Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

iPhone ganha de descarga de privada

 
 

iPhone ganha de descarga de privada

Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, este é o ranking das cem maiores invenções estabelecido por 4.000 consumidores ouvidos numa pesquisa de opinião:

1. Roda
2. Avião
3. Lâmpada
4. Internet
5. PCs
6. Telefone
7. Penicilina
8. iPhone
9. Descarga de privada
10. Motor a explosão
11. Pílula anticoncepcional
12. Máquina de lavar roupa
13. Aquecimento central
14. Refrigerador
15. Analgésicos
16. Máquina a vapor
17. Freezer
18. Câmera fotográfica
19. Automóvel
20. Óculos
21. Celulares
22. Papel higiênico
23. Aspirador de pó
24. Trem
25. Google
26. Forno de microondas
27. Correio eletrônico
28. Caneta
29. Água quente
30. Sapato
31. Bússola
32. Ibuprofeno
33. Escova de dentes
34. Alisadores de cabelo
35. Laptop
36. Garfo e faca
37. Tesoura
38. Papel
39. Viagens espaciais
40. Chaleira
41. Calculadora
42. Cama
43. Controle remoto
44. Telhado
45. Ar condicionado
46. GPS (para carro)
47. Wi-Fi
48. Olho-de-gato (estradas)
49. Fósforos
50. Direção hidráulica
51. Secadora de roupa
52. Bicicleta
53. Sky+ (TV a cabo com gravador)
54. Saquinho de chá
55. Guarda-chuva
56. iPod
57. Torneira
58. Capacete
59. Relógio de pulso
60. eBay (site de leilões)
61. DVD
62. Fralda descartável
63. Escada
64. Bronzeador
65. Cortador de grama
66. Maquiagem
67. Cadeira
68. Óculos de sol
69. Futebol
70. Pão de forma
71. Sofá
72. Lâmina de barbear
73. Chave de parafuso
74. Autoestradas
75. Fone de ouvido
76. Toalha
77. Sutiã para "levantar"
78. Binóculos
79. WD40 (hidrofugante/lubrificante)
80. Rímel
81. Secador de cabelo
82. Facebook
83. Escada rolante
84. Tintura de cabelo
85. Bota de borracha
86. Corretor ortográfico
87. Calendário
88. Ralador de queijo
89. Ônibus
90. Post-it (corrigido em 29/5 graças à leitura atenta da leitora Cristine)
91. Luva
92. Antena parabólica
93. Faixa de pedestre
94. Chupeta
95. Cortina
96. Abridor de lata
97. Liquidificador
98. Pá e escova de pó
99. Mesa/escrivaninha
100. Gancho de parede

Acho a lista desconcertante. Há coisas inexplicáveis na ordem dos objetos, como cadeira na 67ª e mesa na 99ª posição, ou o ralador de queijo antes do ônibus, ou ainda alisador de cabelo, bronzeador, maquiagem, wonderbra, rímel, secador e tintura de cabelo antes do calendário e do abridor de lata. Algo me diz que a amostra contava com muitas mulheres, possivelmente loiras....

Escrito por Marcelo Leite às 11h53

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Política sintética e soberba suprema

 
 

Política sintética e soberba suprema

Veja você como são as coisas. Uma semana depois de anunciar ao mundo que tinha reconstruído uma bactéria com um genoma montado do zero em laboratório, o garanhão biotecnológico J. Craig Venter compareceu humildemente - tanto quanto ele pode ser humilde, quer dizer, não muito - ao Comitê de Energia e Comércio da Câmara de Representantes dos EUA para falar aos parlamentares da tal "biologia sintética". Leia a notícia do boletim ScienceInsider aqui, em inglês.

Venter testemunhou sobre riscos e benefícios da nova moda tecnocientífica acompanhado do bioeticista Gregory Kaebnick, do Hastings Center (ONG de Washington, D.C. que trata de bioética e políticas públicas), e de Anthony Fauci, diretor do InstitutoNacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA.

Kaebnick lidera há um ano estudo sobre implicações éticas da biologia sintética previsto para durar dois. Fauci fez um relato histórico da regulamentação de biossegurança para o setor e anunciou que em breve a biologia sintética será posta sob a alçada do Comitê Consultivo sobre DNA Recombinante dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), órgão criado há três décadas para supervisionar a engenharia genética, e do Conselho Consultivo Científico Nacional, criado em 2003 pelos mesmos NIH em resposta a questionamentos sobre pesquisas com potencial de aplicação militar (guerra biológica).

