As políticas do embrião
É uma pena que o artigo "Identificando Países com Desempenho Baixo e Alto em Pesquisa Relacionada com Células-Tronco Embrionárias Humanas", de Aaron Levine, tenha sido publicado uma semana depois da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) favorável à pesquisa com embriões. Ele deixaria mais claro todo o atraso do debate brasileiro sobre pesquisa biomédica.
O estudo de Levine, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA), foi editado eletronicamente no periódico "Cell Stem Cell". Ele compara 16 países que produziram pelo menos 1% dos estudos sobre o assunto (ou outros temas de biomedicina) publicados desde 1998, quando o grupo de James Thomson na Universidade de Wisconsin anunciou a primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas (CTEHs, para encurtar).
A constatação de Levine é meio óbvia: países com mais restrições legais à pesquisa com embriões têm desempenho mais baixo na área. Mas sempre é útil ver o óbvio encarnado em dados verificáveis. Especialmente naqueles lugares do planeta onde -talvez por influência de fatores climáticos- parece mais difícil enxergar o óbvio.
O Brasil, como seria de esperar, não passou pela barreira de 1%. Eis os 16 que entraram, ordenados pela fatia do total mundial de estudos sobre CTEHs (entre parênteses): Estados Unidos (36%), Reino Unido (11%), Japão (10%), Alemanha (5,7%), Israel (5,4%), China (5%), Austrália e Coréia do Sul (3% cada), Cingapura e França (2,9%), Canadá (2,7%), Suécia (2,1%), Itália (1,4%), Espanha e Holanda (1,2%) e Suíça (0,3%). Todos os outros países juntos somam 6,1% dos estudos.
Leia a íntegra da coluna Ciência em Dia na página da Folha de S.Paulo.
Pós-escrito
Não deu para explicar em detalhes na coluna, mas o ranking composto por Aaron Levine é engenhoso. Para obter uma medida do desempenho relativo de cada país com células-tronco embrionárias humanas, ele comparou a produção nessa área (número de artigos em periódicos científicos) com outro ramo quente de pesquisa, os estudos sobre interferência de RNA. Os dados estão na tabela acima; já a posição de cada país incluído no ranking, em ambos os setores, pode ser avaliada no gráfico abaixo.
