Geleiras em perigo

Vestígios finais de Chacaltaya, Bolívia (Foto: Reprodução)

Permita o leitor que esta coluna volte à controvérsia sobre o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), em que teve papel importante o erro sobre as geleiras do Himalaia. No seu quarto relatório de avaliação (AR4, de 2007), o painel dizia que elas corriam o risco de desaparecer até 2035, uma bobagem que escapou à legião de autores que revisaram o documento.

E o restante das geleiras existentes no mundo, em que situação se encontram? (...)

[A]s informações disponíveis parecem indicar que a maioria das geleiras está em retração.

Uma das fontes mais respeitadas no ramo é o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS), com sede na Suíça e mantido desde 1986 por uma penca de organizações científicas e multilaterais. A entidade recolhe dados padronizados sobre uma centena de geleiras do mundo todo, mas a maioria se localiza na Escandinávia e nos Alpes.

O último dado disponível -"tentativo", ressalva o WGMS- se refere ao período 2007/2008: saldo negativo de 0,5 m na espessura. Com base nas estatísticas de longo prazo colhidas em 30 geleiras em nove cadeias montanhosas (incluindo uma nos Andes e duas no Alasca), estima-se uma perda acumulada de 12 m desde 1980. (...)

Pior destino teve Chacaltaya, na Bolívia. Destino popular entre mochileiros do Brasil que se aventuravam no Trem da Morte (Corumbá-Santa Cruz de La Sierra), a estação de esqui tida como mais alta do mundo (acima de 5.400 m de altitude) viu sua geleira perder 1,55 m em 2007/2008 e desaparecer em 2009.

Assim como o Himalaia, geleiras nos Andes tropicais são importantes fontes de água para populações pobres. Na conferência "Gelo e Mudança do Clima: Uma Visão do Sul", realizada no começo deste mês em Valdivia (Chile), o pesquisador francês Bernard Francou documentou perdas de 30% a 50% na área de geleiras andinas nas últimas três décadas. (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).