Marcelo Leite

Ciência em Dia

 

Pai e mãe da biopirataria

Pai e mãe da biopirataria

Desenho de Henry Wickham mostra detalhes da Hevea brasiliensis

Um dos eventos decisivos da história do Brasil teve lugar na Amazônia e, como tudo que vem de lá, é muito falado e pouco conhecido: o contrabando de cerca de 70 mil sementes da seringueira Hevea brasiliensis de Santarém para os Kew Gardens de Londres, em 1876, por sir Henry Alexander Wickham (1846-1928).

O episódio é considerado “a mãe de todas as biopiratarias”, como se escreveu aqui em setembro de 2007. Duas coisas passaram então em branco: quem foi, afinal, Henry Wickham, e por que demorou até a véspera da Primeira Guerra Mundial para o golpe da potência britânica render dividendos.

Essa lacuna histórica e de informação acaba de ser preenchida com a leitura de “The Thief at the End of the World” (O Ladrão no Fim do Mundo), de Joe Jackson (Viking, 2008, 414 págs., US$ 27,95). Recomenda-se a leitura, apesar dos seguidos erros de transcrição de nomes como “Taperihna”. Noves fora, aprende-se muito sobre o Brasil e o real valor da biodiversidade com a minuciosa pesquisa de Jackson.


Leia o restante da coluna na Folha de S.Paulo, aqui (só para assinantes). Aliás, a Folha de hoje traz uma espécie de minicurso sobre Amazônia, com a participação de algumas das melhores cabeças que pensam a região. O epicentro desse pequeno terremoto intelectual está no caderno Mais.

Começa com uma reportagem de Claudio Angelo, "Um ITA para o Norte", sobre proposta da Academia Brasileira de Ciências para o desenvolvimento da região. A reportagem tem também uma entrevista com o climatologista Carlos Nobre, um dos autores do estudo.

Prossegue com o artigo "Ouro em gás", de Carlos Eduardo Young, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e depois com "Floresta ideológica", entrevista com o historiador ambiental José Augusto Pádua.

Para completar, o caderno Brasil traz uma entrevista - como sempre, provocadora do pensamento, com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. É para ruminar com calma.

Escrito por Marcelo Leite às 19h29

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STF se enrola com Raposa/Serra do Sol

STF se enrola com Raposa/Serra do Sol

 

Barricada de fazendeiros em Vila Surumu (RR) - Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pareciam já totalmente inebriados com o recente e auto-atribuído papel de ordenadores da Nação, diante do que consideram omissão do Legislativo e do Executivo. O ápice da empolgação foi a inédita excursão de Gilmar Mendes, Carmen Lúcia Antunes Rocha e Carlos Ayres Britto a Roraima, para "conhecer de perto" a realidade do conflito entre índios e fazendeiros sobre a extensão da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol (como se meia hora de bate-papo com moradores colhidos a esmo, na companhia de militares, pudesse instruir os doutos votos que decerto proferirão).

Em entrevistas em que já adiantavam a orientação de seu voto e a inclinação a interferir nos atos administrativos do Executivo (como demarcar contornos da reserva), alguns ministros haviam prometido deliberação primeiro para maio, depois para junho, e agora já avisam que a decisão sobre a petição 3388 do governo de Roraima, contra a demarcação contínua da terra indígena, vai ficar para agosto. (Enquanto isso, já arrumam mais um tema popular de biomedicina para levar diante das câmeras, como informa o Blog do Josias: aborto de anencéfalos, que Marco Aurélio de Mello já celebrizou há quatro anos.)

Talvez os ministros tenham ficado ocupados demais com as extensas pesquisas e os votos prolatados nas históricas três sessões que protagonizaram para decidir que as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas podem, enfim, continuar. Ou talvez tenham recebido muito material sobre Raposa/Serra do Sol dos governos federal e de Roraima, que agora precisam estudar com denodo.

Ou ainda, quem sabe, e esta é a perspectiva mais animadora, tenham começado a se dar conta de que pode se revelar mais complicado do que parecida à primeira vista interferir na reserva tal como homologada, sem ao mesmo tempo invadir a seara do Executivo e arvorar-se em formulador de políticas públicas. Talvez.

