Times publicou um artigo furibundo do colunista Bob Herbert sobre a baixa qualidade do debate.

Muito mais estarrecedor, no entanto, é o debate enlouquecido sobre o imposto da gasolina. John McCain e Hillary Clinton, no pior estilo populista (depois falam de Hugo Chávez...), estão defendendo que o atual governo suspenda o imposto durante o verão (julho a agosto), para baratear a gasolina numa época em que os americanos viajam muito de carro. Guardadas as devidas proporções, seria mais ou menos como se Dilma Rousseff e Aécio Neves defendessem, no começo de 2009, que o presidente Lula baixasse os juros durante o verão, porque, afinal, janeiro, fevereiro e março são meses em geral fracos para a economia e o emprego...

Na realidade, é mais louco ainda. Há boas razões para baixar os juros no Brasil. Não há boas razões para baixar o preço da gasolina nos Estados Unidos nem em qualquer parte. O petróleo está na casa dos US$ 120 por barril não por ganância das empresas petroleiras, como chegou perto de dizer a pragmática Hillary, mas porque o consumo sobe mais rápido que a produção. Sabe aquela história de demanda e oferta? Pois então.

Com a alta do preço do petróleo, por outro lado, seu consumo tende a cair e torna-se relativamente menos caro investir em energias alternativas, de biocombustíveis a moinhos de vento. Um refresco para a atmosfera, que talvez assim se aqueça menos e atrase um pouco as possíveis catástrofes do efeito estufa, agravado principalmente pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural)."É a economia, estúpidos", alguém poderia comentar.

Barack Obama resistiu à sereia populista e manteve, na semana horrível que vinha enfrentando, uma opinião firme: não faz sentido suspender o imposto da gasolina. Primeiro, porque não vai fazer muita diferença - sua equipe calcula que a economia permitida pela medida populista a cada americano motorizado será de menos de 28 dólares, ou 9 dólares por mês. Depois, o preço mais baixo estimulará o consumo, o que por sua vez - pela inexorável lei da oferta e da procura - levará a novos aumentos de preço, talvez até anulando o diminuto alívio no bolso do consumidor.

Por fim, da perspectiva do aquecimento global que todos se propõem a combater (inclusive McCain e Hillary), é burrice baixar o preço e estimular o consumo bem no momento em que os americanos começavam a desconfiar que pode haver algo de insustentável no seu modo energético de viver. Mesmo com a alta de preços na bomba, a gasolina aqui ainda custa menos de um dólar por litro - mais ou menos o preço do litro de álcool no Brasil, onde quem tem alguma coisa na cabeça acha que a gasolina tem de subir, não baixar.

Com a ajuda do reverendo Wright e a promessa de um verão na estrada, Hillary parece ter saído das cordas, segundo a interpretação de vários comentaristas. Não que isso seja boa notícia para os democratas, pois sua manutenção no páreo só ajuda McCain. E, mesmo que ela termine indicada candidata do partido, terá de pagar o preço pelo que vem defendendo e dizendo na campanha.

A questão da gasolina talvez até lhe traga votos, mas a exploração do tema racial (ainda que não tão diretamente a do reverendo Wright) pode roubar-lhe pontos preciosos no eleitorado negro, majoritariamente democrata. É o que sugere a análise do colunista Charles Blow (que nome fantástico para um crítico) na mesma página do NY Times. Blow mostra que Hillary vem continuamente perdendo pontos entre negros (veja gráfico no NY Times), enquanto Obama fica mais ou menos empatado entre perdas (brancos) e ganhos (negros). Mesmo que Hillary o vença, poderá chegar à eleição de tanque meio vazio, pois muitos negros - que sempre votaram maciçamente em Bill Clinton - se sentem traídos e podem acabar votando em McCain.

Escrito por Marcelo Leite às 18h58

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O cochilo do urso

O cochilo do urso

Os inimigos vão dizer que este blog se rendeu ao recurso ordinário de apelar para animaizinhos bonitinhos para obter audiência. Que ladrem. Não dá é para resistir ao cochilo do urso que vi na CNN.

Escrito por Marcelo Leite às 18h55

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Será que o hobbit foi ao dentista?

