Ecologias
Reação do tucano Xico Graziano
Recebo do secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano (PSDB), os seguintes comentários sobre minha coluna "Papel aceita tudo, até metas":
Eu tenho criticado, entre minha turma, essa inaceitável deficiência sobre nossos inventários de emissões. Parece incrível que um assunto dessa importância, como o aquecimento global, se baseie em dados tão incertos, previsões obscuras, projeções arriscadas. Por essa razão, na lei paulista sobre mudanças climáticas, o primeiro dos compromissos públicos será publicar o inventário das fontes, para depois discutir e aplicar metas setoriais de redução. Nesse sentido, a meta de 20% para 2020, sobre a base de 2005, se torna obrigatória para o planejamento estratégico da ação governamental.
Em seu artigo, você ameaça comparar o volume de redução de CO2 anunciado pelo governador Serra, de 24 milhões de toneladas de CO2-equivalente (Teq.), com a previsão feita pela Dilma Roussef, da ordem de 1 bilhão de Teq. Realmente os números muito se distinguem. Ocorre que nós partimos de uma premissa cautelosa, supondo que as emissões totais paulistas estiveram em 120 milhões de Teq. em 2005. Essa estimativa se baseou nos dados ainda de 1990, atualizados pelo Oswaldo Lucon, especialista da SMA no tema. Alguns analistas imaginam que as emissões paulistas estejam o dobro disso, na ordem de 200 a 250 milhões de teq. Veremos.
Agora, independentemente de quanto seja o valor efetivo, a ser divulgado até meados de 2010, nosso compromisso será um corte de 20% nas emissões, decomposto para cada setor produtivo. Preferimos ser conservadores e prudentes, para não correr o risco de errar por presunção, cometendo exageros superestimados e ilusórios, como parece ser o caminho “tendencial” seguido pelo governo federal. Nós, claramente, não inflamos dados sobre a matéria ambiental.
Permita-me Xigo Graziano apenas acrescentar que já fiz uma comparação mais direta das propostas tucano-paulista e federal-petista, aqui.
Escrito por Marcelo Leite às 18h27
Nota do MST sobre desmatamento
Nota do MST sobre desmatamento
Recebi da leitora Mariana Moreau, a propósito da coluna "A motosserra, fogo e trator", de 18 de outubro, a seguinte manifestação do MST:
1- Nenhum dos oito assentamentos da lista dos maiores devastadores da Amazônia, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, localizados no Mato Grosso, é coordenado pelo MST. A presença de supostos assentamentos na lista dos maiores devastadores da Amazônia é conseqüência da política do governo federal, tanto na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso quanto do presidente Lula, de regularizar a posse de áreas sem critérios adequados para inflar os números da reforma agrária.
2- A pilhagem de madeira foi travestida de assentamento, como denunciamos ao lado do Greenpeace, em 2007. Foram criados assentamentos ilegais em benefício de madeireiras na Amazônia Legal. Investigações do MPF (Ministério Público Federal) e do Greenpeace identificaram a falta de laudos e licenciamento ambiental, além de cadastros adulterados, para criação formal dos chamados 'assentamentos fantasmas', destinados ao desmatamento de áreas florestais para extração de madeira.
3- A reforma agrária está parada em todo o país. Os assentamentos realizados não atacaram o latifúndio e a concentração de terras aumentou no país durante os últimos governos. Cerca de 70% dos assentamentos dos governos FHC e Lula foram criados em terras públicas, por meio da regularização fundiária na região da Amazônia Legal.
4- Participamos da campanha 'Desmatamento Zero', em defesa da Amazônia, ao lado de diversas entidades da sociedade civil. Exigimos a rejeição do Projeto de Lei 6.424/05, do senador Flexa Ribeiro (PSDB), que diminui a área de reserva legal florestal da Amazônia, e a medida provisória 422/08, conhecida 'PAG (Plano de Aceleração da Grilagem)', que possibilita a legalização da grilagem na Amazônia.
5- O Ministério do Meio Ambiente deve rejeitar esses projetos devastadores e tomar medidas rígidas para impedir a expansão do agronegócio na Amazônia, que é o principal responsável pelo processo de devastação. Nos últimos cinco meses de 2007, a pilhagem da madeira, a expansão da pecuária e da soja para exportação causaram a devastação de até 7.000 km2, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente."