Escrito por Marcelo Leite às 10h41

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Decisão do Supremo já chega caduca

Decisão do Supremo já chega caduca

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da já ultra-restritiva Lei de Biossegurança, no que toca à pesquisa com embriões, chega com atraso. Parece que está no DNA do debate público nacional: começa tarde, demora mais do que deveria - basta acompanhar os intermináveis votos no STF - e, quando, termina, está superado pelos fatos.

A própria Lei nº 11.105/ 2005 demorou. Vinha modificar a anterior (8.974/ 1995), que caducou rápido por proibir qualquer pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, ao vedar "produção, armazenamento ou manipulação de embriões destinados a servir como material biológico disponível".

Algo de similar ocorre com o artigo 5º da Lei de Biossegurança, agora referendado pelo STF. Ele se limita a autorizar o uso dos raros embriões que satisfaçam uma de duas condições - ser inviável ou estar congelado há mais de três anos. Isso já atrapalha a pesquisa, diante das leis de países mais avançados.

Leia o restante do comentário na Folha (só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 16h33

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Muito barulho por nada no Supremo

Muito barulho por nada no Supremo

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfim conseguiu decidir alguma coisa sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Permitiu o que a lei 11.105 já permitia e era muito pouco, quase nada. E ainda levou mais de três anos para decidir o óbvio.

Pior, durante dois dias inteiros tivemos de agüentar uma xaropada interminável, votos que se arrastavam na companhia de profusas citações de Aristóteles e Santo Tomás, explicações mais capengas que as nossas (de jornalistas) para conceitos biológicos, excursos sobre a polissemia do termo "embrião", apologias mornas do progresso da ciência e da relevância ética da religião...

Realmente, democracia é osso duro de roer. Quer um exemplo? O lamentável debate sobre nada, ou menos que nada, que acaba de ser protagonizado pelos ministros Cézar Peluso e Celso de Mello. Já havia seis votos pela improcedência da ação direta de inconstitucionalidade 3.510, como disse Celso de Mello, mas Peluso resolveu chiar porque seu voto não foi incluído na soma. Ora, não tinha a menor importância material para o resultado - seis votos já constituíam maioria. E ficaram lá os dois ilustres causídicos, eminentes juristas, egrégios ministros etc. debatendo o significado do verbo "declarar"... Façam o favor.

Vai ser preciso esperar ainda muitas gerações para que nós, brasileiros, aprendamos que ela funciona melhor quando os discursos vão direto ao ponto. Se quiserem de fato melhorar a eficiência da Justiça nacional, deveriam começar por aí: com cursos de objetividade e síntese para juízes. Ganharíamos um tempo enorme.

Escrito por Marcelo Leite às 18h13

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O cristão Francis Collins deixa direção do genoma

O cristão Francis Collins deixa direção do genoma


Collins em sua Honda Nighthawk 750 cc


Depois de 15 anos à frente do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI, dos EUA), Francis S. Collins deixa o posto no próximo dia 1º de agosto. Foi o que anunciou em mensagem de correio eletrônico enviado para amigos e colegas. Collins estava ao lado de Bill Clinton e de Craig Venter em 26 de junho de 2000, quando a Casa Branca anunciou - com Tony Blair no link de satélite - a conclusão do seqüenciamento (soletração) do genoma humano (na verdade ele só seria finalizado em 2003).

Collins diz no e-mail que quer se dedicar mais a refletir, escrever e explorar novas oportunidades profissionais etc. etc. E avalia assim últimos 15 anos, seus e da genômica:


Olhando para trás, fico tremendamente orgulhoso por nossa obra coletiva de levar o Projeto Genoma Humano (PGH) à sua conclusão bem-sucedida em 2003 e pela nossa ampla gama de projetos de grande escala construídos sobre a fundação assentada pelo PGH. Cioletivamente, esses projetos e os dados inestimáveis que geraram têm transformado a pesquisa biomédica e capacitado pesquisadores no mundo inteiro. Estou orgulhoso também pelos compromissos desses projetos com a proteção da privacidade da informação genética e por considerarem as implicações éticas, legais e sociais da pesquisa genômica.


Em outras palavras, Collins tem orgulho de ter colaborado para tornar a genômica hegemônica na pesquisa biológica. Note que ele não deu uma palavra sobre a manutenção dos dados do genoma em domínio público, supostamente a sua grande batalha - ao lado do chefão britânico do PGH, John Sulston (que já abiscoitou o Nobel...) - contra o "mercenário" Venter.

