Prometer, prometer, até...

Como autor de um livro intitulado Promessas do Genoma (Editora da Unesp, 2007), tenho a satisfação de recomendar a leitura do ensaio "Promessas, promessas", de Stuart Blackman, na revista The Scientist.

Traduzo, como aperitivo, um pequeno trecho:


Nos seus momentos mais entusiasmados, a ciência sempre esteve inclinada a prometer mais, e mais cedo, do que conseguiu entregar. Por vezes dá a sensação de que as curas para as doenças estão sempre dez anos à frente, enquanto a fusão nuclear parece já há meio século a 50 anos de se tornar uma realidade prática. Pode ser fácil olhar para trás e rir da alegação de que a eugenia traria o fim não só da doenças hereditárias, mas também de problemas sociais como vadiagem e crimes, mas a alegação de um editorial do periódico científico Science de 1989 [D.E. Koshland, Jr., “Sequences and Consequences of the Human Genome,” Science, 246(4927)], na rampa de lançamento do Projeto Genoma Humano, de que a nova genética poderia ajudar a reduzir o problema dos sem-teto dando conta da doença mental, se mostra talvez recente o bastante para fazer os artelhos dos biólogos se curvarem de constrangimento.