O mistério das células-tronco da Geron

Começa a desfazer-se o mistério em torno do adiamento do teste clínico em seres humanos de células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) da Geron contra traumas da medula espinhal. A razão do adiamento pela FDA (agência de alimentos e fármacos dos EUA) seria o surgimento de cistos microscópicos em animais submetidos à terapia experimental que poderia reverter o confinamento de muitas pessoas a cadeiras de rodas, segundo a expectativa geral.

Stevens Rehen, da UFRJ, foi quem avisou o blog da novidade, encaminhando link de reportagem da Associated Press na Forbes.

Segundo comunicado da empresa Geron veiculado ontem (27/8), cistos microscópicos se desenvolveram no local tratado em quantidade muito baixa de animais que participaram dos testes. "Os cistos eram não-proliferantes, confinados ao local do ferimento e não tiveram efeitos adversos sobre os animais. Nenhum animal desenvolveu teratomas ou qualquer outra estrutura ectópica. Cistos de tamanho muito maior aparecem no tecido cicatrizante da medula espinhal em até 50% dos pacientes com trauma de medula", afirma o comunicado.

Teratomas são tumores que podem ser induzidos por células-tronco embrionárias. Em realidade, são uma forma de testar a pluripotência de uma linhagem de supostas CTEHs, vale dizer, sua capacidade de transformar-se em outras células. Queremos que elas se transformem em neurônios ou outras células que ajudem na recuperação dos nervos danificados, mas não queremos que se reproduzam descontroladamente e deem origem a tumores.

A Geron afirma que o ocorrido faz parte do curso normal do desenvolvimento e aperfeiçoamento de um produto. É esperar e ver se a FDA concorda.