Escrito por Marcelo Leite às 10h57
Papel aceita tudo, até metas
Papel aceita tudo, até metas

(...) Duvidosos são os números projetados para a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até 2020. (...)
Primeiro ponto nebuloso: por que se deu início a esse exercício de fixar metas sem antes finalizar o inventário de emissões brasileiras? (...)
[Q]uanto vai custar o esforço total de corte de emissões anunciado pelo governo federal? É a segunda grande questão sem resposta. (...)
Terceiro enigma: Por que a meta do governo paulista, anunciada dias antes, é tão desproporcionalmente mais baixa que a federal? José Serra falou em 24 milhões de toneladas de redução em 2020. Dilma Rousseff, em 1 bilhão. (...)
Por fim, ao inscrever as metas na lei nacional do clima como compromisso voluntário e não obrigatório, estaria Lula querendo dizer que se sente livre para não cumpri-las?
Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).
Escrito por Marcelo Leite às 19h33
As metas do Brasil - um avanço
As metas do Brasil - um avanço
A pedido da redação da Folha, escrevi comentário sobre o relativamente surpreendente anúncio de que o país se compormete a cortar pelo menos 36,1% de suas emissões de gases do efeito estufa até 2020. Eis alguns parágrafos:
Não fosse pela concessão aos ruralistas, o governo Lula terminaria a semana num nirvana ambiental. Primeiro, um recorde -desta vez de baixa- no índice de desmatamento, o menor de todos os tempos. Depois, a adoção da meta audaciosa de corte na emissão de gases do efeito estufa, 36-39%.
As coisas estão ligadas, e não só pelos dividendos de marketing. A três semanas de Copenhague, Lula e Dilma Rousseff tentam aplicar um verniz verde na imagem. Para isso, tiveram de mostrar resultados (desmate) e assumir compromissos (emissões), o que não deixa de ser um avanço. (...)
Parece que enfim começa a vingar no governo aquilo que Marina Silva chamaria de "transversalidade". Em linguagem popular: caiu a ficha de que as questões ambientais não podem mais ser consideradas meras perfumarias, algo a ser tratado por assessores de marketing. Devem integrar o cerne do planejamento, pois já constituem um componente crucial da noção de competitividade. (...)
O sintoma mais forte da transformação é oferecido pelo Ministério da Agricultura. Do conflito quase automático com a pasta do Meio Ambiente, nesse debate parece ter-se dado conta de que o enfrentamento da mudança do clima traz uma chance única de levantar recursos para expandir medidas de racionalização do campo que já ocorrem. Um quarto do potencial de redução de gases do efeito estufa está na agropecuária. (...)
Escrito por Marcelo Leite às 18h20
Metas do clima: Itamaraty é a barreira
Metas do clima: Itamaraty é a barreira
O governo federal já decidiu que é 40% o número da meta - objetivo, compromisso interno, qualquer que seja o nome - de redução de gases do efeito estufa até o ano 2020. Na reunião de sábado, às 10h, o que vai ser decidido é se se anuncia o número ou só as ações elencadas para chegar a ele. Coisas do Itamaraty.
(Aliás, essa é a grande novidade do processo capitaneado por Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente. O número não é um simples chute. Baseia-se em estimativas, por certo, sobre quanto o país emite hoje e quanto estará emitindo em 2020, mas também no potencial de redução de emissões avaliado por especialistas, setor por setor, da energia à agropecuária, dos transportes ao reflorestamento. Não chega perto do orçamento de carbono adotado no Reino Unido, mas fica um pouco menos longe disso.)
Diplomatas têm horror a pronunciamentos e tomadas de posição que comprometam o país com qualquer coisa (parece que essa regra só não vale quando se trata de passar a mão na cabeça de Hugo Chávez). Se o país anuncia a meta numérica, obviamente poderá ser cobrado por ela. Esta é exatamente a ideia.
Os itamaratecas deveriam prestar mais atenção à fonte de boa parte do prestígio internacional de Lula e mesmo do doméstico. Seu governo caiu nas graças dos formadores de opinião, inclusive as Economists e Wall Street Journals da vida, depois que levou a sério compromissos de estabilidade financeira e macroeconômica.
E o que está no cerne dessa política tão ao agrado da metrópole financista? A política de metas da inflação, que vem sendo cumprida à risca pela administração Lula.
