Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Evolução no Twitter

 
 

Evolução no Twitter

Li no blog Naturally Selected de uma competição iniciada por outro blog, Genegeek, para ver quem dá a melhor definição de evolução em 140 caracteres.

Votei nesta:

Mudanças aleatórias; às vezes boas, em geral não. Mudanças boas = mais prole = prole maior herda mudanças boas. Tempo + mudanças boas = evolução.
Random changes; sometimes lucky, usually not. Lucky changes = more offspring = more offspring inherit lucky changes. Time + lucky changes = evolution.

Depois vi que minha candidata está na frente, com 41% dos votos. Mas bem que fiquei tentado a sufragar esta:

0 0 0~ 0~ 0~ 0~ 0~~ 0~~ 0~~~ 0~~~ 0~~~ 0~~~ O~~~ O~~~~ (O~~~~ (O~~~~ (O)~~~~ (Ö)~~~~ <(Ö)~~~~

Aproveite também para dar uma olhada no informativo texto "Por que confir em repórteres" (aqui, em inglês), na revista The Scientist.

Escrito por Marcelo Leite às 16h57

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A virada de Lomborg

 
 

A virada de Lomborg

"Líder dos céticos do clima muda de ideia", noticiou ontem a Folha. Bjorn Lomborg, autor do best seller O Ambientalista Cético, agora se alista entre os que acham que o aquecimento global causado pelo homem ("antropogênico", no jargão do setor) precisa ser combatido.

Só que Lomborg não dá ponto sem nó. Se para vender um novo livro ele precisar dar a impressão de que virou casaca, ele o fará, ainda que negando que o tenha feito. Em lugar de Soluções Espertas para a Mudança do Clima: Comparando Custos e Benefícios, a coletânea que ele organizou poderia chamar-se "O Ambientalista Midiático".

Na realidade, Lomborg não mudou de posição. Seu negócio continua sendo alvejar o processo de negociação internacional que levou ao Protocolo de Kyoto. Primeiro, semeou um monte de dúvidas sobre a gravidade do aquecimento global antropogênico. Depois, defendeu que havia coisas mais urgentes e fáceis de resolver no mundo, como Aids. Agora, duvida que cortar emissões de carbono seja a melhor opção para combater o problema.

Ganha um barrilzinho de petróleo igual ao que Lula reebeu da Petrobras quem adivinhar quais setores da indústria se beneficiam com as propostas "espertas" do Consenso de Copenhague. Mas é justo conhecer e debater os argumentos desse povo amigo de Lomborg no novo livro, entre autores e revisores do Painel de Especialistas que leu e criticou os artigos originais. Afinal, eles podem estar certos, e Kyoto até aqui se mostrou de fato um caminho problemático.

Para dar uma ideia do conteúdo do livro, eis aqui alguns parágrafos seletos traduzidos da introdução e das conclusões disponíveis na página da Amazom.com:


  • Como escrevi em O Ambientalista Cético (2001), o aquecimento global causado pelo homem existe. Ainda há trabalhos significativos e importantes em curso sobre a gama de resultados que devemos esperar, mas é vital enfatizar o consenso sobre as questões científicas mais importantes. Há muito deixamos para trás discordâncias predominantes sobre a ciência da mudança do clima. O debate crucial e relevante, hoje, se dá sobre o que fazer a respeito da mudança do clima - a economia de nossa resposta.
  • Seria moralmente indefensável despender enormes quantidades de dinheiro para obter pequeno efeito sobre o aquecimento global de longo prazo e o bem-estar humano, se pudermos alcançar muito mais impacto sobre o clima -- e deixar as gerações futuras em situação melhor -- com um investimento menor em soluções mais espertas.
  • A mudança do clima é indubitavelmente uma das preocupações principais que o mundo enfrenta hoje. Atraiu a atenção de altos escalões da política e repetidos esforços para formar um consenso global sobre cortes de carbono. Mas muitas questões permaneceram desconsideradas e sem resposta. Deveriam os políticos prosseguir com planos para fazer promessas de cortes de carbono que, baseadas em experiência anterior, são de cumprimento improvável? O que se poderia alcançar plantando mais árvores, cortando metano (CH4) ou reduzindo as emissões de fuligem? É sensato pôr o foco em uma solução tecnológica para o aquecimento? Ou devemos manter o foco na adaptação a um mundo mais quente?
  • O mais importante: a pesquisa aqui reunida e apresentada responde a questão fundamental que com frequência desconsideramos -- não SE deveríamos fazer algo a respeito do aquecimento global, mas sim QUAL A MELHOR MANEIRA de proceder. O ponto de partida para cada capítulo é que o aquecimento global representa um desafio que a humanidade precisa enfrentar.
  • Pergunta para o Painel de Especialistas, com cinco membros (três ganhadores de Nobel):
    Se a comunidade global quiser gastar até, digamos, 250 bilhões de dólares por ano ao longo dos próximos dez anos para diminuir os efeitos adversos das mudanças do clima e maximizar o bem para o mundo, quais soluções gerariam os maiores benefícios líquidos?
  • É claro que, onde for possível fazer reduções relativamente baratas nas emissões de carbono por meio de uso mais eficiente de energia, se trata de algo perfeitamente racional. No entanto, Tol mostrou de forma contundente no capítulo 2 que mesmo um imposto de carbono global altamente eficiente, voltado para o cumprimento da meta ambiciosa de manter o aumento de temperatura abaixo de 2°C, reduziria o PIB mundial anual de maneira impressionante -- cerca de 12,9%, ou 40 trilhões de dólares, em 2100. O custo total seria cerca de 50 vezes o do dano evitado ao clima. E, se os políticos escolherem políticas de cotas e comercialização (cap-and-trade) menos eficientes e coordenadas, o custo pode disparar para 10 a 100 vezes adicionais.
  • Impor um preço no carbono poderia e deveria exercer um papel de âncora - poderia ser usado para financiar P&D e emitir um sinal de preço que induza a mobilização de alternativas tecnológicas eficientes e econômicas. Investir 100 bilhões de dólares anualmente significaria que podemos resolver a essência do problema da mudança do clima ao final deste século.
  • É uma lástima que tantos formuladores de políticas e militantes tenham se fixado no corte de carbono de curto prazo como resposta principal ao aquecimento global. É penoso ler a pesquisa neste volume e perceber que existem alternativas adequadas e eficientes. O próximo passo deve ser assegurar que respostas espertas e sensatas ao aquecimento global recebam mais atenção.
  • Se os líderes do mundo não mudarem de curso, eles estarão nos causando -- e a futuras gerações -- um gigantesco desserviço. Farão muito menos bem por um custo muito mais alto. Se nos preocupamos com o ambiente e em dotar este planeta e seus habitantes com o melhor futuro possível, na realidade temos uma única opção: todos precisamos começar a priorizar seriamente, desde já, as maneiras mais eficazes de resolver o aquecimento global.

Escrito por Marcelo Leite às 09h31

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IPCC: Fora Pachauri

 
 

IPCC: Fora Pachauri

O relatório do Conselho Inter-Academias sobre os procedimentos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), divulgado anteontem (30/8), pode ser interpretado de mais de uma maneira. Nenhuma delas permite concluir que o trabalho do órgão seja um "caos", como alguns relatos buscaram caracterizá-lo. (...)

O documento das academias parece brando com o IPCC, mas não é. No fundo --ou melhor, nas entrelinhas-- podem-se entrever alguns recados não verbalizados. O mais importante é que o indiano Rajendra Pachauri deveria deixar a presidência do painel. (...)

Em meio a uma guerra de comunicação sobre um erro crasso no Quarto Relatório de Avaliação (AR4, de 2007), Pachauri comportou-se com arrogância, pondo em risco a credibilidade amealhada pelo IPCC ao longo de duas décadas. Tratava-se da previsão do AR4 de que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035, uma bobagem isolada e irrelevante para abalar a conclusão de que o aquecimento global é inequívoco e parte dele é provocado pelo homem ("antropogênico", no jargão da mudança do clima).

O indiano demorou a responder e não reconheceu de imediato o erro, nem se desculpou logo por ele. Agora tem de aturar a dissecação do episódio pelo comitê. Dois de 12 revisores do trecho haviam apontado inconsistências e falhas de referência (a fonte era uma relatório da ONG ambiental WWF, e não um trabalho científico convencional), mas foram ignorados por autores e editores do relatório. (...)