Será que o hobbit foi ao dentista?

 

A arcada do hobbit de Flores...

... e o molar da discórdia
(Fotos: Reprodução/Peter Brown)

O caso da "nova espécie" de seres humanos descoberta na ilha de Flores, na Indonésia, fica cada vez mais complicado. Por ser muito pequeno o esqueleto datado de 18 mil anos, ele foi apelidado de "hobbit", embora o nome científico proposto pelos descobridores fosse Homo floresiensis.

Vários pesquisadores duvidam que seja uma nova espécie. Para eles, os restos apresentados em 2004 são de humanos modernos, mas raquíticos. Virou um bate-boca interminável, que agora chegou aos dentes - mais precisamente, a um molar que o paleopatologista Maciej Henneberg, da Universidade de Adelaide (Austrália), cismou ter sido obturado (ops, "restaurado", como preferem dizer hoje os dentistas). A denúncia aparece num livro que Henneberg está lançando e vem relatada numa reportagem de Elizabeth Culotta na newsletter ScienceNow.

Isso mesmo: Henneberg acha que o hobbit foi ao dentista. Ou seja, não poderia ter 18 mil anos. Seria uma fraude, portanto.

O descobridor do esqueleto e maior defensor do Homo floresiensis, Peter Brown, colega de Henneberg em Adelaide, subiu nas tamancas. Publicou uma resposta desqualificadora, que acusa Henneberg de ser "extremamente inexperiente" no assunto em que se meteu. Implicitamente, acusa-o de querer apenas promover conclusões apressadas de seu "livro popular".

É uma briga boa, mas por ora Brown parece levar vantagem. É o que diz John Hawks, da Universidade de Wisconsin em Madison (EUA).

Escrito por Marcelo Leite às 19h36

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Tatuagens científicas

Tatuagens científicas

 

Trilobita tatuado no braço da estudante de ecologia Lea
(Foto: reprodução do blog
http://carlzimmer.typepad.com/sciencetattoo)

Há muitas razões para ler o fantástico blog The Loom, de Carl Zimmer. A menos intelectual, mas nem por isso menos interessante, é admirar as imagens da esquisita página que ele mantém sobre tatuagens que pesquisadores mandam gravar em seus próprios corpos.

De certa maneira, pode-se dizer que eles não vestem a camisa da ciência, e sim tiram.

Escrito por Marcelo Leite às 20h08

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Micróbios podem causar esquizofrenia?

Micróbios podem causar esquizofrenia?

 

Vírus da gripe (influenza) aumentado cerca de 100 mil vezes

A Scientific American Mind não é o que se chama de periódico científico, ou seja, uma publicação técnica cujo conteúdo é avaliado por pesquisadores antes de ir para o prelo. É uma revista de divulgação, mas por isso mesmo está em melhor posição para reunir o saber disperso nos periódicos sobre determinado campo de pesquisa e apresentá-lo de forma coerente para o público interessado mas leigo - como faz agora na edição de abril com o tema fascinante da possível ação de vírus, bactérias e outros micróbios na doença mental, esquizofrenia à frente.

A hipótese é apresentada de maneira competente em reportagem de Melinda Wenner. Disponível em inglês, o texto recebeu o título "Infectado com Insanidade: Podem os Micróbios Causar Doença Mental? Vírus e bactérias podem estar na raiz da esquizofrenia e outros transtornos".

A maior parte das pessoas acredita que transtornos mentais como esquizofrenia, depressão e psicoses estão relacionadas com a história de vida (traumas, emoções) ou com fatores hereditários. A hipótese discutida no texto de Wenner, porém, tem mais de um século. Wenner conta que já em 1896 um editorial na revista-irmã Scientific American discutia a possibilidade de que micróbios tivessem parte na insanidade. Depois, com as vogas da psicanálise e da genética, essa teoria caiu em desuso.

Algumas evidências nesse sentido, contudo, não iam embora. Duas centenas de estudos, conta Wenner, relacionam casos de gripe no início da gravidez com posterior ocorrência de esquizofrenia no indivíduo em gestação. Esta forma de doença mental seria 5% a 8% mais freqüente em crianças nascidas no inverno e na primavera, quando infecções com o vírus da gripe são mais comuns. Outro micróbio que ataca grávidas já correlacionado com esquizofrenia é o Toxoplasma gondii.

