Belo Monte de objeções

 

Representantes de uma grande coalizão de opositores da usina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu (símbolo maior da generosa tradição de política indigenista iniciada por Rondon), entregaram no Palácio do Planalto uma carta com 12 páginas de argumentos contra a barragem. Entregaram também uma petição contrária a ela com 604 mil assinaturas.

Não conclua já que o documento traz um amontoado de palavras de ordem ambientalistas, antropológicas e bom-mocistas. Há disso lá, mas há também argumentos racionais, técnicos e econômicos – além de valores, claro, que também é preciso debater serenamente. Cito:


Garantir a adoção de uma perspectiva ampla de planejamento da matriz elétrica, implantando metodologias de avaliação de impactos que captem e internalizem os custos socioambientais hoje externalizados, com parâmetros de análise do custo-benefício social, econômica e ambiental que permitam a identificação de alternativas com maior benefício social e econômico e menor custo social e ambiental. Assim, as orientações estratégicas de uma política energética brasileira no século 21 devem incluir, entre outras:

a) prioridade para maximizar a eficiência energética nos sistemas de geração (inclusive no aumento da potência de hidrelétricas existentes), transmissão e consumo (industrial, comercial, residencial); Vale lembrar que só o desperdício de energia nos sistemas de transmissão no Brasil, de cerca de 20 gigawatts, é equivalente a cinco usinas de Belo Monte!

b) apoio ao desenvolvimento tecnológico e ampliação de escala de fontes alternativas renováveis: solar, eólica e biomassa;

c) garantia do pleno respeito dos direitos humanos, inclusive os direitos de povos indígenas e outras populações tradicionais a seus territórios, e o reconhecimento da dinâmica dos sistemas ecológicos, no planejamento dos empreendimentos;

d) plena articulação da política energética, inclusive o Plano Nacional de Energia (PNE) com outras políticas públicas estratégicas, referentes à gestão de bacias hidrográficas, áreas protegidas, desenvolvimento territorial, conservação da biodiversidade, mudanças climáticas e direitos das populações tradicionais.