Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Não perca: Blog do Monbiot

 
 

Não perca: Blog do Monbiot

Quem disse que jornalista não gosta de boa notícia? Eis aqui uma: George Monbiot, o mais informado, impiedoso e cáustico colunista sobre meio ambiente y otras cositas más do planeta, agora tem seu próprio blog no jornal Guardian. Imperdível. Noves fora o fato de que você não vai encontrar muitas boas notícias no que ele escreve.

Escrito por Marcelo Leite às 14h36

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Fogo Verde - novo livro

 
 

Fogo Verde - novo livro

 

Acabo de receber exemplares impressos de meu novo livro de ficção paradidática infanto-juvenil, Fogo Verde. É o terceiro volume da série Ciência em Dia, criada em parceria com a Editora Ática para despertar a atenção de adolescentes para temas de ciência com repercussão social, partindo de historinhas de aventuras com os gêmeos Tiago e Francisco.

Neste Fogo Verde, a dupla se envolve em confusões numa região de fazendas de cana do interior de São Paulo. Os temas são biocombustíveis e conservação florestal. Eis como a Ática resume a trama, em seu site: "Tiago e Francisco deparam com uma perigosa conspiração para incendiar matas reservadas. Em férias na fazenda do amigo Beto, os dois irmãos demostram coragem e criatividade para conseguir se livrar da enrascada em que se envolveram e ainda proteger a mata."

Os dois volumes anteriores foram: Clones Demais, sobre clonagem humana, e O Resgate das Cobaias, sobre experimentação com animais. Todos os três contam com as boas ilustrações de Cris Eich (veja exemplo abaixo). Alguma sugestão de tema para o quarto volume?

Escrito por Marcelo Leite às 12h09

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Erros e furos de Darwin

 
 

Erros e furos de Darwin

Os criacionistas vão adorar a capa acima reproduzida. Mas só porque eles são propensos a distorcer tudo e a enxergar qualquer debate sobre evolução por seleção natural como erros e furos definitivos de Darwin e confirmações cabais de que Deus ou um designer oculto criou a vida.

Fato é que a revista New Scientist está dando duas contribuições involuntárias para alimentar essa mistificação, com essa matéria de capa da semana passada e com um painel de opiniões sobre os maiores "furos" (gaps) na teoria da evolução - ambas matérias excelentes, que dão o que pensar.

A matéria da semana passada, assinada por Graham Lawton, apresenta um debate contemporâneo sobre um item central da contribuição de Charles Darwin - cujo nascimento completará 200 anos no próximo dia 12 - para a biologia, a noção de árvore da vida.

O título da matéria, apenas sugerido na capa, é "Por que Darwin estava errado sobre a árvore da vida". Ou seja: por deduzir e representar  graficamente que toda a evolução se dá por diversificação progressiva tendo como mecanismo básico a especiação. O seu clássico desenho na famosa caderneta indica com o número 1 que a noção implica a existência de um ancestral comum para todos os seres vivos, outra idéia poderosa.

Pois bem. Desde a publicação de Origem das Espécies, 150 anos atrás, essa representação cristalina embaralhou-se. Os galhos e ramificações da árvore não são inteiramente segregados, num processo de descendência arrumadinho, que passa genes de uma geração para outra, assim como mutações associadas com adaptações felizes, de modo mendeliano e ordeiro.

No enorme universo das bactérias e arqueobactérias, as formas dominantes de vida, há uma promiscuidade genética total. Esses micro-organismos trocam material genético o tempo todo. É o que se chama de transferência horizontal de genes, algo difícil de conciliar com o conceito de espécies discretas, platônicas e imiscuíveis.

No outro grande ramo da árvore da vida - o dos eucariotos, todo o restante, de protozoários a plantas e mamíferos, inclusive nós - a confusão é garantida pela endossimbiose. Quer dizer: fusões de micro-organismos ocorridas num passado longínquo, como os que se tornaram mitocôndrias e cloroplastos. Também há promiscuidade garantida por mais transferência horizontal de genes e assimilação de genes virais por genomas, como ocorre com o nosso e muitos outros.

Tudo isso posto, ainda acho a idéia da árvore da vida genial. Descreve bem o que se passa no plano das espécies mais desenvolvidas, aquelas com as quais temos mais familiaridade. É poderosamente expressiva e didática. Não vejo por que abandoná-la - basta complicar o que precisa ser complicado.

Leia também o editorial da revista sobre o assunto.

"Furos"

Já a edição da NS apresentada hoje, que deve entrar na página da revista amanhã, traz um painel de 14 respostas de celebridades e especialistas da biologia para a pergunta: quais são as principais lacunas remanescentes na teoria da evolução?

Richard Dawkins está lá, assim como Steven Pinker e Niles Eldredge. São respostas inteligentes, na maioria, e algumas verdadeiramente originais - mas nenhuma dará argumentos para criacionistas, não adianta se assanhar. Não vou estragar a surpresa, mas traduzo aqui minha resposta preferida, de Frans de Waal:


Por que os humanos ruborizam?  Somos os únicos primatas que fazem isso em consequência de situações embaraçosas (vergonha), ou quando somos pegos na mentira (culpa), e ficamos nos perguntando por que, afinal, precisamos de um sinal tão óbvio para comunicar esses sentimentos de auto-consciência. O rubor interefere com a manipulação inescrupulosa de outros humanos. Estiveram os primeiros humanos sujeitos a pressões seletivas para mantê-los honestos? Qual era o seu valor de sobrevivência?

Escrito por Marcelo Leite às 16h47

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O vestido verde de Obama

 
 

O vestido verde de Obama

 

Sinal dos tempos: o vestido verde - amarelo-limão? - de Michelle Obama chamou mais a atenção do que o discurso de seu marido, Barack Hussein. Mas as palavras de Obama chegaram vestidas a caráter, na cor mais adequada para a estação ingrata que se avizinha. O presidente negro desfilou-as com sobriedade quase decepcionante. (...)
 
Tudo foi muito convencional e americano: as várias menções a Deus, o agradecimento de praxe a eleitores e apenas protocolar a George W. Bush, o culto aos heróis de guerra e à ameaça perene do terrorismo. Logo no quinto parágrafo, porém, ao iniciar a parte substantiva do discurso, Obama estabeleceu um vínculo estratégico que introduz a novidade real em seu governo:

"Nosso sistema de saúde é oneroso demais, nossas escolas reprovam alunos demais e cada dia traz mais evidência de que a maneira de usarmos energia fortalece nossos adversários e põe em risco nosso planeta".

Obama, presidente de um país obcecado com a ameaça externa a ponto de reeleger Bush, não poderia deixar de referir-se ao inimigo. Poderia, talvez, omitir a questão energética, ponto nevrálgico do "american way of life", e apenas reafirmar de modo genérico a defesa do ambiente. Não o fez.

Fez mais: explicitou algo que nem os críticos mais ácidos de Bush se lembram de vincular, quando deploram a invasão arbitrária do Iraque. A saber, que ela nada teve de arbitrária, pois aquele país se encontra na maior província petrolífera da Terra. E lembrou que invadir o Iraque tem o mesmo propósito das tentativas de negar o aquecimento global -manter o petróleo barato no centro do "american way of life". (...)

Por fim, é importante notar que Obama incluiu a curiosidade entre os valores dos quais depende o êxito de sua gente (trabalho duro, honestidade, coragem, equanimidade, tolerância, lealdade e patriotismo). Não curiosidade pelo vestido verde, mas espírito científico, exploratório e inovador. Que não fique só no discurso, como fez boa parte da imprensa.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo (aqui http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2501200907.htm, só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 17h48

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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