Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Destruir para preservar

 
 

Destruir para preservar

O centro de treinamento Roberto Bauch fica em Paragominas, Pará, a 120 km da sede do município. Os que chegam à Fazenda Cauaxi para mais um curso de manejo florestal são recebidos com café e bolo. O pôster de motosserra na cozinha-refeitório vai direto ao ponto: a melhor maneira de salvar a floresta. (...)

O curso do IFT, que já teve 3.500 alunos, funciona por demonstrações práticas. Primeiro, visitam-se áreas de exploração convencional: estradas, pátios de estocagem e trilhas de arraste de toras abertos sem método nem planejamento; mateiros e motosserristas que trabalham sem se comunicar; tratores de construção civil sem adaptação adequada. (...)

Os aprendizes de desmatador seguem depois para áreas de exploração de impacto reduzido da empresa Cikel, que dá apoio logístico ao IFT. A extração é precedida, até um ano antes, de inventário que identifica e localiza cada árvore de 90 espécies com potencial comercial e diâmetro acima de 35 cm.

Grotas e igarapés são levados em conta no planejamento de estradas e trilhas, para evitar becos sem saída e erosão. Seu traçado vai sinalizado com fitas de plástico. Os operários saem a campo com um mapa de quais árvores serão cortadas, sempre a no máximo 250 m de uma estrada.

O arraste das toras se faz com um trator florestal articulado (“skidder”), com pneus em lugar de esteiras. Os estudantes têm o privilégio de pilotar a máquina de R$ 780 mil no labirinto de árvores. Depois, conferem o estrago.

Resultado: 5% da área danificada por tratores, contra 10% na extração convencional; área de solo exposta às intempéries reduzida a um décimo; corte de 75% na quantidade de toras abandonadas na mata por tratoristas incapazes de encontrá-las. Noves fora, uma atividade 19% mais rentável, mesmo levando em conta o alto custo inicial de fazer o inventário e investir em treinamento. (...)

O colunista viajou para Paragominas (PA) a convite do Serviço Florestal Brasileiro


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, para assinantes) e assista mais vídeos (amadores...) sobre a exploração de impacto reduzido logo a seguir.

 

Escrito por Marcelo Leite às 15h23

Comentários () | Enviar por e-mail | Amazônia | PermalinkPermalink #

Os polos no trópico

 
 

Os polos no trópico

Simões com motos da Expedição Deserto de Cristal, na Antártida

 

Se você tem interesse ou curiosidade em saber mais sobre o Ártico e a Antártida, não deixe de comparecer quarta-feira pela manhã (09:00-11:00) ao evento Polar-Palooza, no Instituto de Oceanográfica da USP, Cidade Universitária. Lá você poderá conhecer pessoalmente Jefferson Cardia Simões, o gaúcho (foto) que liderou a expedição Deserto de Cristal, da qual participei em dezembro-janeiro passados (leia mais aqui).

Adendo para cariocas e fluminenses: O Polar-Palooza se repete na Cidade Maravilhosa, quiçá olímpica.

 

Sexta-feira (02/10)
09:00 às 11:00 - Casa da Ciência no Rio de Janeiro, Rua Lauro Miller,  3 - Botafogo

Sexta-feira (02/10)
14:00-17:00 - Teatro Solar Meninos de Luz, Rua Saint Roman, 149, Copacabana

Além de Simões, o evento conta com a presença de outros pesquisadores polares brasileiros e estrangeiros. Reproduzo abaixo parte do comunicado que recebi sobre o evento:


Os polos  da Terra são as mais frias, mais distantes e as mais inexploradas regiões do planeta. O que acontece lá afeta o tempo e o clima em todos os lugares, até em países  tropicais como o Brasil, perto do equador e geograficamente distante  dos pólos Norte e Sul. Hoje, o Ártico e a Antártida mudam mais rapidamente do que qualquer outro lugar da Terra, e suas alterações  afetam todos nós, tanto agora como no futuro. Explorar os polos  continua a ser uma grande aventura, apesar dos ganhos tecnológicos  do século 21.
 
Durante os últimos dois anos, 50.000  pesquisadores de mais de 60 nações exploraram os pólos como parte do  4º Ano Polar Internacional. Eles estudaram  pingüins e ursos polares, geleiras e o oceano Antártico. Usando  satélites e robôs subaquáticos, descobriram coisas incríveis: águas  polares podem ser mais ricas em biodiversidade do que as caribenhas,  e novas espécies podem ser encontradas onde quer que você  olhe!
 
Agora os pólos vêm a São Paulo. Pesquisadores brasileiros se juntam a  cientistas americanos para compartilhar histórias do Norte e do Sul,  e novas descobertas surpreendentes. O especial  na apresentação  - para jovens e idosos, especialistas e público em geral - são as  suas histórias pessoais, usando vídeos de alta definição e artefatos  autênticos, tais como as roupas usadas para se proteger contra o  frio polar.
 
