Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Promessas do genoma - e da epigenética

 
 

Promessas do genoma - e da epigenética

Graças à minha mulher, Claudia, tomei conhecimento de um dossiê da revista Newsweek sobre "as dores do parte da nova biologia", publicado na edição de 6 de julho. A coletânea de artigos faz uma espécie de necrológio do Projeto Genoma, dizendo que, apesar de todas as suas promessas, foi só o primeiro passo para a "revolução" que está varrendo a biologia e atende pelo nome de "epigenética" (uma intricada rede de regulação bioquímica composta por RNAs, proteínas e outras substâncias, que tira a primazia atribuída ao DNA pela razão genômica).

Hesitei um tanto antes de postar esta nota. Achei que pareceria cabotino, pois venho escrevendo coisas nessa linha há quase dez anos (a primeira vez que usei a palavra "epigenética" na Folha foi uma coluna publicada em 7 de novembro de 1999 - aqui, só para assinantes).

Quando a sequência do genoma foi publicada, em fevereiro de 2001, redigi um comentário (aqui, também com acesso restrito) em que dizia que a soletração punha em questão a própria noção de gene. Depois escrevi um livro sobre o assunto, Promessas do Genoma, publicado em 2007.

Às favas com os escrúpulos de consciência, como diria Jarbas Passarinho. Deixar de escrever a nota impediria partilhar com meus poucos e fiéis leitores um bem-acabado e esclarecedor trabalho jornalístico. Está todo disponível na rede, em inglês. Como não encontrei um link único para o dossiê, reproduzo todos:

As complexidades da vida, por Fred Gurtel
O casal estranho da biologia (Venter e Church), por Lily Huang
Além do Livro da Vida, por Stephen S. Hall
Um cessar-fogo na Guerra dos Transgênicos, por Mac Margolis
O mosquito revisado, por William Underhill
A visão de um médico para o futuro da medicina, por Leroy Hood
Aditivos cerebrais, por David H. Freedman
Uma biologia da doença mental, por Eric Kandel

Escrito por Marcelo Leite às 16h51

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Luz verde para a ciência

 
 

Luz verde para a ciência

Aequorea victoria, a água-viva a partir da qual se obteve a GFP

Um ponto alto da 59ª Reunião de Prêmios Nobel em Lindau (sul da Alemanha), encerrada no último dia 3, foram as palestras dos ganhadores de Química no ano passado. Não tanto por Osamu Shimomura, e mais por Martin Chalfie e Roger Tsien, que levaram um pouco de cor -em sentido literal e figurado- à audiência de mais de 600 pessoas.

Havia na plateia 580 jovens pesquisadores, convidados para conviver com outros 20 Nobel por uma semana, e bem uns 30 jornalistas. A maioria ficou mesmerizada com Chalfie e Tsien, que transformaram a proteína fluorescente verde (GFP, na abreviação em inglês) numa ferramenta crucial da biotecnologia. (...)

Chalfie e Tsien (...) contaram para os ávidos estudantes e jovens pesquisadores da plateia casos nada edificantes sobre a revista "Science", um dos mais influentes periódicos científicos do mundo. Ambos os artigos sobre a GFP que lhes valeram o Nobel enfrentaram resistência de editores e revisores.

No caso de Chalfie, os editores implicaram com o título e com a cor verde, que não ficaria bem na capa. Queriam mudar ambos, mas Chalfie só aceitou a primeira proposta. A capa ficou linda.

No caso de Tsien, um obstáculo mais sério: o artigo foi rejeitado, a princípio. Entre outras razões, porque um revisor anônimo alegara que a estrutura da variante mais útil de GFP projetada e decifrada pelo grupo nada revelaria sobre a função ecológica da proteína (coisa que ninguém estava procurando).

Circulou pela internet, na mesma época, o rumor de que a revista "Nature Biotechnology", uma concorrente, iria publicar a estrutura da GFP comum. Havia grande expectativa nos comentários. Tsien copiou-os e colou num e-mail para o editor da "Science". Seu artigo foi aceito.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 09h17

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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