Sérgio Abranches e o grão de pré-sal

Não é sempre que consigo tempo para ler o que Sérgio Abranches escreve no site O Eco. Quando arranjo, nunca me arrependo. Veja como ele conclui sua coluna "Da crise sairá a nova economia", levada ao ar ontem:


Esse atraso em compreender o desafio climático e buscar um padrão de desenvolvimento de baixo carbono, pode custar caro ao Brasil. Embora sejamos um dos países com melhores condições para fazer a transição para a nova economia, sem sacrifícios, a correlação de forças que domina a sociedade e este governo está ligada ao passado e às tecnologias de alto carbono. Para o Brasil, a agenda climática poderia ser, tranqüilamente, uma agenda de “desenvolvimento verde”, com ganhos correlatos em educação, progresso técnico e científico e saúde pública. Mas, o reacionarismo de nossa elite e o atraso de nosso governo nos expõem ao risco do isolamento na política global do clima e de sanções comerciais, que poderão nos ser muito prejudiciais, exatamente na saída da recessão que se avizinha. Não seremos uma ilha de crescimento na recessão global, nem prosperaremos como uma economia que escolhe ficar com a sucata industrial do século XX, na esperança de com ela crescer no século XXI. O século XX morreu e, com ele sua indústria e sua principal fonte de energia. Quanto mais cedo forem enterrados e esquecidos, maiores nossas chances de sucesso nas próximas décadas.