A hora e a vez do IPCC

O auge do IPCC passou. Em fevereiro de 2007, o órgão criado duas décadas antes pelo programa ambiental da ONU e pela Organização Meteorológica Mundial lançou o sumário executivo de seu aguardado "Quarto Relatório de Avaliação" (AR4). Em outubro do mesmo ano, recebeu o Nobel da Paz, dividido com o televangelista do clima Al Gore.

Três anos depois, o IPCC está na lama. Uma sucessão de erros e revelações pôs em questão as práticas de estrelas salientes na constelação com centenas de cientistas-colaboradores. Sua reputação caminha para a sarjeta, e a do IPCC ameaça ir junto. (...)

[A]té 2007, era mais comum ouvir críticas ao IPCC por seu caráter conservador. Sobre o AR4, por exemplo, objetava-se nos meios científicos que a previsão de elevação dos mares em pouco mais de meio metro até o ano 2100 era tímida demais. Afinal, estudos já publicados na época calculavam que poderia atingir 1,5 m. (...)
 
Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, saiu-se mal na administração da crise. Deveria renunciar. O próprio IPCC, para restaurar a credibilidade da ciência sobre o clima, poderia ser substituído por um órgão independente de governos, com apoio talvez das academias nacionais de ciência.

O assunto é sério e complexo demais para ficar nas mãos de cientistas preocupados hoje com a própria sobrevivência.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).