Gotas de sangue
Este blog andou meio largado, por força de uma viagem - mas mesmo assim me desculpo, o leitor não tem nada a ver com isso.
Começo pondo as coisas em dia com a pequena polêmica que me opôs a Demétrio Magnoli, a propósito de seu livro Uma gota de sangue. Escrevi em 26 de setembro uma resenha que terminava assim:
Não se busque neste livro de combate a propalada generosidade da mestiçagem. Para Magnoli, políticas racialistas ressuscitam o racismo e, em essência, não diferem das políticas do nazismo e do apartheid. Pouco importa se de um lado está o sujeito do preconceito e, de outro, seu objeto -a crença em raças os irmana.
Não há e não pode haver aperfeiçoamento das ações afirmativas. Aos pardos e pretos pobres de hoje, no Brasil, sob o fardo extra de descender mais obviamente de escravos, resta a esperança de que um dia a nação brasileira cumpra a promessa de dar oportunidades iguais para todos -seja em que geração for.
Magnoli não gostou, entre outras coisas, provavelmente, porque avaliei a obra como "regular". Replicou em 10 de outubro com o texto "Resenha expôs leitura apressada da obra", que começa assim:
Resenhar livros dá trabalho. Demanda um tempo desproporcional ao que se paga pela resenha, especialmente no caso inconveniente de livros extensos. Marcelo Leite não é o único a resolver o problema saltando a leitura da maior parte do livro.
Mas, ao empregar o "método" na resenha publicada na Ilustrada (26/9) de meu "Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial", falseou o argumento central da obra. Leite quer que o leitor faça como ele, economizando tempo e reflexão. Ele decreta que o livro é "um texto de intervenção no debate brasileiro sobre cotas raciais" e sugere que se salte tudo que não incide diretamente sobre o Brasil, como as "partes três e quatro, por exemplo".