O que está em jogo agora é uma política de metas de emissão de carbono. Se enunciada só como promessas de bom comportamento, é para inglês ver. Se vier com números acoplados, é para inglês ver e acreditar. E cobrar, como cobrarão os brasileiros.
Escrito por Marcelo Leite às 17h35
Clima: Serra Seis X Meia-Dúzia Lula
Clima: Serra Seis X Meia-Dúzia Lula

A Folha de hoje traz uma análise minha, feita a pedido, comparando a proposta do governador paulista José Serra para corte nas emissões de gases do efeito estufa (20% sobre o nível de 2005) com a que pode ser adotada pelo presidente Lula depois de amanhã (38% a 42% sobre o que o país estaria emitindo em 2020).
Acho que ninguém vai ler. Primeiro, porque é complicado e até um pouco chato. Segundo, porque está todo mundo querendo saber do novo apagão, se foi obra de hackers etc. Quando passar o zunzunzum, como vai passar o do vestido de Geisy, o clima continuará em pauta. Então, vai aqui um aperitivo do que escrevi:
Caso o objetivo do governador tucano José Serra tenha sido diferenciar-se de Lula em sua política para a mudança do clima, já pode dizer que está para o presidente como Arnold Schwarzenegger para George W. Bush. Repete-se aqui fenômeno já observado nos EUA, onde alguns governadores se adiantaram ao governo central nessa matéria. (...)
Quem só tiver ouvido falar de percentuais de cortes nas emissões de gases do efeito estufa poderá sair com a impressão de que Serra ficou aquém de Lula. O primeiro fala em reduzir 20% desses gases até 2020. O segundo ainda não falou com clareza, mas pode anunciar corte em torno de 40% na sexta-feira. (...)
Não se sabe ao certo quanto o país emitiu em anos recentes. Serra usa o valor de 2 bilhões de toneladas de CO2 emitidas nacionalmente no ano 2005. O dado consta de um estudo realizado na USP de Piracicaba pelo pesquisador Carlos Cerri.
Projeções de um grupo de especialistas conhecido como Rede Clima indicam que o Brasil possa chegar a 2020 emitindo 2,7 bilhões de toneladas de CO2. Adotada a meta superior, de 40%, isso cairia para 1,62 bilhão em uma década. Menos, portanto, que as emissões de 2005 (2 bilhões de toneladas), mas um valor quase idêntico ao que se alcançaria se aplicada a regra de Serra (menos 20%, o mesmo 1,6 bilhão). Empate. (...)
Escrito por Marcelo Leite às 09h48
Fazendeiros defendem Código Florestal
Fazendeiros defendem Código Florestal

Fogo em pilha de madeira no pasto visto da Fazenda Bang Bang, em São José
do Xingu (MT), "um lugar de paz" (Foto: Ayrton Vignola Jr.)
A Folha de hoje traz reportagem sobre carta de proprietários de Mato Grosso, na maioria, que estão fartos do vaivém da bancada ruralista e do governador Blairo Maggi. Abaixo, alguns parágrafos da matéria (leia texto completo aqui, só para assinantes do jornal ou do UOL):
Um grupo de 35 fazendeiros ligados à organização não-governamental Aliança da Terra lançou ontem carta aberta defendendo a manutenção e a consolidação do Código Florestal, com "alguns ajustes". A manifestação evidencia que nem todos os produtores agropecuários do país rezam pela cartilha da bancada ruralista no Congresso Nacional. (...)
Mesmo pecuaristas do porte de Luiz Carlos Nunes Castelo, dono de 13 mil hectares no município de São José do Xingu (nordeste de Mato Grosso), assinaram o documento da Aliança. "O Código Florestal representa uma das mais importantes ferramentas para viabilizar a produção sustentável com responsabilidade socioambiental", defende a carta.
O principal ajuste proposto é incluir áreas de preservação permanente (como beiras de rio e topos de morros) no cálculo da reserva legal. A redução da reserva a 50% na Amazônia ficaria condicionada à previsão do zoneamento econômico-ecológico em cada Estado. (...)
Leia a íntegra da carta aqui.
Escrito por Marcelo Leite às 09h49
O bonde de Copenhague
O bonde de Copenhague

Como o bonde da foto, acordo de Copenhague pode virar peça de museu
Escrevi um texto curto de análise, na Folha de hoje, para comentar o adiamento do anúncio da meta brasileira de corte de emissões de gases do efeito estufa, se é que ainda haverá uma. Leia alguns trechos:
É mais comum o governo Lula perder uma boa oportunidade de calar. Ontem ele deixou passar em branco uma chance de falar -e dizer a que veio, em matéria de aquecimento global e liderança mundial.
