Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Ecologias

Carne fraca

Carne fraca

 

Gado confinado na região da Serra da Bodoquena (MS)

Adoro os números que são propagados pela ONG Worldwatch Institute. Recebi um e-mail sobre o novo número de sua revista que reproduz uma tabela esclarecedora sobre emissões de gases do efeito estufa por uma série de atividades.

Ela mostra, por exemplo, que comer filé e outros derivados bovinos é muito pior para a atmosfera que andar de carro ou de avião. Bois comem capim plantado em antigas florestas ou ração em que entra de tudo, incluindo farelo de soja plantada em antigas florestas etc. E tudo isso tem de ser processado, empacotado e transportado, consumindo materiais e energia que, por sua vez...

Resultado:


Emissões estimadas de carbono por pessoa-milha viajada (em gramas de CO2):

Automóvel
130–390

Jato comercial
180–280

ônibus
110–190

Trem
100–180

Caminhada (se todas as calorias vierem de filé mignon)
         900–1.600

        (de carne moída)
         500–1.500

        (de leite semidesnatado)
         200–400

        (de maçã)
         50–100

        (da típica dieta americana)
         160

        (de dieta vegana)
         50

Escrito por Marcelo Leite às 14h19

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Diesel envenenado

Diesel envenenado

 

Está circulando um abaixo-assinado (veja abaixo) exigindo que seja mantido o prazo de janeiro de 2009 para que se passe a vender no Brasil um óleo diesel um pouco menos poluente, com menor teor de enxofre. É organizado por várias ONGs sérias. Saiba mais pelo site do Movimento Nossa São Paulo.


No final de 2002, o Conama (conselho Nacional do Meio Ambiente), diante da enorme quantidade de enxofre contido no diesel comercializado no Brasil, responsável por graves doenças pulmonares que causam a morte prematura de aproximadamente 3000 pessoas por ano só na cidade de São Paulo (vitimando principalmente crianças e idosos), emitiu uma resolução determinando que, a partir de janeiro de 2009, a quantidade de enxofre baixasse para 50 partículas por milhão (ppm S). Atualmente, essa proporção é de 2000 ppm S nas regiões rurais e 500 ppm S nas regiões metropolitanas. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a quantidade de enxofre no diesel está 10 partículas por milhão e a tendência é do número chegar a zero. Apesar de todo o prazo concedido e da gravidade do problema, nem as empresas petrolíferas e nem as montadoras de automóveis, de forma absolutamente irresponsável, se prepararam para tal mudança.

O governo brasileiro (por meio do Ministério do Meio Ambiente), por pressão das empresas envolvidas, está negociando um acordo que pode adiar e alterar a resolução do Conama. Este acordo, se firmado, representará um enorme prejuízo à saúde pública, afetando principalmente todas as pessoas e famílias que vivem nas grandes metrópoles. Somente a pressão da sociedade pode fazer com que as partes envolvidas na questão cumpram a determinação do Conama, preservando a saúde e a vida de milhares de brasileiros.

Neste sentido, gostaríamos de solicitar a inclusão de seu nome e/ou de sua organização ou empresa no abaixo-assinado (texto abaixo) que será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (representando o governo brasileiro), ao Ministério Público, à direção das empresas petrolíferas e das montadoras de automóveis, aos organismos nacionais e internacionais envolvidos com as questões de responsabilidade social empresarial e direitos humanos e às embaixadas dos países de origem das montadoras de automóveis. Esta concordância deverá ser enviada ao Movimento Nossa São Paulo, preferencialmente até o dia 21/08, pelo e-mail zuleica@isps.org.br, em nome de Zuleica Goulart.

Solicitamos que repassem o abaixo-assinado para as organizações e pessoas de seu relacionamento.

Agradecemos antecipadamente o seu apoio, que será de extrema importância para esta tão importante causa.

Atenciosamente,

Movimento Nossa São Paulo, Instituto Akatu, Greenpeace, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, SOS Mata Atlântica, Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil


ABAIXO-ASSINADO

Considerando que o óleo Diesel comercializado no Brasil contém alto índice de enxofre (de 500 a 2000 partes por milhão de enxofre);

Considerando que a queima do enxofre pelos veículos movidos a Diesel causa a emissão de material particulado fino na atmosfera, poluente é responsável por milhares casos de doenças e mortes de origem cardiorrespiratória anualmente, conforme estudos científicos divulgados pelo Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo;

Considerando que desde o ano de 2002 encontra-se em vigor a Resolução CONAMA n. 315, que estabeleceu o prazo de sete anos para a implementação integral da fase P6 do PROCONVE;

Considerando que esse prazo se encerra no dia 1º de janeiro de 2009, data a partir da qual os novos veículos deverão estar adaptados para a utilização de óleo Diesel com até 50 partes por milhão de enxofre (Diesel S50) e os postos de combustíveis deverão oferecê-los a todos os usuários;

Considerando que a Agência Nacional de Petróleo editou em 17 de outubro de 2007 a resolução ANP n. 32/2007, de forma lacunosa e evidentemente a destempo;