Americanos não dormem no ponto, como se pode ver. Ou vai ver que dormem, mas debatem abertamente - a imprensa se preocupa em fazê-lo - se dormem bem ou mal, quantas horas por noite etc., como se pode ver nesta reportagem de Andrew Pollack e Duff Wilson no jornal The New York Times de hoje.

Pollack e Wilson destacam três casos de empregados de laboratórios de pesquisa que ou morreram ou ficaram aleijados por contaminação com microrganismos patogênicos que estudavam. Contam que a agência federal Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (Osha) já se mexe para apertar os controles sobre os laboratórios.

Aqui no Brasil, ninguém mais ouve falar da CTNBio, aquela comissão que é técnica antes de ser nacional e está formalmente encarregada de zelar pela biossegurança das pesquisas, mas quase só se ocupa de liberar organismos transgênicos. A Anvisa pode criar algumas exigências, mas no geral tem o foco mais voltado para medicamentos e tratamentos. O Congresso, então, enterrado na lama da corrupção e da pecuária mais atrasada, só quer debater se acaba com o Código Florestal e libera de vez a derrubada de florestas por latifundiários demoscravocratas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) bem que ensaiou erguer-se como alternativa arejadora da modorra legislativa e executiva. Convocou debates públicos memoráveis, como o da pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, o de Raposa-Serra do Sol, o das cotas raciais...

Mas parece que ainda vamos ter saudades das gestões de Ellen Gracie e Gilmar Mendes no STF. Cezar Peluso, seu novo presidente - e relator da ação direta de inconstitucionalidade contra as regras de demarcação de quilombos - decidiu que o assunto será decidido em plenário diretamente, sem o confronto de ideias de especialistas pró e contra numa audiência pública.

Lamentável.

Escrito por Marcelo Leite às 10h58

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Cifras e chifres (além de quilombos)

 
 

Cifras e chifres (além de quilombos)

Estreou hoje na Folha.com a nova versão, agora só virtual, da coluna Ciência em Dia. Fiel ao vício de desbancar mitos sustentados pela genética, ataco a lenda urbana de que 20% ou 30% das crianças nascidas não são filhas dos homens que pensam ser seus pais. As mulheres casadas, em resumo, são muito mais fiéis do que as pessoas gostam de imaginar.

Por falar em imaginação, leia mais abaixo a versão longa (não tanto assim) da reportagem de hoje na Folha, "STF vota em junho ação sobre quilombos", cujo ponto de partida foi a reação de antropólogos e outras pessoas de bem à matéria da revista Veja já comentada aqui.

É lamentável que o ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo e relator da ação direta de inconstitucionalidade do DEM contra demarcação de quilombos, tenha dispensado a realização de audiência pública sobre a questão. Em que pesem seus percalços, os debates realizados sobre células-tronco, Raposa/Serra do Sol e cotas raciais foi o que de mais próximo houve de uma discussão civilizada e qualificada, nos últimos tempos, neste país atrasado.


