Marcelo Leite

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Minc reforça meio de campo

 
 

Minc reforça meio de campo

Escrevi um comentário (aqui, só para assinantes da Folha ou do UOL) sobre o papel do ministro Carlos Minc que foi publicado ontem. Transcrevo os dois primeiros e o último parágrafo:


NUM GOVERNO mais dado às metáforas do futebol que às do basquete, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, exerce as funções de pivô. Nem sempre suas jogadas espalhafatosas pelo centro da quadra resultam em pontos, mas ele ao menos sua o colete na posição de articulador abandonada por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, mais ocupada com seu próprio PAC (programa de avanço da candidatura).

Minc parece ser o único ministro na Esplanada ocupado em fazer o governo sair da defesa e da troca de passes em duas partidas decisivas para o desenvolvimento econômico e a imagem internacional do Brasil: Código Florestal e aquecimento global. Uma depende do resultado da outra. Lula é aguardado como herói em Copenhague, mas sairá de lá vaiado se tropeçar na primeira ou empatar na segunda. (...)

Minc luta às claras por metas ambiciosas. Com isso, faz mais inimigos no governo, do Itamaraty ao Ministério da Ciência e Tecnologia, adeptos da retranca nas negociações internacionais sobre mudança climática. Sem um jogador encrenqueiro como ele no meio de campo, o governo Lula só poderia contar com a repescagem no campeonato mundial do desenvolvimento limpo.

Escrito por Marcelo Leite às 08h32

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Rio 2012

 
 

Rio 2012

Faltam 42 dias para a conferência de Copenhague, na Dinamarca, e a previsão do clima não é das melhores. Tudo indica que resultará em fracasso. Como em Poznan, Polônia, há um ano. Como em Bali, Indonésia, há dois anos. Como em Kyoto, Japão, há 12 anos. (...)

Países ricos e pobres se engalfinham para empurrar a conta uns aos outros. Partem do princípio de que reduzir emissões prejudica a economia. Estão certos no curto prazo e provavelmente errados no longo, porque nenhuma economia sobrevive sem os insumos que a natureza lhe fornece de graça: chuvas no período certo, rios regulares, insetos polinizadores, vegetais para segurar a erosão etc. (...)

O Protocolo de Kyoto, adotado em 1997, previa uma redução modesta das emissões, e por esforço só de países mais ricos: 5,2% de corte, em média, até 2012, sobre os níveis de 1990. Até 2007, só 3,9% haviam sido obtidos -mesmo assim, porque a economia do Leste Europeu foi para o saco.

Em "kyotês", essas "economias em transição" viram suas emissões recuarem 37% entre 1990 e 2007. O resto avançou 11,2%, mais que o dobro do que deveriam reduzir. Os EUA, que nunca ratificaram Kyoto, progrediram 16,8%. Fizeram bonito só nações europeias como a Alemanha (-21,3%). (...)

Não há nem esboço de acordo, a 42 dias de Copenhague. (...)

Não é por outra razão que alguns militantes ambientalistas já se movimentam para organizar uma nova cúpula do ambiente, como a Eco-92 realizada no Rio. (...) Quem só pensa em Rio 2014 e Rio 2016 deveria começar a batalhar também pelo Rio 2012.

Escrito por Marcelo Leite às 08h52

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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