Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Ciência e Sociedade

Decisão do Supremo já chega caduca

Decisão do Supremo já chega caduca

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da já ultra-restritiva Lei de Biossegurança, no que toca à pesquisa com embriões, chega com atraso. Parece que está no DNA do debate público nacional: começa tarde, demora mais do que deveria - basta acompanhar os intermináveis votos no STF - e, quando, termina, está superado pelos fatos.

A própria Lei nº 11.105/ 2005 demorou. Vinha modificar a anterior (8.974/ 1995), que caducou rápido por proibir qualquer pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, ao vedar "produção, armazenamento ou manipulação de embriões destinados a servir como material biológico disponível".

Algo de similar ocorre com o artigo 5º da Lei de Biossegurança, agora referendado pelo STF. Ele se limita a autorizar o uso dos raros embriões que satisfaçam uma de duas condições - ser inviável ou estar congelado há mais de três anos. Isso já atrapalha a pesquisa, diante das leis de países mais avançados.

Leia o restante do comentário na Folha (só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 16h33

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Muito barulho por nada no Supremo

Muito barulho por nada no Supremo

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfim conseguiu decidir alguma coisa sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Permitiu o que a lei 11.105 já permitia e era muito pouco, quase nada. E ainda levou mais de três anos para decidir o óbvio.

Pior, durante dois dias inteiros tivemos de agüentar uma xaropada interminável, votos que se arrastavam na companhia de profusas citações de Aristóteles e Santo Tomás, explicações mais capengas que as nossas (de jornalistas) para conceitos biológicos, excursos sobre a polissemia do termo "embrião", apologias mornas do progresso da ciência e da relevância ética da religião...

Realmente, democracia é osso duro de roer. Quer um exemplo? O lamentável debate sobre nada, ou menos que nada, que acaba de ser protagonizado pelos ministros Cézar Peluso e Celso de Mello. Já havia seis votos pela improcedência da ação direta de inconstitucionalidade 3.510, como disse Celso de Mello, mas Peluso resolveu chiar porque seu voto não foi incluído na soma. Ora, não tinha a menor importância material para o resultado - seis votos já constituíam maioria. E ficaram lá os dois ilustres causídicos, eminentes juristas, egrégios ministros etc. debatendo o significado do verbo "declarar"... Façam o favor.

Vai ser preciso esperar ainda muitas gerações para que nós, brasileiros, aprendamos que ela funciona melhor quando os discursos vão direto ao ponto. Se quiserem de fato melhorar a eficiência da Justiça nacional, deveriam começar por aí: com cursos de objetividade e síntese para juízes. Ganharíamos um tempo enorme.

Escrito por Marcelo Leite às 18h13

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Nanotubos, amianto e câncer

Nanotubos, amianto e câncer

Leia abaixo trechos da coluna Ciência em Dia publicada na Folha de S.Paulo de domingo passado, 25 de maio:


Há vários tipos de nanotubo. Um dos mais usados tem várias camadas concêntricas (tubos dentro de tubos) e é longo. Em inglês, recebeu como apelido a sigla MWNT (de "multiwalled nanotubes").

Não é de hoje que se investiga a hipótese de que nanomateriais causem dano à saúde. Por conterem partículas diminutas, são mais facilmente assimiláveis por estruturas como células. Para o bem (se forem remédios) ou para o mal (se forem tóxicas).

As fibras de MWNT se assemelham às de amianto, material mineral da natureza vinculado a um tipo de câncer (mesotelioma) no pulmão. Células de defesa do corpo, como os macrófagos, não conseguem tirar da superfície interna do órgão todas as minúsculas fibras de amianto aspiradas. Segue-se eventualmente uma reação inflamatória, que pode dar origem ao tumor.

Dada a semelhança entre fibras de MWNT e de amianto, pesquisadores dos EUA e do Reino Unido decidiram investigá-las. Liderados por Kenneth Donaldson, da Universidade de Edimburgo (Escócia), injetaram fibras longas e curtas tanto de amianto quanto de MWNT na cavidade abdominal de camundongos, que tem uma camada de revestimento (mesotélio) similar à do pulmão.

O trabalho saiu nesta semana na edição online do periódico especializado Nature Nanotechnology. Constatou-se que os nanotubos longos, assim como as fibras idem de amianto, desencadeiam a reação inflamatória precursora do mesotelioma. Não ficou provado, portanto, que MWNTs causem câncer, mas o resultado recomenda com ênfase que se façam mais pesquisas para avaliar melhor esse risco.


A íntegra da coluna pode ser lida por assinantes da Folha e do UOL aqui.

P.S.: Devo uma explicação aos leitores que se acostumaram a ler aqui a íntegra de minhas colunas. A reprodução das colunas no blog estava autorizada pelo jornal desde 20 de janeiro de 2005, quando o blog era hospedado no UOL. Com a transferência para a Folha Online, no entanto, essa autorização foi suspensa, para adequação às normas de relacionamento entre a redação da edição impressa e a redação online. Considero inócuo e fadado à extinção esse tipo de restrição de acesso a conteúdo, mas acato a nova regra.

Escrito por Marcelo Leite às 21h14

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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