Apresentadores:

Glaciologista  Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande  do Sul, líder da expedição Deserto de Cristal" a primeira missão  brasileira no interior do continente  congelado;
 
Bióloga-marinha Lucia Siqueira  Campos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderou  algumas das incríveis viagens de descoberta que fazem parte do  “Censo da Vida Marinha Antártica” latino-americano (LA  CAML).
 
Visitantes dos Estados  Unidos:
 
Geóloga Kathy Licht, estuda rochas  glaciais para compreender o manto de gelo  antártico;
 
Ornitólogo George Divoky –  recém-chegado de perigosos encontros com os ursos polares em Cooper Island, Alasca;
 
Glaciologista Sridhar Anandakrishnan, cujo trabalho atual consiste em estudar os gigantescos mantos de gelo da Groenlândia e na  Antártica.
 
Essa equipe exibirá vídeos de alta definição de suas aventuras e explicará por  que os pólos têm importância para o Brasil. Haverá tempo  suficiente para perguntas e respostas, em uma oportunidade única de  interagir com alguns dos exploradores dos maiores extremos da Terra.
 
2009 é o 50º aniversário do Tratado da Antártida, um marco do acordo  internacional que tem preservado a Antártida  para a  investigação científica pacífica.
 
POLAR-Palooza Brasil é possibilitada pelo apoio do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da UFRGS e da  Fundação Nacional pela Ciência dos Estados Unidos  (NSF).

Escrito por Marcelo Leite às 18h12

Comentários () | Enviar por e-mail | Miscelânea | PermalinkPermalink #

O criacionismo de Marina

 
 

O criacionismo de Marina

Não pretendia voltar ao tema da quase candidatura de Marina Silva à Presidência da República pelo PV. Persiste, porém, a questão sobre a defesa do ensino do criacionismo em todas as escolas que teria sido feita pela ex-ministra do Meio Ambiente. Defendeu ou não?

A própria Marina Silva nega, como fez no programa "Roda Viva" da última segunda-feira. "Eu nunca defendi o criacionismo", afirmou. (...) Eis o endereço da entrevista: eoqha.net/criacionismo/111-entrevista-com-a-ministra-do-meio-ambiente-marina-silva. (...)

Em primeiro lugar, é preciso dizer que Marina Silva de fato não defendeu na entrevista o ensino do criacionismo, em pé de igualdade, com o ensino da evolução darwiniana. Não literalmente, nem em todas as escolas. (...)

[O]utras respostas na entrevista explicitam que Marina Silva não subscreve a separação entre ciência e religião consagrada como base da educação leiga e republicana.

"No espaço de fé, a ciência tem todo o acolhimento. Gostaria muito que no espaço científico existisse o acolhimento para a fé que a fé dá para a ciência", disse. Não há acolhimento possível da fé pela ciência, se por isso entende-se a admissão de que existam verdades além e acima das corroboradas com observações e medidas. (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, para assinantes). Ou assista ao vídeo todo (quase 12 minutos) da entrevista:

 

Entrevista com a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva from Matheus Siqueira on Vimeo.

Escrito por Marcelo Leite às 20h28

Comentários () | Enviar por e-mail | Ciência e Sociedade | PermalinkPermalink #

Uma gota de sangue

 
 

Uma gota de sangue

A Ilustrada de ontem, (sábado) trouxe resenha minha do livro de Demétrio Magnoli, Uma gota de sangue - História do pensamento racial. Leia os dois primeiros e os dois últimos parágrafos abaixo, ou então leia a íntegra aqui (se for assinante da Folha ou do UOL):


Não se iluda o leitor com o título da obra. O livro do geógrafo e colunista Demétrio Magnoli não é um compêndio. Trata-se de um texto de intervenção no debate brasileiro sobre cotas raciais.

Seu mérito maior é ter muito menos defeitos que o best-seller "Nós Não Somos Racistas", do jornalista Ali Kamel. A tese é a mesma: as ações afirmativas e o movimento negro resultam de uma armação ideológica. Ela conspira contra o princípio da igualdade perante a lei, contra a ideia de nação e, no caso brasileiro, contra seu generoso mito fundacional, a mestiçagem. (...)

Não se busque neste livro de combate a propalada generosidade da mestiçagem. Para Magnoli, políticas racialistas ressuscitam o racismo e, em essência, não diferem das políticas do nazismo e do apartheid. Pouco importa se de um lado está o sujeito do preconceito e, de outro, seu objeto -a crença em raças os irmana.

Não há e não pode haver aperfeiçoamento das ações afirmativas. Aos pardos e pretos pobres de hoje, no Brasil, sob o fardo extra de descender mais obviamente de escravos, resta a esperança de que um dia a nação brasileira cumpra a promessa de dar oportunidades iguais para todos -seja em que geração for.

Escrito por Marcelo Leite às 20h06

Comentários () | Enviar por e-mail | Miscelânea | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.