Luz verde para a ciência

Aequorea victoria, a água-viva a partir da qual se obteve a GFP

Um ponto alto da 59ª Reunião de Prêmios Nobel em Lindau (sul da Alemanha), encerrada no último dia 3, foram as palestras dos ganhadores de Química no ano passado. Não tanto por Osamu Shimomura, e mais por Martin Chalfie e Roger Tsien, que levaram um pouco de cor -em sentido literal e figurado- à audiência de mais de 600 pessoas.

Havia na plateia 580 jovens pesquisadores, convidados para conviver com outros 20 Nobel por uma semana, e bem uns 30 jornalistas. A maioria ficou mesmerizada com Chalfie e Tsien, que transformaram a proteína fluorescente verde (GFP, na abreviação em inglês) numa ferramenta crucial da biotecnologia. (...)

Chalfie e Tsien (...) contaram para os ávidos estudantes e jovens pesquisadores da plateia casos nada edificantes sobre a revista "Science", um dos mais influentes periódicos científicos do mundo. Ambos os artigos sobre a GFP que lhes valeram o Nobel enfrentaram resistência de editores e revisores.

No caso de Chalfie, os editores implicaram com o título e com a cor verde, que não ficaria bem na capa. Queriam mudar ambos, mas Chalfie só aceitou a primeira proposta. A capa ficou linda.

No caso de Tsien, um obstáculo mais sério: o artigo foi rejeitado, a princípio. Entre outras razões, porque um revisor anônimo alegara que a estrutura da variante mais útil de GFP projetada e decifrada pelo grupo nada revelaria sobre a função ecológica da proteína (coisa que ninguém estava procurando).

Circulou pela internet, na mesma época, o rumor de que a revista "Nature Biotechnology", uma concorrente, iria publicar a estrutura da GFP comum. Havia grande expectativa nos comentários. Tsien copiou-os e colou num e-mail para o editor da "Science". Seu artigo foi aceito.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).