Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Ameaça a ianomâmis da Venezuela

 
 

Ameaça a ianomâmis da Venezuela

Fila de ianomâmis na assembleia da Hutukara

Foto: Marcelo Leite/Folhapress

A Folha de hoje destaca reportagem sobre mortes misteriosas de índios ianomâmis na região de Maiyotheri, na Venezuela. Começa assim:


Autoridades de saúde da Venezuela têm conhecimento desde 31 de julho de um surto de malária e talvez outras doenças entre índios ianomâmis nas aldeias Maiyotheri, Awakau e Pooshitheri, no município de Alto Orinoco (sul do país). Pelo menos 17 índios morreram.
A Folha apurou com agentes sanitários que podem ter sido mais de 50 vítimas.

Qualquer que seja o número exato, trata-se de 10% a 25% da população local. As causas ainda são incertas, mas entre elas está a precariedade do atendimento à saúde.

A denúncia foi apresentada por ianomâmis venezuelanos na Quarta Assembleia Geral da Hutukara Associação Yanomami, realizada em território brasileiro, na antiga aldeia Toototobi (AM), 340 km a oeste de Boa Vista (RR). Hoje, lá funciona um posto de saúde dentro da Terra Indígena Yanomami.

O encontro, encerrado no último domingo, durou uma semana. Reuniu por volta de 600 indígenas de várias aldeias, a maioria do Brasil.Só em 13 de outubro a primeira equipe venezuelana de saúde chegou às áreas afetadas, após três dias de caminhada. Voltaram com o relato de 51 mortos, mas houve outras duas mortes depois. (…)


Leia também o que dizem autoridades venezuelanas, aqui.

Escrito por Marcelo Leite às 09h07

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Teoria dos refúgios ao relento

 
 

Teoria dos refúgios ao relento

Cinco anos atrás, editei dois números da revista acadêmica Ciência&Ambiente dedidados à Amazônia. O primeiro deles (nº 31, jul/dez.2005) trazia um artigo de José Maria Cardoso da Silva, "Áreas de endemismo na Amazônia", que punha em dúvida a chamada Teoria dos Refúgios, associada com os nomes de dois gigantes da ciência nacional, Paulo Vanzolini e Aziz Ab'Sáber.

Trata-se de uma explicação engenhosa para a enorme quantidade de espécies existentes na floresta amazônica, a mais biodiversa do planeta. Ao longo dos últimos 2 milhões de anos (Quaternário), o clima da região mudou várias vezes. Com fases mais secas, a floresta teria sobrevivido apenas em ilhas ("refúgios"), nas quais as espécies passariam a evoluir isoladamente. Com uma nova fase mais úmida, a floresta teria voltado a crescer, mas as subpopulações das espécies originais já estariam diferentes demais para se reproduzir umas com as outras, tornando-se espécies distintas.

Na realidade, a teoria já se encontrava sob ataque pelo menos desde 2001, quando o pesquisador Paul Colinvaux publicou um artigo propondo que o paradigma fosse abandonado. A reverência diante das figuras de Vanzolini e Ab'Sáber, contudo, contribuiu para prolongar a vida útil da explicação no Brasil.

O zoólogo e o geógrafo sem dúvida contribuíram para desenvolver e firmar a teoria dos refúgios, mas não foram os primeiros a formulá-la. A primazia cabe a Jürgen Haffer, que apresentou a explicação em artigo de 1969 para o periódico Science.

Um novo golpe contra a teoria dos refúgios aparece amanhã, 41 anos depois, na mesma Science. O questionamento parte desta vez de uma mulher, Carina Hoorn, da Universidade de Amsterdã. Em colaboração com outros 17 pesquisadores, ela defende que a megadiversidade amazônica tem raízes muito mais antigas e complexas do que as flutuações climáticas do Quaternário. A especiação furiosa teria começado mais de 10 milhões de anos atrás, após a formação do rio Amazonas e o levantamento dos Andes.

Vanzolini, na ciência e na música, e Ab'Sáber, na geografia e na política, são grandes o bastante para não ter sua reputação arranhada pelo abandono progressivo dos refúgios. Como todos os praticantes e admiradores da ciência, saberão apreciar mais esse passo na marcha interminável do conhecimento objetivo.

Escrito por Marcelo Leite às 19h17

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Expedicionário

 
 

Expedicionário

Verifico que minha reportagem para a revista Piauí sobre a ONG "Expedicionários da Saúde" já está disponível, na íntegra, no site da publicação. Tempos atrás avisei aqui da edição do texto, mas faltava dar acesso pleno a ele.

Escrito por Marcelo Leite às 14h51

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Direto de Toototobi

 
 

Direto de Toototobi

 

Este blog sumiu por conta de uma viagem a Toototobi (tônica no “i”), antiga aldeia ianomâmi no Estado do Amazonas, mas que se alcança por Boa Vista (RR). Você pode ler algo sobre a visita na coluna de hoje na Folha.com, “Uma pajelança para Claudia Andujar”. Mais relatos virão.

Enquanto estava dormindo em rede e tomando banho de rio, sem internet nem celular, saiu reportagem sobre as agruras de pesquisadores de ciências naturais. Foi no caderno Ilustríssima de domingo, sob o título “Burocracia in vitro”. Começa assim:


JULIANA CANSOU-SE de esperar. Nasceu no último dia 8, antes que a mãe, Renata de Moraes Maciel, conseguisse concluir o artigo que poderá turbinar sua carreira e a de Bruna da Silveira Paulsen.

Elas estão no encalço de uma explicação celular para a esquizofrenia. Têm de se debater, porém, com as agruras habituais do pesquisador brasileiro, burocracia de importação acima de tudo.

Até uma implosão conspira contra seu grupo de pesquisa. A ala sul do Hospital Universitário da UFRJ, um esqueleto na ilha do Fundão, irá abaixo às 8h de 19 de dezembro com uma nuvem de poeira e vibrações cujo efeito sobre microscópios de precisão e amostras biológicas é imprevisível.

Maciel e Paulsen são cientistas do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance), respectivamente pós-doutoranda e mestranda. Estão na vanguarda dessa área de investigação no Brasil, a ponto de comprovar alterações reveladoras sobre neurônios (células nervosas) de pacientes esquizofrênicos. Arriscam-se, contudo, a perder a corrida para o Instituto Salk, da Califórnia.

(...)

 

Escrito por Marcelo Leite às 12h03

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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