Hildebrando intimado pelo Ibama por biopirataria

Leitores assíduos deste blog e do que escrevo na Folha de S.Paulo (leia aqui, se for assinante) sabem de minha implicância com a paranóia da biopirataria, uma lenda amazônica surgida talvez com o contrabando de 70 mil sementes de seringueira no século 19, pelo inglês Henry Wickham, que se espalhou entre ambientalistas, militares e militantes do PCdoB, fincando raízes no Ibama. Pois esse povo agora passou da conta, conforme leio no Jornal da Ciência.

A edição de hoje traz uma carta do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, a seu colega do Meio Ambiente, Carlos Minc, pedindo atenção para uma intimação do Ibama apresentada a Luiz Hildebrando Pereira da Silva e Rodrigo Stabeli, do Instituto de Patologia Tropical de Rondônia (Ipepatro). Ambos foram objeto de uma denúncia anônima de biopirataria, pois estariam coletando animais, vegetais e sangue de populações tradicionais e levando para fora do país.

Em primeiro lugar, duvido. Hildebrando é um pesquisador que já prestou enormes serviços à ciência e ao país. Depois de passar muitos anos no Instituto Pasteur de Paris, onde foi diretor, retornou já aposentado ao Brasil e foi se embrenhar onde raríssimos biólogos do Sul Maravilha pensariam em se estabelecer: Rondônia. Só por isso já mereceria mais consideração.

Leia o que diz Rezende, na carta:


A iniciativa da implantação do Ipepatro foi liderada e conduzida pelo Dr. Luiz Hildebrando Pereira da Silva, um dos mais importantes pesquisadores do país, e que na semana passada recebeu o título de Professor Emérito da Universidade de São Paulo, onde iniciou sua carreira acadêmica.


Sergio Mascarenhas, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), enviou artigo enfurecido ao Jornal da Ciência. Pergunta: "Darwin se julgado por estes ignorantes quando visitou o Brasil seria preso e encarcerado pelo Ibama?"

Com a palavra, o ministro Minc.