O acordo de Copenhague, que deveria ser fechado em dezembro para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, está à beira do abismo. A última rodada de negociação, em Barcelona, vai de mal a pior. (...)
Era o momento adequado para Lula demonstrar a liderança inovadora que lhe atribuem no estrangeiro. Mesmo que não anunciasse os 40% de redução de emissões de gases do efeito estufa almejados por seu ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, qualquer cifra acima dos 20% garantidos pela trajetória atual de redução do desmatamento já ajudaria a aliviar a atmosfera.
A decisão fica adiada até 13 de novembro, quando faltarão 22 dias para Copenhague. O Brasil segue o exemplo dos EUA, que não conseguem fechar uma posição por dificuldades políticas domésticas. A diferença é que lá se trata de uma dissensão no Legislativo, não no Executivo. (...)
O Brasil pode, sim, contribuir para desatar o nó de Copenhague. Só depende de Lula.
Escrito por Marcelo Leite às 09h46
Saudades da mata
Saudades da mata

(...) Pobre de quem nunca caminhou pela mata atlântica nem teve o privilégio de ver um tiê-sangue traçar um risco de fogo no ar, com suas penas. Poderá ter conhecido as sequoias da Califórnia, a Floresta Negra da Alemanha ou até a floresta amazônica, mas seu conceito de floresta sairá empobrecido. Nenhuma floresta deveria morrer, ao menos não de morte matada.
A mata atlântica, contudo, continua correndo risco de vida (alguém precisa preservar esta locução sob ameaça de extinção, sob pressão do predador "risco de morte"). Resta menos de 8% de seu 1,3 milhão de quilômetros quadrados (km2) originais, cerca de um sétimo do território brasileiro atual.
Entre 2005 e 2008, mais mil km2 caíram, uma área equivalente a dois terços do município de São Paulo. O bioma é monitorado há décadas pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica. O resultado pode ser visualizado neste mapa: http://mapas.sosma.org.br. Cuidado para não se deprimir muito.
O mapa mostra certas coisas curiosas. Uma das maiores concentrações de remanescentes de mata atlântica está em São Paulo. Justamente o Estado mais desenvolvido, mais populoso e mais associado com sua destruição, para ceder lugar ao café e depois à cana-de-açúcar.
São 25.359 km2, ou 15% da cobertura original. (...) Ainda dá para matar as saudades -se a mata não morrer antes.
Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo, aqui (só para assinantes).

Aquarela de Daniel William Conrade (Reprodução)
Escrito por Marcelo Leite às 14h36
Minc reforça meio de campo
Minc reforça meio de campo
Escrevi um comentário (aqui, só para assinantes da Folha ou do UOL) sobre o papel do ministro Carlos Minc que foi publicado ontem. Transcrevo os dois primeiros e o último parágrafo:
NUM GOVERNO mais dado às metáforas do futebol que às do basquete, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, exerce as funções de pivô. Nem sempre suas jogadas espalhafatosas pelo centro da quadra resultam em pontos, mas ele ao menos sua o colete na posição de articulador abandonada por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, mais ocupada com seu próprio PAC (programa de avanço da candidatura).
Minc parece ser o único ministro na Esplanada ocupado em fazer o governo sair da defesa e da troca de passes em duas partidas decisivas para o desenvolvimento econômico e a imagem internacional do Brasil: Código Florestal e aquecimento global. Uma depende do resultado da outra. Lula é aguardado como herói em Copenhague, mas sairá de lá vaiado se tropeçar na primeira ou empatar na segunda. (...)
Minc luta às claras por metas ambiciosas. Com isso, faz mais inimigos no governo, do Itamaraty ao Ministério da Ciência e Tecnologia, adeptos da retranca nas negociações internacionais sobre mudança climática. Sem um jogador encrenqueiro como ele no meio de campo, o governo Lula só poderia contar com a repescagem no campeonato mundial do desenvolvimento limpo.
Escrito por Marcelo Leite às 08h32
Rio 2012
Rio 2012

Faltam 42 dias para a conferência de Copenhague, na Dinamarca, e a previsão do clima não é das melhores. Tudo indica que resultará em fracasso. Como em Poznan, Polônia, há um ano. Como em Bali, Indonésia, há dois anos. Como em Kyoto, Japão, há 12 anos. (...)
