Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Novos sapos e outros bichos no Equador

 
 

Novos sapos e outros bichos no Equador


Hyalinobatrachium pellucidum (Foto: Luis Coloma)


Recebo da ONG Conservação Internacional comunicado à imprensa ("press release") sobre campanha rápida de levantamento de biodiversidade organizada no Equador. Leia trecho do comunicado e depois mais algumas imagens dos bichos.


As novas espécies foram descobertas durante um Programa de Avaliação Rápida (RAP, na sigla em inglês) da ONG Conservação Internacional (CI) nas florestas da Cordilheira do Condor no sudeste do Equador, uma área de grande importância biológica, ecológica e social, próxima à fronteira com o Peru. A expedição científica teve como foco a bacia do alto rio Nangaritza, que é isolada de outras regiões dos Andes em termos geológicos, o que ajuda a estimular a evolução de espécies endêmicas, ou seja, aquelas que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo.

 

No total, foram descobertos quatro anfíbios, um réptil e sete insetos, incluindo uma salamandra de olhos esbugalhados e um minúsculo e venenoso sapinho-ponta-de-flecha do gênero Dendrobates. A CI espera que estas descobertas estimulem o governo do Equador a fortalecer a proteção da área, que fica próxima a um parque internacional da paz, criado no final dos anos 90 para marcar o fim das hostilidades entre o Equador e o Peru depois de décadas de disputa pela área fronteiriça.


 

Sapinho do gênero Dendrobates (Foto: Jessica Deichmann)

Salamandra do gênero Bolitoglossa (Foto: Jessica Deichmann)

 

Escrito por Marcelo Leite às 15h04

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Diligência

 
 

Diligência

Já usei outra oportunidade para recomendar aqui um livro do médico americano Atul Gawande, "Complicações" (Editora Objetiva, 2002). Repito a dose agora com "Better" ("Melhor"; Metropolitan Books, 2007), ainda sem tradução no Brasil.

(...)

Sua outra identidade o leva a frequentar a redação da revista "The New Yorker". Na edição deste mês, Gawande tem um artigo sobre custos de serviços de saúde. Vale a pena ler os parágrafos de abertura: "É primavera em McAllen, Texas. O sol da manhã está quente. As ruas são ladeadas por palmeiras e picapes.

McAllen fica no condado de Hidalgo, que tem a menor renda familiar do país, mas é uma cidade de fronteira, e uma próspera zona de comércio exterior que tem mantido a taxa de desemprego abaixo de 10%. McAllen se intitula Capital Mundial da Dança de Quadrilha. (...)

"McAllen se destaca, também, como um dos mais caros mercados de serviços de saúde do país. Só Miami -que tem mão de obra e custo de vida muito mais caros- despende mais por habitante em cuidados de saúde."
(...)

As palavras, conceitos, dados e cenas se encadeiam de forma quase natural. Ele escreve como quem sutura, camada a camada. Sem pressa nem desleixo, pontos sólidos mas não apertados. Quem contempla a cicatriz quase imperceptível mal adivinha as bordas do que já foi uma ferida aberta.

(...)

"Melhoramento é um trabalho perpétuo", sentencia Gawande logo na introdução. E se dedica a partir daí a traçar retratos comoventes de pessoas que se dedicam a ele de modo insistente, se não maníaco. Como Pankaj Bhatnagar, um pediatra e supervisor da Organização Mundial da Saúde que o autor acompanhou por três dias durante uma campanha de vacinação antipólio na paupérrima região de Karnataka, na Índia.

Pankaj vai de posto em posto interrogando vacinadores e auxiliares. Não faz reprimendas, mas suas saraivadas de perguntas invariavelmente trazem à tona falhas operacionais, como a encomenda insuficiente de gelo para acondicionar as doses.

Faz algo parecido com mulheres muçulmanas propensas a recusar a vacina dos hindus para seus filhos. Espinafra, porém, o funcionário que grita com uma delas. "Seus berros não ajudam em nada, assim como não ajudará a circulação do rumor de que estamos forçando as pessoas a tomar as gotas", transcreve Gawande.

O final do texto é primoroso, de humilhar jornalistas que se consideram bons redatores. As palavras são de Pankaj, mas Gawande as escolheu como fecho. Depois de perguntar ao colega o que faria quando a poliomielite acabasse na Índia, ouviu: "Bem, sempre haverá o sarampo".


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 14h53

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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