Células que levitam

O futuro da biotecnologia aplicada ao campo da saúde humana pode estar num coquetel bizarro de vírus assassinos de bactérias com nanopartículas de ouro e óxido de ferro magnetizado. (...)

A mistura assume a forma de um hidrogel, usado para cultivar células em espaço tridimensional. Campos magnéticos permitem fazer as células "levitarem" nesse meio de cultura de alta tecnologia -invento com a participação de brasileiros- e até controlar a forma do aglomerado celular. (...)

 

O primeiro autor da façanha, que ainda se encontra na fase que os pesquisadores chamam de prova de princípio, é o brasileiro Glauco Ranna Souza, 39. Souza cursou só até o ensino médio em Brasília, depois fez toda a formação acadêmica e a carreira científica nos Estados Unidos.

Ele desenvolveu a tecnologia -publicada eletronicamente pelo periódico "Nature Nanotechnology" há exatamente uma semana- no Centro de Câncer M.D. Anderson da Universidade do Texas, em colaboração com Tom Killian e Rob Raphael, da Universidade Rice, também no Texas. (...)

As nanopartículas de ferro entram no coquetel para garantir a manipulação magnética do corpúsculo em crescimento. Num futuro distante, a técnica pode levar à construção de órgãos artificiais. No presente, Souza está de olho no milionário mercado de testes de toxicidade de novas drogas em tecidos humanos, exigência crucial para aprovar seu uso comercial.

O artigo na "Nature Nanotechnology" descreve o cultivo em levitação de células tumorais, que assumem formas globulares diversas sob manipulação do campo magnético. Na empresa Nano3D, Souza já trabalha com células saudáveis de pulmão.

"Por que pulmão?" -pergunta, retoricamente. "Porque podemos trazer as células para a interface ar-líquido [do meio de cultura], o que é um desafio para o teste "in vitro" de agentes [químicos] no meio aéreo." Ou seja, condições mais realistas para reproduzir o funcionamento do órgão. (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes do jornal e do UOL).