Países ricos e pobres se engalfinham para empurrar a conta uns aos outros. Partem do princípio de que reduzir emissões prejudica a economia. Estão certos no curto prazo e provavelmente errados no longo, porque nenhuma economia sobrevive sem os insumos que a natureza lhe fornece de graça: chuvas no período certo, rios regulares, insetos polinizadores, vegetais para segurar a erosão etc. (...)
O Protocolo de Kyoto, adotado em 1997, previa uma redução modesta das emissões, e por esforço só de países mais ricos: 5,2% de corte, em média, até 2012, sobre os níveis de 1990. Até 2007, só 3,9% haviam sido obtidos -mesmo assim, porque a economia do Leste Europeu foi para o saco.
Em "kyotês", essas "economias em transição" viram suas emissões recuarem 37% entre 1990 e 2007. O resto avançou 11,2%, mais que o dobro do que deveriam reduzir. Os EUA, que nunca ratificaram Kyoto, progrediram 16,8%. Fizeram bonito só nações europeias como a Alemanha (-21,3%). (...)
Não há nem esboço de acordo, a 42 dias de Copenhague. (...)
Não é por outra razão que alguns militantes ambientalistas já se movimentam para organizar uma nova cúpula do ambiente, como a Eco-92 realizada no Rio. (...) Quem só pensa em Rio 2014 e Rio 2016 deveria começar a batalhar também pelo Rio 2012.
Escrito por Marcelo Leite às 08h52
Mais álcool na fogueira - 2
Mais álcool na fogueira - 2
O engenheiro agrônomo Halan Vieira de Queiroz Tomaz, mestrando em Fitotecnia da ESALQ/USP, discorda de algumas afirmações de outro leitor Marcio Antonio Augelli na nota abaixo e pede espaço para responder. Ei-lo:
Há sim, avião, ônibus, caminhão e trator movidos a etanol! Claro que uns mais avançados e outros não em termos de tecnologia já desenvolvida.
No caso de avião, há bastante tempo que já está consagrado e se produz no Brasil o modelo Ipanema, utilizado em pulverizações de lavouras. O primeiro a álcool foi lançado em 2002, mais informações podem ser obtidas em www.aeroneiva.com.br.
O ônibus movido a etanol está em testes desde 2007, e começou a ser testado pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), sediado na USP. O professor José Roberto Moreira, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP é quem coordena o projeto.
Diversas empresas já iniciaram testes com caminhões movido a etanol, onde prometem lançamentos nos próximos anos.
E em uma feira do setor de máquinas agrícolas, já foi apresentado um protótipo de trator desde o ano passado e que brevemente veremos o lançamento final.
Claro que ainda estamos vendo esses projetos 'engatinharem', mas para um país que é líder em produção de etanol de cana, não podemos ficar atrás em termos de alternativas de uso desse combustível.
Então o que quero deixar claro, é que existem sim máquinas movidas a etanol além de carros (de madames) e motos. Lembrando que, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a cana-de-açúcar (etanol + cogeração) já participa em mais de 25% da matriz energética do país, um dado que não podemos desconsiderar.
E pra finalizar, seguindo o raciocínio do nosso nobre colega, ninguém para ao lado de um poço de petróleo (terrestre) ou embarca em uma plataforma ou ainda ao lado de um gasoduto e abastece o carro com petróleo ou gás natural.
Escrito por Marcelo Leite às 07h33
Mais álcool na fogueira
Mais álcool na fogueira
Recebo do leitor Marcio Antonio Augelli, químico, os comentários abaixo a respeito da coluna "Tiro no próprio álcool", que reproduzo, com sua permissão, como contribuição ao debate:
Você parece ter sido influenciado por opiniões geradas a partir de "pesquisas" desenvolvidas pela Copersucar, as quais induzem ao um incrível erro no balanço energético do álcool como combustível. Veja:
1 - Nenhuma usina permite o acesso livre a dados sobre o uso de energia consumida a partir da rede elétrica de distribuição ou de combustível fóssil, na produção do etanol;
2 - Sequer a quantidade de adubos por hectare você consegue obter de maneira clara;
3 - Portanto, o cálculo da energia envolvida em todo o processo de obtenção no etanol é desconhecido, e pesquisas a respeito são feitas por pesquisadores ligados à própria produção, inclusive para teses de doutorados no exterior a respeito do assunto;
4 - Uma maneira clara indicada por um aluno, em discussão sobre o tema é que ninguém pára ao lado de um canavial e abastece o carro com cana;
5 - Você conhece algum avião, ônibus, caminhão, trator, movidos a etanol? Ora, se são movidos a combustíveis oriundos da destilação fracionada do petróleo, qual é a vantagem em não se usar também a gasolina? Etanol, então, é combustível de carro de madame que faz fila dupla na porta de escola....