Diante dessas e de outras cincadas, conclui-se que a proposta do comitê auditor de criar um comitê executivo e o cargo de diretor executivo, abaixo do presidente do painel, todos com mandatos vinculados ao período de produção de um novo relatório (6 anos), constitui uma indireta para Pachauri pegar o boné. Ele comanda o IPCC desde 2002 e tem mandato até que saia o quinto relatório, em 2013 ou 2014. Nega que vá renunciar, mas isso pode ocorrer na próxima reunião dos representantes dos 194 países do painel, em outubro. (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha.com.

Escrito por Marcelo Leite às 16h44

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Aos homeopatas, com paixão

 
 

Aos homeopatas, com paixão

Mae-Wan Ho, notória adversária dos organismos transgênicos, entrou na briga da homeopatia, mas a favor. Num artigo no site do Institute of Science in Society, defende dois controversos trabalhos do codescobridor do HIV e Nobel de Medicina Luc Montagnier (leia mais aqui, se for assinante da Folha ou do UOL), que aparentam dar apoio à tese da memória da água. Leia e forme a sua própria opinião.

Escrito por Marcelo Leite às 14h11

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Paixões pela homeopatia

 
 

Paixões pela homeopatia

O caderno Ilustríssima, da Folha, publicou domingo (29/8) reportagem minha com Cláudia Collucci que apresenta, em duas páginas, dois séculos de controvérsia sobre a homeopatia. Já era hora de ela firmar-se, não? Ocorre que os adeptos da terapia da água memoriosa não são muito dados a conversar civilizadamente com quem não partilha de suas crenças, como se poderá perceber por algumas cartas reproduzidas mais abaixo.

(Também é verdade que seus adversários não se pautam exatamente pelo respeito, como se percebe pelo pôster acima, criado por um tal de Instituto Americano para a Destruição da Ciência da Fadinha do Dente. Não me alistaria numa cruzada contra a homeopatia, mas pelo menos alguns de seus críticos têm senso de humor.)

Antes, porém, reproduzo os parágrafos iniciais da reportagem e peço ao leitor (se for assinante do UOL ou da Folha) que, antes de julgá-la, leia de ponta a ponta e julgue se foi assim tão preconceituosa quanto afirmam seus detratores.


A DOUTRINA MÉDICA da homeopatia defende, como sugerem as raízes gregas do nome, que a semelhança ("homeo") entre efeitos ("pathos") de uma doença e os de uma droga bastam para elegê-la como medicamento. Se ingerir chumbo paralisa os músculos e pode levar à morte, também poderia ser um tratamento de paralisias similares. Tido como uma lei da natureza há mais de 200 anos, o princípio se encontra sob fogo cerrado da medicina convencional.

A diferença entre veneno e remédio, para homeopatas, está na dose. Em quantidades mínimas, não só o efeito desaparece como troca de sinal, por assim dizer: diluída, a substância se tornaria capaz de despertar uma ação regeneradora do organismo. Quanto maior a diluição, mais potente seria o medicamento homeopático.

DEBATE APAIXONADO O princípio da semelhança já é difícil de aceitar para a ciência experimental, núcleo da medicina baseada em evidências, que almeja proscrever a homeopatia. Somado ao da diluição radical, que resulta em remédios compostos só de água, configura-se como charlatanismo aos olhos do pesquisador tradicional. No Reino Unido, o debate apaixonado chegou a ponto de questionar se o governo deve continuar pagando tratamentos e pesquisas sem base científica.

Rubens Dolce Filho, presidente da Associação Paulista de Homeopatia e professor na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), exerce tanto a alopatia como a homeopatia e não vê incompatibilidade. "Se a homeopatia fosse uma porcaria, já teria acabado 200 anos atrás. Eu não sou louco." Para ele, a homeopatia tem suas limitações, mas não é uma fraude.

"A homeopatia está entre os piores exemplos de medicina baseada na fé", contestam Michael Baum e Edzard Ernst na edição de novembro do periódico "The American Journal of Medicine". Médico e pesquisador alemão, Ernst trabalhou com homeopatia em Viena; hoje professor de medicina complementar na Universidade de Exeter e Plymouth (Reino Unido), tornou-se um de seus mais ácidos críticos.

"Esses axiomas não estão só em desalinho com fatos científicos, mas também em direta oposição a eles", diz o artigo. "Devemos manter a mente aberta para astrologia, motos-perpétuos, alquimia, abdução por aliens e visões de Elvis Presley? Não, e temos a satisfação de admitir que nossas mentes se fecharam para a homeopatia da mesma maneira."


