Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Sérgio Abranches e o grão de pré-sal

Sérgio Abranches e o grão de pré-sal

Não é sempre que consigo tempo para ler o que Sérgio Abranches escreve no site O Eco. Quando arranjo, nunca me arrependo. Veja como ele conclui sua coluna "Da crise sairá a nova economia", levada ao ar ontem:


Esse atraso em compreender o desafio climático e buscar um padrão de desenvolvimento de baixo carbono, pode custar caro ao Brasil. Embora sejamos um dos países com melhores condições para fazer a transição para a nova economia, sem sacrifícios, a correlação de forças que domina a sociedade e este governo está ligada ao passado e às tecnologias de alto carbono. Para o Brasil, a agenda climática poderia ser, tranqüilamente, uma agenda de “desenvolvimento verde”, com ganhos correlatos em educação, progresso técnico e científico e saúde pública. Mas, o reacionarismo de nossa elite e o atraso de nosso governo nos expõem ao risco do isolamento na política global do clima e de sanções comerciais, que poderão nos ser muito prejudiciais, exatamente na saída da recessão que se avizinha. Não seremos uma ilha de crescimento na recessão global, nem prosperaremos como uma economia que escolhe ficar com a sucata industrial do século XX, na esperança de com ela crescer no século XXI. O século XX morreu e, com ele sua indústria e sua principal fonte de energia. Quanto mais cedo forem enterrados e esquecidos, maiores nossas chances de sucesso nas próximas décadas.

Escrito por Marcelo Leite às 19h05

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Sem palavras

Sem palavras

Esta eu recebi de Pai Sabino, que desentoca qualquer peixe e não tem medo de jacaré.

Escrito por Marcelo Leite às 18h52

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Valor e fraude em ciência

Valor e fraude em ciência

Um pouco antes da mesa-redonda de sábado na exposição Einstein (leia aqui), um dos palestrantes - o físico Carlos Escobar - alertou-me para extenso material publicado no caderno EU & Fim de Semana do jornal Valor Econômico, de autoria de Carla Rodrigues, sob o título "É proibido colar" (aqui, para cadastrados).

O ponto de partida é o caso de plágio que pôs em polvorosa o Instituto de Física da USP, já comentado por mim (leia aqui). Rodrigues, porém, amplia o debate para incluir várias iniciativas pelo mundo para enfrentar a epidemia.

Lendo sua reportagem, lembrei-me de um livro vigoroso, ainda que um pouco moralista, que li e resenhei: The Great Betrayal – Fraud in Science (A Grande traição - Fraude em ciência), de Horace Freeland Judson (Harcourt, 2004, ISBN 0151008779). Não consegui encontrar link da resenha na internet, feita em 2005 para a revista EntreLivros. Mas reproduzo alguns trechos que vêm a calhar, inclusive e sobretudo o parágrafo final:

Horace Freeland Judson é um jornalista de ciência que se notabilizou por escrever o jovem clássico The Eighth Day of Creation (O Oitavo Dia da Criação, 1979), um dos  principais livros sobre a história da descoberta da estrutura em dupla hélice do DNA. Partindo daquela monumental reportagem, Judson enveredou pela história ciência, tornando-se diretor do Centro para História da Ciência Recente da Universidade George Washington. Sua meticulosidade no manejo de fontes escritas e entrevistas fazem deste The Great Betrayal (A Grande Traição) um forte candidato a ocupar lugar honroso na literatura sobre fraude científica.

A maior qualidade do livro é que Judson não se limita a narrar casos de fraude. Ele se propõe a extrair da narrativa sobre vários episódios algumas conclusões sobre a própria natureza da investigação científica no mundo contemporâneo, sob intensas pressões de competitividade. Traça paralelos instigantes com o aumento concomitante dos casos de fraude financeiras (Enron, Worldcom) e jornalística (Jason Blair).(...)

Nos capítulos finais, o fôlego analítico de Judson se revela quando tece relações entre a ocorrência contemporânea de fraudes e outras questões relevantes para a sociologia da ciência, como as deficiências do mecanismo de peer-review (revisão por pares). Dirige palavras duras também para a autoria banalizada (artigos com autores demais) e propriedade intelectual. E ainda encontra ânimo para especular sobre as implicações da emergência de publicações eletrônicas sem peer-review e as atualmente tensas relações entre o mundo judicial e a esfera da ciência. (...)

Como é farto em detalhes sobre os casos mais rumorosos de fraude, a obra oferece um panorama revelador dos meandros da ciência realmente existente, que tem muito pouco a ver com a atividade idealizada no imaginário social. Ao ocupar-se dos tropeços de cientistas de carne e osso, também eles movidos por interesses e vaidade, chama a atenção do público para um problema que se generaliza, ao menos na cena internacional, embora não sejam ainda muitos os casos conhecidos no Brasil –provavelmente, pela crônica moléstia nacional da subnotificação.

Escrito por Marcelo Leite às 20h50

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Nobel - não foi desta vez

Nobel - não foi desta vez

 Arquivo pessoal

Não foi desta vez que o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia saiu para Robert Gallo, co-descobridor do vírus da Aids, o HIV. O prêmio -na realidade, só meio prêmio- ficou com o célebre Luc Montagnier e a quase desconhecida Françoise Barré-Sinoussi. A outra metade, mais que merecida, foi para Harald zur Hausen, por ter identificado o papilomavírus humano (HPV) como origem do câncer cervical (no colo do útero). (...)

Não foi desta vez, tampouco, que o Nobel de Medicina saiu para Fernando Nottebohm, Elizabeth Gould e Fred Gage, como aqui se desejou na semana passada. Não era uma previsão, mas alguns leitores assim entenderam. Mantenho a esperança de que os descobridores da neurogênese (formação de neurônios novos) em adultos um dia sejam recompensados.

Não foi desta vez, por fim, que o Nobel de Medicina saiu para Miguel Nicolelis. Mais de um leitor cobrou a falta de patriotismo da última coluna, por omitir o brasileiro da Universidade Duke (EUA) e do Instituto Internacional de Neurociência de Natal.

A primeira vez que ouvi a previsão sobre Nicolelis foi em abril de 2005, de Dennis Meredith, chefe da assessoria de comunicação da Duke. Foi numa conversa marcada por Nicolelis, cujo laboratório eu visitava para uma reportagem na "Revista da Folha".

Meredith afirmou que o comunicado sobre a interface cérebro-máquina de Nicolelis havia sido um dos mais importantes de sua carreira. Graças aos eletrodos implantados na cabeça de macacos, eles conseguem acionar robôs só com o "pensamento". É o primeiro passo para que um dia seres humanos amputados comandem próteses robóticas.

Mesmo admirando o trabalho, permaneci cético. O Nobel de Medicina costuma ser dado para descobertas de processos básicos do organismo. Em geral para biologia molecular, nas últimas décadas, ou para a identificação de vírus e bactérias como causas de doenças importantes. Nicolelis não se encaixa nesse figurino. (...)

Não é torcida contra, nem a favor - até porque Prêmio Nobel não é Copa do Mundo.


Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na Folha de S.Paulo, aqui, se for assinante.

Escrito por Marcelo Leite às 19h01

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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