O assunto explosivo da demarcação de remanescentes de quilombos entrará na pauta de julgamentos do Supremo Tribunal Federal na primeira quinzena de junho.
A decisão pode pôr em risco até os 106 títulos já emitidos para 11.070 famílias com base na Constituição de 1988, temem antropólogos envolvidos no debate.
Essas famílias quilombolas obtiveram o reconhecimento da posse coletiva de uma área total de 9.553 km² desde 1995, parte dela após desapropriação de terras particulares. A área equivale a um Distrito Federal e meio, ou menos de 1 km² por família.
Apesar de envolver áreas individuais muito menores que os 17 mil km² de Raposa/Serra do Sol, espera-se uma polêmica similar à de dezembro de 2008, quando o STF manteve a demarcação contínua daquela terra indígena.
O debate ficará restrito ao plenário do STF, porque não está prevista audiência pública, como no caso Raposa/Serra do Sol. O relator, ministro Cezar Peluso, atual presidente do Supremo, não a convocou.
Quilombos reconhecidos recebem títulos de posse coletiva emitidos para a comunidade e não podem ser desmembrados nem vendidos. A posse coletiva também vale para terras indígenas homologadas, que integram o patrimônio da União.
Há cerca de mil outros processos sobre quilombos abertos no Incra. Uma centena deles já avançou para as fases de identificação, delimitação, reconhecimento e desapropriação (no caso de terras privadas).
Os processos em andamento totalizam 21.244 famílias, que viriam a ser beneficiadas com 19.541 km² de terra _quase um Sergipe. O quinhão de 0,9 km² por unidade familiar se mantém.
Ação do DEM
O decreto que regulamenta o processo de demarcação de quilombos (nº 4.887/2003) foi posto em questão em 2004 por ação direta de inconstitucionalidade (Adin nº 3.239), do então PFL (hoje DEM).
O partido alega que a desapropriação, por criar despesa, teria de ser regulamentada por lei, não decreto. O DEM rejeita, ainda, o critério da autodeclaração para identificar remanescentes de quilombos.
Sua interpretação do artigo 68 das disposições transitórias da Constituição condiciona o reconhecimento à posse efetiva do território em 1988, época da promulgação da Carta: “(...) sujeitar a demarcação aos indicativos dos interessados não constitui procedimento idôneo, moral e legítimo”.
A Advocacia Geral da União (AGU) e a Procuradoria Geral da República (PGR) defendem o decreto e a autodeclaração. Afirmam que não é o único critério para reconhecer o quilombo. A decisão final caberia ao poder público, apoiado em laudos antropológicos que atestem o vínculo com o território e sua necessidade para garantir a reprodução física e cultural do remanescente de quilombo.
Para AGU e PGR, o decreto questionado dá consequência à intenção dos constituintes e à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, que tem o Brasil como signatário. Não teria cabimento a distinção entre “remanescente” e “descendente” de quilombolas proposta pela ação do DEM.
Quilombos e índios ressurgidos
A questão tem relação direta com a dos “direitos originais” dos índios às terras tradicionalmente ocupadas e “imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”, como prescreve o artigo 231 da Constituição.
Nos dois campos, ganharam destaque recente supostos casos de fraudes apontados em reportagem da revista “Veja” do dia 5. Laudos antropológicos teriam dado respaldo a reivindicações ilegítimas de terras por grupos indígenas ressurgentes _em especial no Nordeste_ e autodeclarados descendentes de quilombolas.
A reportagem e a iminência do julgamento no STF puseram os antropólogos em pé de guerra. “Um voto contrário [ao decreto] anulará, ou pode anular, todas as demarcações de quilombos até agora”, alerta Carlos Caroso, da Universidade Federal da Bahia e presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).
“Somos acusados de parcialidade, mas só estamos preocupados com o que diz a Constituição Federal.”

Escrito por Marcelo Leite às 08h47

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Novas aventuras de Venter

 
 

Novas aventuras de Venter

A bactéria "sintética" Mycoplasma mycoides, variante JCVI-syn1.0

(Divulgação - Science/AAAS)

Foi manchete da Folha de sexta-feira passada, e eu arrisquei um comentário interpretativo a respeito, do qual reproduzo um trecho relevante:


Está longe o tempo -se é que algum dia virá- em que a biologia será capaz de sintetizar células cardíacas para remendar corações infartados, por exemplo. O genoma humano é milhares de vezes maior que a bactéria inventada por Venter. Nossos 46 cromossomos são estruturas complexas, cuja estrutura contribui para definir quais genes serão ou não lidos pela célula, e quando.
Apesar da retórica, Venter é honesto a respeito. Quando fala de aplicações, restringe-se a conceitos menos grandiloquentes e mais rentáveis, no médio prazo: bactérias capazes de produzir hidrogênio a partir de água, assim como leveduras produzem álcool a partir de açúcares. Os biocombustíveis brasileiros que se cuidem.
Problema: bactérias também se destacam na produção de toxinas poderosas, como as do antraz e do botulismo. São os cavalos de batalha da guerra biológica. Genomas sintéticos soam como armas de sonho, se o seu custo vier a cair tão rápido quanto o de outras ferramentas biotecnológicas.


No mais, peço desculpas ao leitor do blog pela ausência da semana, que foi, digamos, de luto. Mas quarta-feira (dia 26) devo estrear na Folha.com o avatar da saudosa coluna Ciência em Dia. Avisarei aqui neste espaço.

Escrito por Marcelo Leite às 18h53

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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