Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

O mundo segundo Gapminder

O mundo segundo Gapminder

 

Várias horas de viagem num carro pelo interior do Paraná com José Alberto Sampaio Aranha, da PUC do Rio, serviram para trocar muitas idéias (e ninguém saiu perdendo, creio que posso garantir). De minha parte, soube por ele de um site genial, Gapminder.

São gráficos e mapas que apresentam, de modo animado, a evolução de indicadores selecionados pelo usuário, para vários países ao mesmo tempo e ao longo dos anos, simultaneamente com dados como população, renda etc. Veja um exemplo aqui, sobre expectativa de vida, mas não se esqueça de apertar o botão "play".

Dá também para mexer nas escalas, selecionar países para plotar suas trajetórias isoladamente, o escambau. As possibilidades são enormes. Alguns minutos de exploração me puseram boquiaberto e fascinado. Recomendo assistir antes ao tutorial de pouco mais de dois minutos.

Escrito por Marcelo Leite às 23h04

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O desmatamento zero e o filósofo conservador

O desmatamento zero e o filósofo conservador

Não costumo concordar muito com o que o filósofo Denis Lerrer Rosenfield escreve, mas desta vez tenho de dar o braço a torcer: mesmo não conhecendo o Projeto Preservar do Instituto Alerta Pará, que Rosenfield aborda hoje em seu artigo "Desmatamento zero", no Estadão, tenho de concordar com ele.

Mesmo desgostando do vocabulário, dá para acompanhá-lo sem outras dificuldades quando afirma, logo na abertura do texto: "A Amazônia não se tornará um zoológico ambiental, para turistas europeus e americanos usufruírem suas férias. A Amazônia tampouco será vítima de processos de exploração predatória, que podem vir a destruir um dos mais ricos ecossistemas do planeta. Um meio-termo deverá ser encontrado, em que haverá a preservação do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e a incorporação de populações carentes ao processo produtivo".

Não é verdade?

Outra pergunta: é impressão minha ou o filósofo está amenizando o tom adotado em outros artigos que tinham a ver com a Amazônia? Um tom, por assim dizer, mais conservador - no bom sentido?

Escrito por Marcelo Leite às 19h37

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140 mil anos de solidão

140 mil anos de solidão

 

A escrava Anastacia (Foto: Reprodução/"Negras imagens"/Edusp)

Chegou à praça um livrinho precioso, "Humanidade Sem Raças?" (Publifolha, 69 págs. R$ 12,90), do geneticista Sérgio D.J. Pena. Aviso logo que tive alguma participação no contato entre autor e editor, minúscula. Não desaconselha o elogio, que vem aqui acompanhado de uma apreciação crítica. (...)

O cerne do argumento está na constatação, lançada pelo americano Richard Lewontin, de que há mais diversidade genética no interior de populações humanas geograficamente delimitadas, como os africanos, do que na comparação entre populações. (...)

Raças não constituem, portanto, os tipos homogêneos que inspiravam as teorias racistas "científicas" dos séculos 19 e 20. Mesmo a substituição de "raça" por "população", na segunda metade do século passado, foi incapaz de desconstruir o suposto apoio científico para a contínua discriminação entre seres humanos.

Pena sugere uma saída radical: substituir a idéia de raça pela de indivíduos únicos, no sentido pleno da expressão latina "sui generis". Seria a única posição compatível com as constatações da moderna ciência genômica -a humanidade sem raças mencionada no título. "Uma grande família."

A ciência natural pode e deve contribuir para problematizar as noções correntes, forçando sua revisão e adaptação. Mas ela não consegue por si só desfazer, com os fatos iluminados por seu facho direcional, aquilo que viceja na selva escura das interpretações e dos valores. (...)

Imagine o leitor que a genômica venha a identificar uma correlação de certos genes com aptidões e comportamentos (in)desejáveis. E que seja possível demonstrar que eles ocorrem com freqüência maior em populações identificadas como "negras" ou "brancas". Não faltará quem conclua que esta ou aquela é "superior". (...)


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha, aqui (se for assinante do jornal ou do UOL).

Escrito por Marcelo Leite às 18h55

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Expertise vegetal

Expertise vegetal

Pesquisadores dos Estados Unidos e do Equador desvendaram mais um pedaço do vasto enigma da origem da biodiversidade na floresta amazônica. Depois de estudar características e posições relativas de 150 mil árvores numa área equivalente a 25 campos de futebol, concluíram que a alta diversidade -1.100 espécies presentes- não é um mero fruto do acaso, mas sim da necessidade.

O estudo de Nathan Kraft, Renato Valencia e David Ackerly (que ainda estudante fez pesquisa de campo em Mato Grosso, nos anos 1980) está na última edição do periódico "Science". Eles trabalharam com um banco de dados de todas as árvores com mais de 1 cm de diâmetro num campo experimental da Floresta Yasuní, no leste do Equador. (...)

Essa grande variedade tropical sempre intrigou especialistas. Há duas explicações concorrentes para o fato. A mais popular diz que cada árvore se encontra onde está porque todas são muito competentes em explorar pequenas variações nas condições do meio, o chamado nicho ecológico.

"Uma visão clássica em ecologia é que as espécies se especializam em "ganhar a vida" de diferentes modos numa comunidade", explica Kraft. "Essas estratégias especializadas -por vezes chamadas de "nicho" da espécie- promovem a coexistência por reduzir a competição entre espécies."

Na outra ponta está a explicação com base em processos "neutros", de um ponto de vista ecológico. Por exemplo, fatores aleatórios envolvidos na dinâmica demográfica das populações de árvores.

As variações de umidade, tipo de solo ou topografia não seriam suficientes para uma comunidade particular de espécies estabelecer-se em determinada área da floresta, segundo essa visão. Sua composição seria mais fruto do acaso na sobrevivência e na dispersão das plantas. Cada lugar poderia ser ocupado por árvores de qualquer espécie.

Kraft, Valencia e Ackerly alimentaram o banco de dados com medidas de várias características associadas com a estratégia ecológica das árvores, de área de folhas a peso de sementes e altura do tronco. Depois, analisaram as semelhanças e diferenças entre os conjuntos de características encontrados em quadrados de 20 metros por 20 metros.

A seguir, compararam essa dispersão geográfica de peculiaridades com uma floresta ideal gerada por computador, segundo o princípio da distribuição aleatória. As análises estatísticas, afirma Kraft, forneceram "evidências que apóiam a visão baseada em nichos numa das florestas tropicais mais diversas do planeta". (...)


Leia a íntegra de minha reportagem na Folha, aqui (se for assinante do jornal ou do UOL).

Escrito por Marcelo Leite às 18h41

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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