Novas aventuras de Venter

A bactéria "sintética" Mycoplasma mycoides, variante JCVI-syn1.0

(Divulgação - Science/AAAS)

Foi manchete da Folha de sexta-feira passada, e eu arrisquei um comentário interpretativo a respeito, do qual reproduzo um trecho relevante:


Está longe o tempo -se é que algum dia virá- em que a biologia será capaz de sintetizar células cardíacas para remendar corações infartados, por exemplo. O genoma humano é milhares de vezes maior que a bactéria inventada por Venter. Nossos 46 cromossomos são estruturas complexas, cuja estrutura contribui para definir quais genes serão ou não lidos pela célula, e quando.
Apesar da retórica, Venter é honesto a respeito. Quando fala de aplicações, restringe-se a conceitos menos grandiloquentes e mais rentáveis, no médio prazo: bactérias capazes de produzir hidrogênio a partir de água, assim como leveduras produzem álcool a partir de açúcares. Os biocombustíveis brasileiros que se cuidem.
Problema: bactérias também se destacam na produção de toxinas poderosas, como as do antraz e do botulismo. São os cavalos de batalha da guerra biológica. Genomas sintéticos soam como armas de sonho, se o seu custo vier a cair tão rápido quanto o de outras ferramentas biotecnológicas.


No mais, peço desculpas ao leitor do blog pela ausência da semana, que foi, digamos, de luto. Mas quarta-feira (dia 26) devo estrear na Folha.com o avatar da saudosa coluna Ciência em Dia. Avisarei aqui neste espaço.