Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Blog mais ou menos fora do ar

 
 

Blog mais ou menos fora do ar

Por motivo de viagem, este blog ficará mais ou menos fora do ar, podendo voltar a qualquer instante. Paciência.

Escrito por Marcelo Leite às 11h30

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Sobre formigas, homens e Ed Wilson

 
 

Sobre formigas, homens e Ed Wilson

Em 1997/98, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente um grande e admirado biólogo, Edward Osborne Wilson, ou E.O. Wilson, ou ainda Ed Wilson. (Foi um ano cheio aquele, com encontros com Ernst Mayr, Richard Lewontin, Stephen Jay Gould e Francis Crick.)

Em duas tardes, gravei longas entrevistas sobre muitos temas, a maioria em torno das teses sociobiológicas de Wilson e sua proposta de unificação do conhecimento (ciências naturais e ciências humanas) sobre o base da biologia. A ideia amalucada foi apresentada no livro "Consiliência", então no prelo.

O resultado dessas conversas foi uma reportagem de capa para o finado caderno Mais, da Folha. Infelizmente não fui capaz de localizar na rede para dar o link.

Na sua sala de professor aposentado de Harvad ("emeritus") havia várias bacias com terra ligadas por tubos de vidro -- um formigueiro. Na parede ao lado da mesa, uma foto oficial do contra-almirante James Stockdale com o livro "Sobre a Natureza Humana", de Wilson, sobre a mesa. Formigas e instituições - os dois focos da vida de Wilson.

O biólogo é também um dos homens mais gentis que conheci, a imagem viva do cavalheiro sulista dos Estados Unidos. Presenteou-me com uma pilha de livros, entre eles as provas de "Consiliência". Em quase todos fez dedicatórias, com desenhos de formigas em alguns deles ("Journey to the Ants" foi oferecido às minhas filhas Paula e Ana, cada uma com seu inseto).

Agora E.O. Wilson lança seu primeiro romance, "O Formigueiro" (Anthill), para minha primeira decepção com ele - apesar de discordar de tanta coisa que ele escreve. Desta vez, mais que discordância, uma obra sua despertou-me insatisfação. Leia aqui a coluna-resenha que escrevi sobre o livro.

Escrito por Marcelo Leite às 09h21

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Caiaques vs. canoas na internet

 
 

Caiaques vs. canoas na internet

A história do pensamento e da cultura está cheia de pares metafóricos de animais ou coisas, como a lebre a tartaruga, o vermelho e o negro, a raposa e o ouriço, a cruz e a caldeirinha, o crime e o castigo, e por aí vai. Uma nova e brilhante dupla terá agora de ser acrescida ao acervo: o caiaque e a canoa.

Ela surgiu na resposta de George Dyson, historiador da ciência que também é filho do físico Freeman Dyson e irmão de Esther Dyson, jornalista digital, a uma pergunta do sítio Edge: Como a internet está mudando sua maneira de pensar?

Traduzo o trecho selecionado pelo editor do sítio, escritor e agente literário John Brockman, que considerou a resposta "uma joia":


No oceano Pacífico Norte existem duas abordagens para a construção de barcos. Os aleutas (e seus parentes construidores de caiaques), viviam em ilhas inóspitas, sem árvores, e construíam suas embarcações montando armações esqueletais de fragmentos de madeira recolhidos na praia. Os tinglits (e seus parentes construidores de canoas escavadas) construíam suas embarcações selecionando árvores inteiras da floresta chuvosa e removendo a madeira até que nada sobrasse além da canoa.

Os aleutas e os tinglits alcançavam resultados similares - máximo de barco e mínimo de material - por meios opostos. O dilúvio de informação lançado pela internet produziu um divisor cultural similar. Nós éramos construtores de caiaques que coletavam todos os fragmentos de informação disponíveis para montar a armação que nos mantinha à tona. Agora, temos de aprender a nos tornarmos construtores de canoas escavadas, descartando a informação desnecessária para revelar a forma do conhecimento oculto ali.

Eu fui um construtor experimentado de caiaques, treinado para colecionar cada graveto disponível. Lamento ter de aprender novas habilidades. Mas os que não o fizerem ficarão remando troncos, e não canoas.

Escrito por Marcelo Leite às 15h42

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De volta à Lagoa Verde com Callado

 
 

De volta à Lagoa Verde com Callado

A índia calapalo Diacuí, que se casou com Ayres Câmara da Cunha,

funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, tendo Assis Chateaubriand

como padrinho (episódio comentado de passagem no livro de Callado)


Eis os dois primeiros e o último parágrafos que escrevi sobre o relançamento de um grande pequeno livro de Antonio Callado sobre o coronel Fawcett e os índios do Brasil:


É preciso ser de ferro, ou de direita (mesmo na paradoxal versão comunista, como a do deputado federal Aldo Rebelo, do PC do B de SP), para não se solidarizar com os índios brasileiros. Esta reportagem sensacional -no mais sóbrio sentido da palavra- de Antonio Callado abriu espaço para tal generosidade no jornalismo contemporâneo nacional.

E também na literatura, ao preparar o caminho para outro clássico do autor, o romance "Quarup". Só isso já seria razão de sobra para ler "O Esqueleto da Lagoa Verde", 57 anos depois de publicado, nesta reedição encorpada com posfácios de Davi Arrigucci Jr. e Mauricio Stycer. (...)

Callado embrenhou-se em Mato Grosso, desencontrou-se de Fawcett e deu com a "África interior". Gostou dos homens e da paisagem. Um mundo escuro que o jornal e a literatura do presente relutam em visitar, abrindo um flanco do tamanho de metade do país para a destruição do que temos de melhor.

ESQUELETO NA LAGOA VERDE

AUTOR Antonio Callado
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 36 (160 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo


Leia a íntegra da resenha na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 14h34

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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