De todo modo, um grande feito para um cientista adepto do motociclismo nas horas vagas e cristão fervoroso, autor do livro A linguagem de Deus - Um cientista apresenta evidências de que Ele existe (Editora Gente, 2007).

Por falar em genômica, a Nature de hoje traz reportagem de Helen Pearson sobre genômica pessoal, tema abordado aqui no último domingo.

Escrito por Marcelo Leite às 08h21

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Nanotubos, amianto e câncer

Nanotubos, amianto e câncer

Leia abaixo trechos da coluna Ciência em Dia publicada na Folha de S.Paulo de domingo passado, 25 de maio:


Há vários tipos de nanotubo. Um dos mais usados tem várias camadas concêntricas (tubos dentro de tubos) e é longo. Em inglês, recebeu como apelido a sigla MWNT (de "multiwalled nanotubes").

Não é de hoje que se investiga a hipótese de que nanomateriais causem dano à saúde. Por conterem partículas diminutas, são mais facilmente assimiláveis por estruturas como células. Para o bem (se forem remédios) ou para o mal (se forem tóxicas).

As fibras de MWNT se assemelham às de amianto, material mineral da natureza vinculado a um tipo de câncer (mesotelioma) no pulmão. Células de defesa do corpo, como os macrófagos, não conseguem tirar da superfície interna do órgão todas as minúsculas fibras de amianto aspiradas. Segue-se eventualmente uma reação inflamatória, que pode dar origem ao tumor.

Dada a semelhança entre fibras de MWNT e de amianto, pesquisadores dos EUA e do Reino Unido decidiram investigá-las. Liderados por Kenneth Donaldson, da Universidade de Edimburgo (Escócia), injetaram fibras longas e curtas tanto de amianto quanto de MWNT na cavidade abdominal de camundongos, que tem uma camada de revestimento (mesotélio) similar à do pulmão.

O trabalho saiu nesta semana na edição online do periódico especializado Nature Nanotechnology. Constatou-se que os nanotubos longos, assim como as fibras idem de amianto, desencadeiam a reação inflamatória precursora do mesotelioma. Não ficou provado, portanto, que MWNTs causem câncer, mas o resultado recomenda com ênfase que se façam mais pesquisas para avaliar melhor esse risco.


A íntegra da coluna pode ser lida por assinantes da Folha e do UOL aqui.

P.S.: Devo uma explicação aos leitores que se acostumaram a ler aqui a íntegra de minhas colunas. A reprodução das colunas no blog estava autorizada pelo jornal desde 20 de janeiro de 2005, quando o blog era hospedado no UOL. Com a transferência para a Folha Online, no entanto, essa autorização foi suspensa, para adequação às normas de relacionamento entre a redação da edição impressa e a redação online. Considero inócuo e fadado à extinção esse tipo de restrição de acesso a conteúdo, mas acato a nova regra.

Escrito por Marcelo Leite às 21h14

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A cobiça sobre a Amazônia também é nossa

A cobiça sobre a Amazônia também é nossa

Seringueira perto de Santarém, onde viveu Henry Wickham

Você anda preocupado com a cobiça internacional sobre a Amazônia? Acha doido um sueco que falou em comprá-la por US$ 50 bilhões? Está convencido de que todo gringo que se aventura na metade do território nacional a norte do Cerrado e a oesta da Caatinga é um Henry Wickham em potencial, aquele picareta que levou mais de 70 mil sementes de seringueiras de Santarém, em 1876, para os Kew Gardens de Londres, pondo fim décadas depois à farra dos barões da borracha?

Então leia no jornal O Estado de S.Paulo dois artigos lúcidos sobre a questão: "A cobiça que mais se deve temer", de Luiz Weis, e "A boa e velha malversação de hegemonia" (só para assinantes, aqui). Vão lhe dar muito o que pensar, se não estiver irremediavelmente convertido para a crença de que a única ameaça contra a maior floresta tropical do planeta (60% da qual por azar dela e sorte nossa se encontra no Brasil) está na conspiração de índios, ONGs, padres e estrangeiros mal-intencionados contra a nossa soberania.

Jefferson Péres, o mais admirado senador amazonense (por ser honesto!), que morreu há poucos dias, não rezava por esse credo, como destacou Weis de seu último discurso da tribuna do Senado. Disse Péres, no trecho colhido por Weis:


Não tenho tanto medo da cobiça internacional sobre a Amazônia. Tenho medo da cobiça nacional sobre a Amazônia, da ação de madeireiros, de pecuaristas e de outros que podem provocar o holocausto ecológico naquela região.


