Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Mais ou menos fora do ar

 
 

Mais ou menos fora do ar

Este blog ficará mais ou menos fora do ar até dia 4 de agosto, por motivo nobre: férias do responsável. De domingo (28/6) até quinta (2/7) estarei no 59] Encontro de Prêmios Nobel de Lindau (Alemanha), de onde pretendo postar algo, mas depois o silêncio será mais provável. Até a volta.

Escrito por Marcelo Leite às 11h36

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Nature e SciAm, agora juntas

 
 

Nature e SciAm, agora juntas

Dois gigantes da divulgação científica - os periódicos científicos da família Nature e todos os produtos leigos da grife Scientific American - se encontram agora sob o mesmo teto, o do Grupo Editorial Nature (NPG) britânico. Leia o que diz comunicado distribuído a jornalistas de ciência pela Nature:


NPG e Scientific American estão se unindo em um único negócio, subordinado ao diretor administrativo do NPG, Steven Inchcoombe. As duas marcas icônicas de Nature e Scientific American posicionarão o NPG como o mais autorizado e abrangente grupo de mídia científica, abarcando do consumidor ao acadêmico, do estudante de ensino básico ao pesquisador.


É impressionante ver reunidas as duas fontes de informação que estiveram na origem de meu interesse e aperfeiçoamento como jornalista de ciência. A SciAm não figura mais como uma fonte relevante ou frequente de pautas para repórteres da área (e a Nature, cada vez menos), mas ainda assim são publicações para lá de respeitáveis, cuja leitura contribui muito para manter todos os interessados em pesquisa a par do que vai pelo mundo, sobretudo fora de suas áreas de especialidade.

Verticalização, porém, sempre traz seus riscos. A Nature montou uma máquina eficiente de divulgação antecipada do conteúdo de duas dúzias de revistas e periódicos, à qual se agrega agora a SciAm. Esse serviço é por vezes acusado de privilegiar trabalhos com mais apelo científico que jornalístico [CORREÇÃO em 25/6, 11h20: obviamente, "mais apelo jornalístico que científico"], e a estréia da SciAm fornece algum apoio à tese.

No site da Nature para jornalistas de ciência, o artigo destacado da SciAm versa sobre uso de técnicas forenses para localizar a origem de uma carga de dez toneladas de marfim ilegal apreendida em 2006. Leitura de interesse certo, pois envolve um elemento inconteste de sucesso na área - bichos, e ainda por cima bichos ameaçados e populares como elefantes. Note, porém, a capa da SciAm internacional de julho (não confundir com a tradução brasileira):

Capa da edição de julho (Reprodução)

O tema é a nova geração de biocombustíveis (álcool celulósico, obtido de restos vegetais, capim etc. - já apelidado em inglês de "grassoline"). Parece bem mais relevante, diante da necessidade mundial de desembarcar dos combustíveis fósseis, tanto é que ganhou a capa. Mas tem menos chance de atrair a atenção de repórteres de ciência, deve ser o cálculo.

Passei os olhos pelo artigo, bem informativo. Não toca, porém, na enorme diferença de rendimento entre cana-de-açúcar e milho para obtenção de etanol no momento presente, nem das sobretaxas protecionistas impostas pelos EUA (que usam milho) ao produto do Brasil (campeão da cana). "Cana" e "Brasil", aliás, são mencionados uma só vez na reportagem de capa.

Escrito por Marcelo Leite às 11h23

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Ciência e Mídia

 
 

Ciência e Mídia

Recebi comunicado sobre curso de jornalismo científico no Recife em setembro, que reproduzo:


Com objetivo de fornecer ferramentas para a reflexão sobre os mecanismos e os processos de cobertura de temas de ciência e tecnologia em diferentes meios de comunicação – como televisão, rádio e internet, por exemplo – e aprimorar sua cobertura jornalística, será realizado o curso "Ciência e Mídia – Capacitação em jornalismo científico", em Recife, de 2 a 4 de setembro.

 

O curso, que é gratuito, terá 50 vagas e será voltado para jornalistas interessados em jornalismo científico, que já atuem, ou não, na área. O programa do curso reúne palestras, mesas-redondas e atividades práticas ministradas por cerca de 20 profissionais com diversas atuações na área de divulgação científica.

Será oferecido auxílio – passagem, hotel e alimentação - para 20 jornalistas que atuem em universidades, institutos de pesquisa e meios de comunicação de massa no Nordeste, exceto Recife, local onde o curso será realizado.

O curso é uma iniciativa da Coordenação de Gestão do Conhecimento do Departamento de Ciência e Tecnologia/Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida/ Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, da Assessoria de Comunicação do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fiocruz e da Coordenação de Comunicação Social da Fiocruz.

SERVIÇO:

Início das inscrições: 22 de junho

Público-alvo: jornalistas que atuem em meios de comunicação de massa, universidades e instituições de pesquisa

Fim das inscrições e prazo para postagem de documentação: 27 de julho (não serão aceitos documentos com data de postagem posterior)

Formulário de inscrição: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=2977 
Ementa e programação:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ementacienciamidia.pdf
Mais informações: decit@saude.gov.br

Endereço para envio da correspondência:
Ciência e Mídia - Curso de Capacitação em Jornalismo Científico
Ministério da Saúde
Departamento de Ciência e Tecnologia
Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 8º Andar, Sala 851
70058-900 Brasília – DF

Escrito por Marcelo Leite às 14h14

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Em Brasília, 19 horas

 
 

Em Brasília, 19 horas

Há dez dias estive em Recife. No voo de volta, o Airbus-310 despegou-se da pista às 17h30. O céu já estava escuro, quase noite, como que agourando um percurso em que não faltariam avisos de apertar os cintos por causa de turbulências. (...)

Recife fica na longitude 35 Oeste. Geograficamente isso põe a cidade dois fusos horários à esquerda do meridiano de Greenwich (0). Ou seja, com duas horas a menos que Londres (UTC -2, na nomenclatura).

Pela lei nacional, porém, aquele extremo oriental do Nordeste e do Brasil está no fuso UTC -3. O sol se pôs naquela sexta-feira às 17h11, mas essa era a hora de Brasília, não de Recife. "Pela hora de Deus", como dizia o padre de Ubatuba que se recusava a adiantar o relógio da igreja no horário de verão, eram já 18h11. (...)

Leio agora que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou a unificação de todos os fusos horários do Brasil. (...)

Nada mudaria no Nordeste. Pense, porém, na cidade de Cruzeiro do Sul (73 Oeste), no extremo ocidental do Acre. Até um ano atrás, e isso desde 1913, estava onde deveria estar, no fuso UTC -5 (duas horas a menos que Brasília). Mas a lei nº 11.662/2008 arrastou-a para o fuso UTC -4.

Vingando o que os senadores ora ensaiam, o pessoal de Cruzeiro do Sul avançaria mais uma hora, para o fuso UTC -3. (...) O nascer do sol foi às 7h01 na última sexta-feira. Imagine se os relógios estivessem marcando 8h01.

Seria uma crueldade com as crianças que vão à escola de manhã. Não basta levantar cedo, num horário em geral incompatível com a fisiologia do aprendizado. Para piorar, ainda teriam de sair de casa e começar as aulas no escuro. (...)

Brasília é um lugar estranho. Ali se acredita que, se a lei disser, as suas 19h valem para todo o país. Como se o Brasil inteiro falasse numa única voz -a voz do dono.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 19h01

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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