Ciência em dia
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Furacão na estação antártica brasileira

 
 

Furacão na estação antártica brasileira

Escrito por Marcelo Leite às 18h26

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O milagre de Dayton

 
 

O milagre de Dayton

Foto: Reprodução

Com indesculpáveis cinco meses de atraso, tropecei na inacreditável notícia publicada no site The Onion sobre Charles Darwin. Uma imagem do homem teria aparecido espontaneamente no muro do tribunal de Dayton, Tennessee (EUA), onde se realizou o famigerado "Julgamento Scopes", ou "Monkey Trial", de 1926.  Leia aqui.

Repare bem na foto acima. Agora leia a legenda perpetrada pelos redatores da Onion: "Peregrinos darwinianos sustentam que a imagem os preenche com um sentimento avassalador de lógica". É de chorar de rir.

Escrito por Marcelo Leite às 10h34

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Feliz aniversário, Darwin

 
 

Feliz aniversário, Darwin

Charles Darwin completaria hoje 200 anos, não fosse pela seleção natural. Ela, afinal, é a maior responsável pelo barroco processo de desenvolvimento que leva os organismos complexos inexoravelmente à morte - conceito que não se aplica muito a bactérias e arqueobactérias, seres que se reproduzem gerando clones de si próprios, partilham identidades com a transferência horizontal de genes e podem ficar milênios em vida suspensa (no gelo, por exemplo).

A contribuição de Darwin para a ciência e para a história, porém, continua viva, e muito viva, exatamente com a ideia de seleção natural. Só por isso ele já merece os parabéns. Feliz Aniversário, Darwin.

Até o Vaticano decidiu render-lhe homenagem. Graças ao leitor Thiago Blumenthal, este blog tomou cohecimento de reportagem  de Richard Owen no jornal britânico The Times dando conta de que uma destacada figura da Sante Sé, o arcebispo Gianfranco Ravasi, declarou ontem não haver incompatiblidade entre evolução e fé cristã (ao contrário do que sustentam ultradarwinistas como Richard Dawkins).

É um passo a mais no caminho aberto por João Paulo 2º em 1996, quando disse que a evolução era mais que uma hipótese - afirmação predileta dos criacionistas, na tentativa desesperada de equiparar sua "teoria" (em verdade, dogma) sobre a origem da diversidade dos organismos.

Segundo Owen, Ravasi teria dado também um golpe fatal na turma do design inteligente, que tinha esperança de ver o papa Bento 16 pender para o seu lado. Numa conferência papal em março sobre os 150 anos da obra magna de Darwin, Origem das Espécies, o tema será tratado apenas como "fenômeno cultural", e não como questão científica ou teológica.

Escrito por Marcelo Leite às 11h24

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Darwin aos 200 - hora de morrer?

 
 

Darwin aos 200 - hora de morrer?

Pretendia comentar mais demoradamente, mas falta tempo. Então apenas recomendo a leitura do caderno de ciência do jornal The New York Times de ontem, que contém coisas boas e coisas novas (juntas, note bem) sobre o bicentenário de nascimento de Charles Darwin, que se comemora amanhã.

Gostei bastante do artigo de Nicholas Wade, um repórter de ciência que não canso de ler há mais de 20 anos. Ele trata da perenidade das idéias de Darwin. Mas peço especial atenção para o texto provocador de Carl Safina, para quem está na hora de matar Darwin, sob o argumento de que o melhor da teoria da evolução foi realizado depois dele e não pelo próprio.

Não concordo muito com Safina, porque a pedra angular da evolução continua sendo a seleção natural e ela foi proposta por Darwin, mas também é certo que a robustez de seu pensamento, ainda hoje, é inseparável da genética e do conceito biológico de espécie (embora este e a árvore da vida tenham lá seus problemas com com transferência horizontal de genes e organismos que não se reproduzem sexuadamente).

