Marcelo Leite

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Ecologias

Saiu orçamento de carbono britânico

Saiu orçamento de carbono britânico

 

Saíram os documentos com as diretrizes para o governo britânico mencionadas no post "Londres Lança orçamento de carbono", mais abaixo.

O leitor pode encontrá-los nos seguintes links:

Relatório completo, "Building a low-carbon economy – the UK’s contribution to tackling climate change"
Página principal
Comunicado à imprensa
Folheto explicativo
Sumário executivo

Além da meta geral de reduzir 80% das emissões até 2050, foi fixado o objetivo intermediário de cortar 34% até 2020. Caso saia um acordo global em Copenhague, daqui a um ano, os cortes deverão ser de 42% (nos dois casos, sobre os níveis de 1990).

Duas surpresas relativas:
1. Aviação e navegação ficaram de fora, devido às incertezas e à dificuldade de mensurar/atribuir suas emissões a este ou àquele país, mas há uma recomendação para que sejam acompanhadas de perto, para futura inclusão;
2. Créditos de carbono provenientes do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto não poderão ser empregados para inteirar a meta de corte de 34%, só para a de 42%.

A proposta foi preparada pelo Comitê de Mudança Climática (CCC), órgão independente criado por lei para subsidiar e supervisionar o governo britânico nessa matéria. O gabinete do trabalhista Gordon Brown deve agora apresentar ao Parlamento a sua versão do orçamento de carbono, justificando as modificações que introduzir, para que ele seja votado até junho de 2009.

Os 3 orçamentos até 2022, para cumprir as metas de reduzir 34% (metade superior da tabela) ou 42%
Reprodução/Sumário executivo do
orçamento proposto pelo CCC

Escrito por Marcelo Leite às 19h49

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Londres lança orçamento de carbono

Londres lança orçamento de carbono

 

Fonte: McKinsey

Duas crises infernizam o mundo: a financeira, para ontem, e a climática, para amanhã. Disposto a dar o exemplo na conferência sobre mudança climática que começa hoje em Poznan (Polônia), o governo britânico engatilhou um segundo orçamento nacional, expresso em toneladas de gás carbônico (CO2) e não em libras esterlinas.

A adoção do orçamento carbônico começa amanhã, com o lançamento da primeira proposta, e vai até 1º de junho de 2009. É a peça central da Lei de Mudança Climática aprovada pelo Parlamento no dia 18. Foi formulada pelo Comitê de Mudança Climática (CCC, na sigla em inglês), um órgão independente de aconselhamento e supervisão do governo na matéria, outra inovação britânica.

Até março, o governo do trabalhista Gordon Brown tem de anunciar se acata a proposta do CCC e justificar as alterações que nela fizer. Seguem-se dois meses de debates parlamentares sobre o orçamento consolidado por Brown. Em 1º de junho, a peça tem de virar lei, e o governo passa a responder por seu cumprimento, sob a vigilância de revisões anuais do comitê enviadas ao Parlamento.

Haverá sempre três orçamentos enfileirados, todos qüinqüenais. Na primeira leva, para os períodos 2008-2012, 2013-2017 e 2018-2022. Cada um deles terá metas específicas de redução de gases do efeito estufa propostas pelo CCC, de modo a delinear a trajetória para alcançar o objetivo de cortar 80% das emissões até 2050. (...)

Agora o governo britânico almeja liderar, dando o exemplo, a travada negociação internacional sobre clima. Um corte de 80% nas emissões até 2050 -em todos os países- é tido como necessário para evitar que a temperatura média da atmosfera planetária se aqueça mais que 2C. Acima disso, avaliam cientistas, o clima poderia enlouquecer de vez, com secas graves, tormentas e inundações mais freqüentes.

Até agora as tratativas para distribuir o ônus entre as nações foram paralisadas pela disputa entre países desenvolvidos, maiores responsáveis pelo carbono já emitido, e em desenvolvimento. O Reino Unido pretende romper o impasse dando o exemplo e exibindo metas ambiciosas e uma lei que o obriga a cumpri-las.

Mesmo com a adoção de metas similares pelos EUA de Barack Obama, que prometeu US$ 150 bilhões em dez anos para a pesquisa de tecnologias limpas, o avanço da negociação é encarado com ceticismo. Caso um improvável acordo consiga estabilizar as emissões mundiais nos níveis do ano 2000, ainda assim haveria 75% de chance de a temperatura ultrapassar os 2°C. (..)

David Kennedy, secretário-executivo da CCC, está otimista. Ele acredita ser possível descarbonizar inteiramente a matriz energética britânica até 2050. Para isso, o orçamento de carbono que ajudou a finalizar prevê um leque amplo de medidas, da conservação de energia à eletricidade nuclear. Haveria lugar ainda para biocombustíveis e créditos de carbono (leia abaixo), além de investimentos para desenvolver usinas termelétricas a carvão "limpas": com captura e injeção subterrânea do CO2.

Um dos grandes nós são as emissões da aviação e da navegação, que não foram incluídas no Protocolo de Kyoto, mas farão parte dos orçamentos carbônicos britânicos e, talvez, do acordo climático que for possível alcançar em Copenhague, daqui a um ano. Sem a inclusão desses setores, seria impossível alcançar a meta de longo prazo: baixar a emissão per capita a algo da ordem de 2 toneladas anuais, na média mundial. (...)

Conseqüências para o Brasil

A proposta de orçamento de carbono que o Comitê de Mudança Climática (CCC) britânico apresentará amanhã ao governo Brown terá conseqüências para o Brasil. Uma das atribuições da comissão independente é estipular o peso dos biocombustíveis na descarbonização da economia do país.

A expectativa é que o CCC recomende teto de 20% para biocombustíveis, até 2020. Aí estaria incluído o álcool que o Reino Unido importa do Brasil.

No futuro, isso dependerá do cumprimento de padrões socioambientais, alerta Joan Ruddock, secretária-executiva do recém-criado Ministério da Energia e Mudança Climática. E não será para sempre: "Pensamos que os biocombustíveis têm um papel útil no curto e no médio prazo", diz. (...)

As plantas usadas como matéria-prima do álcool contribuem menos para o aquecimento global porque, ao crescer, retiram CO2 da atmosfera. Depois mais carbono será emitido na queima do combustível, mas o saldo pode ser muito favorável, como no caso do álcool de cana comparado à gasolina.


Leia a íntegra de minha reportagem na Folha de S.Paulo (aqui e aqui, só para assinantes do jornal e do UOL).

Escrito por Marcelo Leite às 17h03

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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