Ninguém sabe, porém, como se dá esse elo entre infecção e doença mental. Correlação não indica necessariamente uma causa, pois não se exclui que a sucessão dos dois fatores (infecção na gravidez e esquizofrenia no indivíduo gestado) seja uma coincidência sem maior significado. Mas correlações como essa são pistas que os cientistas estão treinados a perseguir.

Eles têm alguns palpites sobre o que pode estar acontecendo. Os próprios micróbios podem estar afetando o desenvolvimento cerebral do feto, embora isso seja menos provável (há barreiras eficientes separando o feto da mãe e o cérebro do restatne do organismo).

Pode também ser efeito de citocinas, substâncias produzidas em grande escala pelo corpo atacado por uma infecção como a gripe, mas que também têm efeito sobre células nervosas. Pode, por fim, ser resultado do próprio sistema imune, que passa a atacar neurônios como se fossem corpos estranhos. Muita pesquisa ainda terá de ser feita para verificar essas possibilidades.

O ceticismo diante da hipótese infecciosa, contudo, não deve ser exagerado. Há pelo dois precedentes a ensinar que a ação de micróbios está na origem de doenças que por muitos anos foram atribuídas a outras causas, descobertas que deram grande contribuição para enfrentar problemas sérios de saúde pública. Uma foi o envolvimento da bactéria Helicobacter pylori nas úlceras e tumores estomacais. Outra, o papel do papilomavírus humano (HPV) nos cânceres de colo do útero.

Melinda Wenner alerta que um eventual envolvimento da gripe no começo da gravidez com esquizofrenia também pode ter conseqüências em saúde pública. Nos estados Unidos, por exemplo, recomenda-se que mulheres grávidas tomem vacina contra gripe. Se aquela hipótese da reação imune for correta, o procedimento poderia até aumentar os casos de esquizofrenia no futuro.

Escrito por Marcelo Leite às 12h22

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Macacos machos preferem brinquedos de meninos, diz estudo

Macacos machos preferem brinquedos de meninos, diz estudo

 

Macacos me mordam, já que se sou um antideterminista biológico militante: segundo leio em reportagem da revista de divulgação britânica New Scientist, filhotes machos de macacos resos têm clara preferência por brinquedos típicos de meninos humanos, como carrinhos. E macaquinhas, por coisas como bichos de pelúcia...

Em outras palavras, como não se pode atribuir a esses primatas o mesmo espectro de influências sociais que ensinam às crianças humanas quais são seus papéis de gênero, haveria algo de inato nessa preferência. Vale dizer, de "biológico". Alguma coisa nas disposições naturais desses bichos os predispõe para uma coisa ou outra - só falta descobrir o quê (a rigor, pelo menos o meu antideterminismo se queixa é da incapacidade dos deterministas de apontar o que seja esse quê).

A pesquisa foi realizada pela equipe de Kim Wallen, do Yerkes National Primate Research Center em Atlanta, Geórgia (EUA), na Universidade Emory. O artigo científico correspondente, "Sex differences in rhesus monkey toy preferences parallel those of children" (Diferenças sexuais nas preferências por brinquedos de macacos resus são paralelas às de crianças) foi publicado no periódico Hormones and Behavior.

"Eles não são sumetidos a publicidade. Não são submetidos ao encorajamento dos pais, não são submetidos à pressão dos pares", disse Wallen.

O grupo de pesquisa pôs apenas brinquedos de dois tipos de brinquedos à disposição da macacada (11 machos e 23 fêmeas), com rodas ou sem rodas, com dez metros de distância enrte eles. De início, todos rodeavam os dois tipos. Com o passar do tempo, os machos agarravam os que tinham rodas e saíam correndo. Típico. Ou então, pegavam os bichos de pelúcia para socar. Veja aqui um vídeo.

Escrito por Marcelo Leite às 20h07

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Marcelo Leite Marcelo Leite é jornalista, colunista da Folha de S.Paulo e autor do livro "Promessas do Genoma" (Editora da Unesp).

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