O engenheiro agrônomo Halan Vieira de Queiroz Tomaz, mestrando em Fitotecnia da ESALQ/USP, discorda de algumas afirmações de outro leitor Marcio Antonio Augelli na nota abaixo e pede espaço para responder. Ei-lo:
Há sim, avião, ônibus, caminhão e trator movidos a etanol! Claro que uns mais avançados e outros não em termos de tecnologia já desenvolvida.
No caso de avião, há bastante tempo que já está consagrado e se produz no Brasil o modelo Ipanema, utilizado em pulverizações de lavouras. O primeiro a álcool foi lançado em 2002, mais informações podem ser obtidas em www.aeroneiva.com.br.
O ônibus movido a etanol está em testes desde 2007, e começou a ser testado pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), sediado na USP. O professor José Roberto Moreira, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP é quem coordena o projeto.
Diversas empresas já iniciaram testes com caminhões movido a etanol, onde prometem lançamentos nos próximos anos.
E em uma feira do setor de máquinas agrícolas, já foi apresentado um protótipo de trator desde o ano passado e que brevemente veremos o lançamento final.
Claro que ainda estamos vendo esses projetos 'engatinharem', mas para um país que é líder em produção de etanol de cana, não podemos ficar atrás em termos de alternativas de uso desse combustível.
Então o que quero deixar claro, é que existem sim máquinas movidas a etanol além de carros (de madames) e motos. Lembrando que, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a cana-de-açúcar (etanol + cogeração) já participa em mais de 25% da matriz energética do país, um dado que não podemos desconsiderar.
E pra finalizar, seguindo o raciocínio do nosso nobre colega, ninguém para ao lado de um poço de petróleo (terrestre) ou embarca em uma plataforma ou ainda ao lado de um gasoduto e abastece o carro com petróleo ou gás natural.
Recebo do leitor Marcio Antonio Augelli, químico, os comentários abaixo a respeito da coluna "Tiro no próprio álcool", que reproduzo, com sua permissão, como contribuição ao debate:
Você parece ter sido influenciado por opiniões geradas a partir de "pesquisas" desenvolvidas pela Copersucar, as quais induzem ao um incrível erro no balanço energético do álcool como combustível. Veja: 1 - Nenhuma usina permite o acesso livre a dados sobre o uso de energia consumida a partir da rede elétrica de distribuição ou de combustível fóssil, na produção do etanol; 2 - Sequer a quantidade de adubos por hectare você consegue obter de maneira clara; 3 - Portanto, o cálculo da energia envolvida em todo o processo de obtenção no etanol é desconhecido, e pesquisas a respeito são feitas por pesquisadores ligados à própria produção, inclusive para teses de doutorados no exterior a respeito do assunto; 4 - Uma maneira clara indicada por um aluno, em discussão sobre o tema é que ninguém pára ao lado de um canavial e abastece o carro com cana; 5 - Você conhece algum avião, ônibus, caminhão, trator, movidos a etanol? Ora, se são movidos a combustíveis oriundos da destilação fracionada do petróleo, qual é a vantagem em não se usar também a gasolina? Etanol, então, é combustível de carro de madame que faz fila dupla na porta de escola....
Voltando ao tema principal de sua coluna, que é a lista dos carros mais poluidores: Veja bem: um motor de 1600 cilindradas, AP, da Volksvagen, tem as seguintes taxas de compressão ( segundo o manual de meu veículo): gasolina: 9.8 álcool: 13.1 flex: 10.2 lembrando que a taxa de compressão exprime a relação entre o volume da câmara de combustão completamente distendida para o volume da mesma completamente comprimida.
Como você pode ver, o motor flex possui taxa de compressão equivalente àquela do motor a gasolina; para você usar o álcool em um motor a combustão, a taxa de compressão deve ser mais elevada, dada as características do combustível, vai daí que usando a taxa de compressão menor a quantidade de etanol a ser injetada tende a ser maior, resultando em maior combustão incompleta e, portanto, em maior poluição e consumo de combustível. Lembrar também que a queima do etanol transfere uma quantidade de energia cerca de 30% menor ( lembra quando aprendeu termoquímica, e calculava entalpia de reação?). Tudo isso eu estou falando como profissional da área química. Consulte um engenheiro mecânico sem rabo preso com a indústria automobilistica ou com usinas e ele comprovará o que estou afirmando.
A cidade mais importante da Austrália ficou coberta de poeira e banhada numa luz vermelha, hoje, em consequência de uma tempestade de areia vinda do "outback", quer dizer, da área desértica no centro do país, a oeste.
Há vários vídeos no YouTube, como você pode ver aqui. Surgem palavras como "fim do mundo", "Armagedom", o que soa como algum exagero. Parece inevitável, porém, que muitos associem o fenômeno à mudança do clima como efeito do aquecimento global. Se estiver sem tempo, veja só este vídeo:
À primeira vista, representa um avanço o ranking de carros poluidores apresentado pelo Ibama na semana que passou. Porém, como tudo que vem do governo (qualquer governo), ainda mais quando está envolvido o espetacular ministro Carlos Minc, é bom tirar o pé do acelerador do entusiasmo. Em especial se o seu carro for flex.
O álcool combustível, agora renomeado com a marca globalizada de "etanol", é um trunfo do Brasil. Fruto de um programa nacionalista e intervencionista da ditadura militar, o Proalcool, virou campeão ambiental. Em nenhum outro lugar do mundo se obtém etanol na quantidade e com a produtividade permitida pela cana-de-açúcar por aqui -agora já sem nenhum subsídio estatal.
O álcool pode ser considerado um combustível mais "limpo" porque o carbono que lança na atmosfera, na forma de gás carbônico (CO2), é reutilizado na próxima safra de cana enquanto as plantas crescem. O CO2 é a matéria-prima da fotossíntese. Apenas com ele, água e luz (energia solar), os vegetais produzem a biomassa cuja energia química usufruímos, antes de mais nada como alimento. (...)
A clara vantagem antipoluição do álcool foi de certa forma -uma forma canhestra- reconhecida no trabalho do Ibama, lançado às pressas por Minc. Como não dá para comparar álcool e gasolina nesse quesito, tamanha a desvantagem da segunda, ele foi omitido da "nota verde". A emissão de CO2 está numa pontuação separada, só para veículos a gasolina. (...)
Se o saldo da publicação do ranking for a conclusão, entre consumidores, de que abastecer o carro com álcool polui tanto quanto fazê-lo com gasolina, Minc acaba de dar mais um tiro no próprio pé -o do acelerador.
Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes)
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