Não creio que abandonar o termo personalista "darwinismo" vá facilitar tanto assim a assimilação da evolução, mas concordo inteiramente que insistir em propagá-la como ideologia ou credo é o pior serviço que se pode prestar a essa grande ideia.

Escrito por Marcelo Leite às 10h02

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Lamarck vive

 

Jean Baptiste Pierre Antoine de Monet de Lamarck (1744-1829) figura entre os mais vilipendiados personagens da ciência. Assim como o Salieri de Mozart, na música, o senso comum o trata como uma besta quadrada, eclipsada pela genialidade de Charles Darwin (1809-1882). (...)

A homenagem que se pode fazer a um cientista consiste em aplicar suas ideias para fazer a ciência avançar. Larry Feig, da Universidade Tufts de Boston, prestou portanto um grande tributo a Lamarck com seu artigo no periódico "The Journal of Neuroscience" de quarta-feira passada, mostrando que o pensamento de Lamarck está vivo. Em camundongos. (...)

Feig (...) provou que o ambiente em que vivem fêmeas na adolescência -duas a quatro semanas após o nascimento, no caso- afeta não só a própria capacidade de formar memórias (aprender), como também a de seus filhotes. Independentemente do ambiente que a prole enfrentar, na adolescência ou em qualquer tempo.
 
O grupo de Boston estava interessado na persistência de efeitos benéficos da exposição a ambientes enriquecidos. No caso, gaiolas maiores que as convencionais e cheias de brinquedos, como rodinhas para correr. Já se sabia que isso melhora o desempenho dos camundongos em testes padronizados, como labirintos.

O que não se sabia é que favorece também os filhotes das mães estimuladas. Só das mães, não dos pais. E se trata de algo hereditário, pois o benefício não desapareceu quando fetos de mães estimuladas foram gestados por barrigas de aluguel não estimuladas.

A vantagem não se manifestou, além disso, quando filhotes de mães sem gaiola de luxo foram paridos por mães privilegiadas. E ficou restrita à primeira geração, sumindo nas subsequentes. O ambiente rico não pode tudo, mas o estímulo às roedoras, por outro lado, mostrou-se tão robusto que foi capaz até de reverter a "burrice" induzida em camundongos geneticamente modificados para atrapalhar sua formação de memórias. (...)

Em termos humanos, equivaleria a dizer que a qualidade da educação oferecida a adolescentes do sexo feminino pode ter um peso considerável na capacidade de aprendizado de seus futuros filhos.

Feig evita especular sobre a probabilidade de valer também para humanos essa adaptação que protege contra a privação sensorial. "É possível que seja exclusiva de roedores", admitiu num e-mail. "Há um corpo crescente de evidências de que fenômenos como esse podem acontecer em humanos. Isso é o mais longe que eu posso ir."


Lei a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes). E, já que você vai estar logado no site do jornal aproveite para ler o material especial sobre Darwin publicado no caderno Mais, começando pela reportagem de Sylvia Colombo sobre pesquisa realizada no Reino Unido, que apontou maioria de crentes no design inteligente (contra a teoria da evolução darwiniana) e relaciona a opinião de alguns pesquisadores evolucionistas contrários à cruzada de Richard Dawkins contra a religião.

A coluna de Marcelo Gleiser, "Darwin e a escravidão", destaca o livro "Darwin's Sacred Cause", dos biógrafos Adrian Desmond e James Moore, e segue  a resenha de Christopher Benfey publicada no jornal The New York Times exatamente uma semana atrás. Aliás, o jornal também oferece o primeiro capítulo do livro para leitura.

A tese de Desmond e Moore parece bem interessante: Darwin teria sido levado a concluir pela existência de uma ancestral comum de todos os seres vivos mais por força de uma convicção moral (todos os homens são iguais, inclusive negros e índios) do que por suas observações. Bem, essa é a versão curta e simples - provavelmente é bem mais sofisticada que isso, mas vou ter de esperar chegar o livro para verificar.

Escrito por Marcelo Leite às 11h05

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Marcelo Leite Marcelo Leite é jornalista, colunista da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".

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