Considerando que a fase P6 do PROCONVE nada mais é do que uma adaptação brasileira da fase EURO-4 da União Européia e que, por tal motivo, sempre foi possível às montadoras conhecer plenamente qual seria o teor da Resolução ANP n. 32/2007;

Considerando que a ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores tem afirmado que as indústrias teriam ainda três anos para desenvolver os motores, contados da edição da Resolução ANP n. 32/2007;

Considerando que os fabricantes de veículos automotores tinham, desde 1º de janeiro de 2006, os instrumentos legais adequados para exigir das refinarias e distribuidoras de petróleo o Diesel S50, para realização de testes e que a não utilização de tais instrumentos constituiu ato de vontade unilateral destes fabricantes;

Considerando, enfim, que a defesa do direito humano da população à saúde e à vida não está condicionada à edição de uma tardia e lacunosa resolução da ANP;

As organizações, empresas e pessoas que subscrevem este abaixo-assinado, afirmam:

1 - A mora da ANP em editar a Resolução n. 32/2007 não beneficia as montadoras nem as distribuidoras de petróleo.

2 - As montadoras de veículos automotores estão obrigadas a adaptar seus veículos para a utilização do diesel S50 a partir de 1º de janeiro de 2009.

3 - As refinarias de petróleo estão obrigadas a fabricar o diesel S50 para comercialização plena a partir de 1º de janeiro de 2009.

4 - As distribuidoras de petróleo estão obrigadas a fornecer em todos os postos de combustível o diesel S50 a partir de 1º de janeiro de 2009.

5 - A população brasileira tem direito a respirar um ar mais puro, com menor nível de material particulado fino, a partir de 1º de janeiro de 2009.

6 - A frustração do prazo fixado pela Resolução CONAMA 315/2002 em decorrência da mora de qualquer das partes envolvidas no processo de sua implementação ensejará sua responsabilização civil, penal e administrativa, tanto sob a perspectiva dos direitos individuais das vítimas, do direito das entidades integrantes do SUS pelas despesas públicas com a promoção da saúde de tais vítimas e, afinal, do direito difuso ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pelas doenças e mortes de origem cardiorrespiratória que poderiam ter sido evitadas e que não o foram em razão da não redução do material particulado fino na atmosfera nos níveis aguardados com o cumprimento integral da norma ambiental aplicável. “

São Paulo, agosto de 2008

Movimento Nossa São Paulo
Instituto Akatu
Greenpeace
Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade
SOS Mata Atlântica
Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP)
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil

Escrito por Marcelo Leite às 15h01

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Abaixo os jipões

Abaixo os jipões

 

É curioso que as pessoas se preocupem tanto com a qualidade do ar em Pequim. Particularmente em São Paulo, essa mania tem muito de postiça. Além de parar de pensar com a própria cabeça, vamos também começar a respirar com o pulmão dos atletas olímpicos?

Nem a chuva de verão que despencou na terça-feira, em pleno inverno (vá lá, acontece), parece ter sido capaz de lavar a poluição que inflama os brônquios e resseca as narinas. Basta um pouco de sol para a camada de ozônio e material particulado ficar visível no horizonte. Um "photo-smog" quase palpável, para chinês nenhum pôr defeito.

Apesar disso, assistimos a um frenesi de jipões. Nas rodas chiques, são os famigerados "SUVs", ou "sport utility vehicles" (veículos esportivos utilitários, mais uma contradição de propaganda nos termos). (...)

Os SUVs foram uma invenção esperta da indústria automobilística dos Estados Unidos. Sua verdadeira utilidade era driblar os padrões cada vez mais rígidos de eficiência no consumo de combustível e de emissão de poluentes, a partir da década de 1970 (Corporate Average Fuel Economy, conhecida pela sigla Cafe).

Como utilitários, os jipões escapavam das regras. Nos anos 1990, começaram a vender como chuchu em fim de feira. Os americanos podem ser ingênuos, ou cínicos, mas não dormem no ponto. Sob pressão de ambientalistas, depois da imprensa e do Congresso, os padrões começaram a ser apertados para os SUVs, também.

No momento, os jipões começam a sair de moda pelo mundo afora. Bem, pelo menos no que costumamos chamar de mundo civilizado. No Reino Unido, a candidata do Partido Verde à Prefeitura de Londres, Siân Berry, chegou a fundar uma Aliança contra os 4X4 Urbanos. Na China, como aqui, devem ser coqueluche (também conhecida pelo nome de tosse comprida, bem a calhar para quem respira o ar de lá e o daqui).

Em São Paulo, não é incomum ver SUVs adornados com adesivos de organizações ambientais, como S.O.S. Mata Atlântica, Greenpeace e WWF. Já vi mais de um jipão dirigido por manda-chuvas de ONGs, aliás. Sempre é bom lembrar que a maioria desses beberrões não é flex e roda a gasolina, quando não a diesel.

Houve um tempo em que usar casaco de peles era politicamente incorreto, por boas razões. Não é que outro dia topei com um no Festival de Inverno de Campos de Jordão?


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 18h09

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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