Meditação faz bem ao coração

Ex-praticante de ioga, coisa que fiz por uns dois ou três anos (insuficientes para decorar os nomes dos chacras e todo aquele blablablá), andava precisado de uma boa desculpa para voltar. Agora já tenho: a meditação, sempre presente nas aulas que fazia, parece capaz de cortar pela metade o risco de ataques do coração.
Você poderá suspeitar dos resultados, que li numa notícia do boletim ScienceNow, porque foram obtidos por Robert Schneider, da Universidade Maharishi de Administração, em Fairfield, Iowa (EUA). Mas Schneider teve a colaboração de Theodore Kotchen, da Escola Médica de Wisconsin, em Milwaukee. E o trabalho foi aceito para apresentação (ontem) no congresso da Associação Americana de Cardiologia em Orlando, Flórida.
Para o estudo, 201 pacientes pretos e pardos - "afro-americanos", na nomenclatura dos EUA - com obstruções coronarianas foram divididos em dois grupos. Um recebeu terapias convencionais. O outro praticou 15 a 20 minutos diários de meditação transcendental, técnica desenvolvida pelo guru indiano Maharishi, em média por cinco anos.
O segundo grupo teve 47% menos infartos, derrames e mortes que o primeiro. Medicamentos para reduzir o colesterol, como estatinas, reduzem o risco em 30-40%. Drogas que controlam a pressão arterial conseguem 25-30%, segundo a reportagem de Jue Wang na ScienceNow.
Espero que a ioga, se de fato voltar a praticá-la, melhore também a memória. Já ia postando esta nota quando sobreveio a sensação de já ter escrito sobre isso. Uma googlada - bendita memória artificial - revelou que o pressentimento era correto: há mais de três anos, em 14 de junho de 2006, escrevi a coluna "Meditação ajuda coração doente" para a Folha de S.Paulo. Dizia:
A meditação transcendental faz bem ao coração que sofre. Muita gente não acredita, por duvidar de tudo que venha de Maharishi Mahesh Yogi, ex-guru dos Beatles envolvido no passado em denúncias de sexo com suas fiéis. Mas quem diz, agora, é a sexta revista médica mais influente do mundo, a "Archives of Internal Medicine".
(...)
A hipótese do grupo de [Cathleen] Merz [pesquisadora do Centro Médico Cedars-Sinai] é que a meditação module a resposta do sistema nervoso ao estresse da vida contemporânea, uma bateria de sinais enviados ao corpo que compõe a chamada ativação neuro-humoral. Ela pode conduzir a uma série de problemas crônicos, como inflamações, que aumentam o risco de uma falha fatal do coração.
"O ensino de MT é altamente padronizado, de modo que o treinamento de mais de 50 participantes nos três anos de estudo foi consistente ao longo do tempo", explica [ Maura Paul-]Labrador [primeira autora do estudo].
No passado, as alegações de efeitos cientificamente comprováveis da MT deram origem a uma controvérsia acalorada, com acusações de fraude e preconceito. Mas Merz avisa que já está estudando a possibilidade de pedir financiamento para fazer um estudo maior ainda.