Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Ciência e Sociedade

Complexo do Nobel

 
 

Complexo do Nobel

"Chegou a temporada dos prêmios Nobel, e o Brasil se entregou a seu acesso anual de torcer de mãos: por que o país que inventou o samba e a feijoada - e que recentemente decolou da pobreza para tornar-se potência global - não consegue ganhar um dos prêmios venerados?"

O parágrafo acima soa estranho? Substitua agora "Brasil" por "China", além de "samba e feijoada" por "bússola e pólvora". Faz mais sentido?

É a abertura da interessante reportagem de Chichi Zhang, da Associated Press, sobre o inconformismo chinês com a falta de um Nobel autóctone.

Se nem os descobridores da pólvora detêm um Nobel, por que cargas d'água a pátria das chuteiras e do rebolado mereceria o seu? Mais sobre a pergunta que não quer calar abaixo, ou na coluna Ciência em Dia.

Para piorar o complexo de vira-lata, o Nobel de Literatura tinha de sair logo para Mario Vargas Llosa, do vizinho Peru, que agora está na companhia de Argentina, Venezuela e México para nos humilhar.

Escrito por Marcelo Leite às 13h39

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Brasil provinciano e sem Nobel

 
 

Brasil provinciano e sem Nobel

Minha coluna de hoje na Folha.com oferece alguns pitacos sobre razões para explicar a falta de um prêmio Nobel de ciência para o País dos Papagaios. Como aperitivo, aqui vai a conclusão:


Nacionalismo, em ciência, é sinônimo de provincianismo e paroquialismo. Não combina com Nobel.

 

Escrito por Marcelo Leite às 13h59

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Nobel para bebê de proveta

 
 

Nobel para bebê de proveta

É mais do que merecido o Prêmio Nobel em Medicina ou Fisiologia conferido hoje ao médico britânico Robert Edwards, pela criação do primeiro bebê de proveta em 1978. Com algum atraso, mas justo.

Quem já tinha noção de alguma coisa 32 anos atrás se lembrará das intermináveis discussões sobre a legitimidade dessa intervenção tecnológica na esfera da vida, hoje mais conhecida como fertilização in vitro (ou FIV; "bebê de proveta" soa irremediavelmente datado, até porque ninguém sabe mais o que é uma proveta - parente do tubo de ensaio). Em matéria de celeuma, acho que só rivaliza, nas últimas décadas, com o primeiro transplante de coração, pelo sul-africano Christiaan Barnard em 1967, e a clonagem humana, ainda por realizar-se.

Hoje a FIV é um artigo de consumo. Está disponível até em hospitais públicos no Brasil. Ninguém mais considera imoral - com exceção talvez de padres e outros religiosos mais conservadores - retirar os óvulos de uma mulher para reuni-los fora do corpo com espermatozoides, na esperança de gerar uma criança para o casal que a deseja. Virou uma indústria.

Edwards deu a largada nisso. Nem mesmo os transplantes de coração tiveram tanto impacto na vida de tanta gente e na mentalidade de uma época.

Perde para a pílula anticoncepcional, vá lá, mas esta não tem o peso de uma intervenção direta no corpo e na concepção realizada por terceiros (os médicos). A pílula está na farmácia e toma quem quer. A FIV depende de muito mais.

Escrito por Marcelo Leite às 18h24

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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