De: hyltonluz
Enviada em: segunda-feira, 30 de agosto de 2010 15:18
Para: leitor@uol.com.br
Assunto:

Prezados Editores,

Lamentamos que este jornal venha se pautando pelo posicionamento tedencioso na produção das matérias acerca da Homeopatia. Na matéria rescém publicada, mesmo que não houvesse o explícito sarcasmo ao redigir afirmativas e recorrente dubiedade pejorativa, falseia os fatos ao afirmar que o governo inglês estuda retirar o acesso à Homeopatia, quando em 26/07  corrente, foi publicada uma nota oficial do Serviço Nacional de Saúde, afirmando exatamente que a Homeopatia é reconhecida pelo governo inglês.

Esta maneira facciosa de comportar-se com respeito a homeopatia declara a inexistência do compromisso com a isenção e com a busca dos fatos, elementos que maculam a imagem histórica deste jornal e a noção de respeito aos seus leitores.

Hylton Sarcinelli Luz
Médico Homeopata
CREMERJ 52-31232-4
Homeopatia Direito de Todos
    Ação Pelo Semelhante
    www.semelhante.org.br
    www.ecomedicina.com.br


De: Ruy Madsen
Enviada em: domingo, 29 de agosto de 2010 11:39
Para: leitor@uol.com.br
Assunto: Homeopatia

O artigo "A medicina das paixões" sobre a Homeopatia (Ilustríssima) vem confirmar a máxima de Nietzsche: Reduzir o desconhecido a algo conhecido tranquiliza e dá sentimento de poder. Para uma ciência reducionista o caráter "improvável" da Homeopatia é altamente perigoso, então qualquer explicação se torna preferível à falta de explicação. O texto ironiza, divaga e, ao invés de encarar a "esfínge" e traduzi-la para o leitor, esforça-se para reduzir o "implausível" ao efeito da boa relação homeopata-paciente. Assim, o artigo apenas mantém a tradição da falta de originalidade das críticas à Homeopatia.
 
Ruy Madsen - médico
Campinas - SP
RG 34921634-4
PS: tenho 29 anos de idade, me formei em medicina e me especializei em Pediatria e em Homeopatia, tenho visto crianças serem curadas de doenças crônicas após  2 gotas do medicamento homeopático único e individualizado segundo a episteme da homeopatia clássica (não cabe aqui apenas a explicação simplista do efeito 'rapport'); isso sem falar da homeopatia veterinária.


Carta publicada hoje no Painel do Leitor da Folha, com resposta:

Após a publicação do artigo "Homeopatia e preconceito" ("Tendências/Debates", 27/7), fui procurado pelo jornalista Marcelo Leite, que se disse interessado em "esclarecer o público" sobre as evidências científicas citadas no texto. Após três horas de conversa, em que procurei esclarecê-lo sobre os aspectos peculiares do modelo homeopático em conformidade com dezenas de publicações científicas, imaginei que a "informação transmitida" poderia dissolver seus "apaixonados preconceitos". Ledo engano! Na elaboração da reportagem publicada no caderno Ilustríssima de domingo ("A medicina das paixões", 29/8), Marcelo Leite despreza a "extensa bibliografia" abordada em nosso encontro, rebatendo as críticas da falta de evidências da homeopatia com meros posicionamentos filosóficos, transmitindo uma falsa impressão de imparcialidade. Cito como exemplo a meta-análise do "Lancet" de 2005, principal referência do relatório do Parlamento britânico, e que assumiu posição de destaque na reportagem contra a eficácia da homeopatia, apesar de termos discutido exaustivamente os erros sistemáticos dessa análise, que desrespeitou a "individualização do tratamento homeopático", premissa indispensável à eficácia da homeopatia. Paixão por paixão, venceu a dele!
MARCUS ZULIAN TEIXEIRA , médico homeopata (São Paulo, SP)

RESPOSTA DO JORNALISTA MARCELO LEITE - A reportagem contém dois parágrafos sobre as críticas metodológicas à meta-análise de 2005, logo após os dois que a descrevem, e cita o próprio doutor Teixeira como fonte ao afirmar que a individualização não é respeitada em testes convencionais de medicamentos que têm por alvo um tratamento único.

Escrito por Marcelo Leite às 10h13

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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