Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Ecologias

Fazendeiros defendem Código Florestal

 
 

Fazendeiros defendem Código Florestal

Fogo em pilha de madeira no pasto visto da Fazenda Bang Bang, em São José

do Xingu (MT), "um lugar de paz" (Foto: Ayrton Vignola Jr.)

A Folha de hoje traz reportagem sobre carta de proprietários de Mato Grosso, na maioria, que estão fartos do vaivém da bancada ruralista e do governador Blairo Maggi. Abaixo, alguns parágrafos da matéria (leia texto completo aqui, só para assinantes do jornal ou do UOL):


Um grupo de 35 fazendeiros ligados à organização não-governamental Aliança da Terra lançou ontem carta aberta defendendo a manutenção e a consolidação do Código Florestal, com "alguns ajustes". A manifestação evidencia que nem todos os produtores agropecuários do país rezam pela cartilha da bancada ruralista no Congresso Nacional. (...)

Mesmo pecuaristas do porte de Luiz Carlos Nunes Castelo, dono de 13 mil hectares no município de São José do Xingu (nordeste de Mato Grosso), assinaram o documento da Aliança. "O Código Florestal representa uma das mais importantes ferramentas para viabilizar a produção sustentável com responsabilidade socioambiental", defende a carta.

O principal ajuste proposto é incluir áreas de preservação permanente (como beiras de rio e topos de morros) no cálculo da reserva legal. A redução da reserva a 50% na Amazônia ficaria condicionada à previsão do zoneamento econômico-ecológico em cada Estado. (...)


Leia a íntegra da carta aqui.

Escrito por Marcelo Leite às 09h49

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O bonde de Copenhague

 
 

O bonde de Copenhague

Como o bonde da foto, acordo de Copenhague pode virar peça de museu

Escrevi um texto curto de análise, na Folha de hoje, para comentar o adiamento do anúncio da meta brasileira de corte de emissões de gases do efeito estufa, se é que ainda haverá uma. Leia alguns trechos:


É mais comum o governo Lula perder uma boa oportunidade de calar. Ontem ele deixou passar em branco uma chance de falar -e dizer a que veio, em matéria de aquecimento global e liderança mundial.

O acordo de Copenhague, que deveria ser fechado em dezembro para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, está à beira do abismo. A última rodada de negociação, em Barcelona, vai de mal a pior. (...)

Era o momento adequado para Lula demonstrar a liderança inovadora que lhe atribuem no estrangeiro. Mesmo que não anunciasse os 40% de redução de emissões de gases do efeito estufa almejados por seu ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, qualquer cifra acima dos 20% garantidos pela trajetória atual de redução do desmatamento já ajudaria a aliviar a atmosfera.

A decisão fica adiada até 13 de novembro, quando faltarão 22 dias para Copenhague. O Brasil segue o exemplo dos EUA, que não conseguem fechar uma posição por dificuldades políticas domésticas. A diferença é que lá se trata de uma dissensão no Legislativo, não no Executivo. (...)

O Brasil pode, sim, contribuir para desatar o nó de Copenhague. Só depende de Lula.

Escrito por Marcelo Leite às 09h46

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Saudades da mata

 
 

Saudades da mata

(...) Pobre de quem nunca caminhou pela mata atlântica nem teve o privilégio de ver um tiê-sangue traçar um risco de fogo no ar, com suas penas. Poderá ter conhecido as sequoias da Califórnia, a Floresta Negra da Alemanha ou até a floresta amazônica, mas seu conceito de floresta sairá empobrecido. Nenhuma floresta deveria morrer, ao menos não de morte matada.

A mata atlântica, contudo, continua correndo risco de vida (alguém precisa preservar esta locução sob ameaça de extinção, sob pressão do predador "risco de morte"). Resta menos de 8% de seu 1,3 milhão de quilômetros quadrados (km2) originais, cerca de um sétimo do território brasileiro atual.

Entre 2005 e 2008, mais mil km2 caíram, uma área equivalente a dois terços do município de São Paulo. O bioma é monitorado há décadas pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica. O resultado pode ser visualizado neste mapa: http://mapas.sosma.org.br. Cuidado para não se deprimir muito.

O mapa mostra certas coisas curiosas. Uma das maiores concentrações de remanescentes de mata atlântica está em São Paulo. Justamente o Estado mais desenvolvido, mais populoso e mais associado com sua destruição, para ceder lugar ao café e depois à cana-de-açúcar.

São 25.359 km2, ou 15% da cobertura original. (...) Ainda dá para matar as saudades -se a mata não morrer antes.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo, aqui (só para assinantes).

Aquarela de Daniel William Conrade (Reprodução)

Escrito por Marcelo Leite às 14h36

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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