Voltando ao tema principal de sua coluna, que é a lista dos carros mais poluidores:
Veja bem: um motor de 1600 cilindradas, AP, da Volksvagen, tem as seguintes taxas de compressão ( segundo o manual de meu veículo):
gasolina: 9.8
álcool: 13.1
flex: 10.2
lembrando que a taxa de compressão exprime a relação entre o volume da câmara de combustão completamente distendida para o volume da mesma completamente comprimida.
Como você pode ver, o motor flex possui taxa de compressão equivalente àquela do motor a gasolina; para você usar o álcool em um motor a combustão, a taxa de compressão deve ser mais elevada, dada as características do combustível, vai daí que usando a taxa de compressão menor a quantidade de etanol a ser injetada tende a ser maior, resultando em maior combustão incompleta e, portanto, em maior poluição e consumo de combustível. Lembrar também que a queima do etanol transfere uma quantidade de energia cerca de 30% menor ( lembra quando aprendeu termoquímica, e calculava entalpia de reação?).
Tudo isso eu estou falando como profissional da área química. Consulte um engenheiro mecânico sem rabo preso com a indústria automobilistica ou com usinas e ele comprovará o que estou afirmando.
Escrito por Marcelo Leite às 15h18
'Bloody Wednesday' em Sydney, Austrália
'Bloody Wednesday' em Sydney, Austrália
A cidade mais importante da Austrália ficou coberta de poeira e banhada numa luz vermelha, hoje, em consequência de uma tempestade de areia vinda do "outback", quer dizer, da área desértica no centro do país, a oeste.
Há vários vídeos no YouTube, como você pode ver aqui. Surgem palavras como "fim do mundo", "Armagedom", o que soa como algum exagero. Parece inevitável, porém, que muitos associem o fenômeno à mudança do clima como efeito do aquecimento global. Se estiver sem tempo, veja só este vídeo:
Escrito por Marcelo Leite às 14h56
Tiro no próprio álcool
Tiro no próprio álcool
À primeira vista, representa um avanço o ranking de carros poluidores apresentado pelo Ibama na semana que passou. Porém, como tudo que vem do governo (qualquer governo), ainda mais quando está envolvido o espetacular ministro Carlos Minc, é bom tirar o pé do acelerador do entusiasmo. Em especial se o seu carro for flex.
O álcool combustível, agora renomeado com a marca globalizada de "etanol", é um trunfo do Brasil. Fruto de um programa nacionalista e intervencionista da ditadura militar, o Proalcool, virou campeão ambiental. Em nenhum outro lugar do mundo se obtém etanol na quantidade e com a produtividade permitida pela cana-de-açúcar por aqui -agora já sem nenhum subsídio estatal.
O álcool pode ser considerado um combustível mais "limpo" porque o carbono que lança na atmosfera, na forma de gás carbônico (CO2), é reutilizado na próxima safra de cana enquanto as plantas crescem. O CO2 é a matéria-prima da fotossíntese. Apenas com ele, água e luz (energia solar), os vegetais produzem a biomassa cuja energia química usufruímos, antes de mais nada como alimento. (...)
A clara vantagem antipoluição do álcool foi de certa forma -uma forma canhestra- reconhecida no trabalho do Ibama, lançado às pressas por Minc. Como não dá para comparar álcool e gasolina nesse quesito, tamanha a desvantagem da segunda, ele foi omitido da "nota verde". A emissão de CO2 está numa pontuação separada, só para veículos a gasolina. (...)
Se o saldo da publicação do ranking for a conclusão, entre consumidores, de que abastecer o carro com álcool polui tanto quanto fazê-lo com gasolina, Minc acaba de dar mais um tiro no próprio pé -o do acelerador.
Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes)
Escrito por Marcelo Leite às 16h58