E, se já estiver com o jornalão paulista na mão, aproveite também para mais uma dose insuspeita de equilíbrio e lucidez no artigo "Marina Silva e as ideologias ambientalistas", de Paulo R. Haddad, professor do Ibmec/MG e ex-ministro do Planejamento e da Fazenda. Não consta que seja nenhum ecochato, xiita do PV nem abraçador de árvore, mas pensa com a própria cabeça e concluiu que "pragmatismo" não é uma gazua que serve para abrir qualquer porteira e deixar a boiada estourar:


Quando surge um programa ou projeto específico que envolve o choque de interesses entre as burocracias, como nas hidrelétricas do Rio Madeira, é preciso que, por meio de pacientes processos de negociações e de compensações, se chegue a posições convergentes e consensualizadas, evitando-se a prática de métodos soviéticos no processo decisório e, ao mesmo tempo, ações avassaladoras sobre o que a natureza levou milênios para sedimentar. E é exatamente na gestão desses processos que a ministra Marina Silva demonstrou, com legitimidade política, grande maestria e a percepção do que realmente vale para a história do povo brasileiro e não apenas para um mandato presidencial.

Escrito por Marcelo Leite às 07h43

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Prepare-se para 'A Estrada" - do outro mundo

Prepare-se para 'A Estrada" - do outro mundo

 


Viggo Mortensen (ao fundo) e Kodi Smit-McPhee (Foto: Macall Polay/Dimension Films)

Leio hoje no jornal The New York Times reportagem de Charles McGrath sobre as filmagens de A Estrada, baseado no livro homônimo de Cormac McCarthy (ganhador do Pulitzer de ficção de 2007). Se você já leu a novela, comentada neste blog em setembro do ano passado, sabe que o filme tem tudo para ser uma paulada na moleira.

Trata-se de um dos livros mais deprimentes, e ao mesmo tempo dos mais bonitos, que li no último ano (concorre nos dois quesitos com Desgraça, de Coetzee). Filho e pai vagam por uma paisagem gelada, coberta de cinzas, ao encontro do que parece ser a morte inevitável, num mundo que se extingue como as brasas de uma fogueira. George Monbiot, o desbocado colunista do diário britânico The Guardian, já disse que o livro fará mais pela disseminação da idéia de aquecimento global do que qualquer outro tipo de obra.

Bem, ele não deve ter pensado na versão de cinema para a obra de McCarthy (que aliás anda em alta na telona: depois de No Country for Old Men, vem aí também Blood Meridian). Como cada vez menos gente lê, se o filme sair realmente bom, como sugerem os elogios de McGrath ao desempenho do ator-menino australiano Kodi Smit-McPhee, o tema ganhará ainda mais impulso do que já havia sido dado pelo documentário bom-moço de Al Gore, Uma verdade inconveniente, e pelo fantasioso (mas bacana) O Dia depois de amanhã.

Em tempo: leio também no NY Times que a família Rockefeller, cuja fortuna tem origem na Standard Oil, está tentando tirar a companhia Exxon de seu curso "cético" diante da mudança climática global. Veja na reportagem de Clifford Krauss como e por que, no detalhe, pode estar em curso uma mudança de maré na pátria viciada em óleo de George W. Bush.

Escrito por Marcelo Leite às 11h02

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Genômica pessoal chega antes da hora

Genômica pessoal chega antes da hora

A Folha de hoje traz uma reportagem minha que começa assim:

Genômica pessoal, ou medicina personalizada, é o assunto do momento em biotecnologia. Há um ano, não passava de promessa. Agora se tornou objeto de consumo, mas há quem avise que tem gente comprando gato por lebre.

Só existem dois tipos de produto na praça, com uma gama de preço e qualidade similar à que separa uma bicicleta de uma BMW. No primeiro caso, o consumidor pode escolher entre três fornecedores de testes para verificar se tem risco aumentado para no máximo umas 30 "condições" (nem todas são doenças).

A opção mais barata sai na faixa de R$ 1.700 (US$ 1.000). São empresas de comércio eletrônico, como 23andMe, deCODEme e Navigenics. Paga-se com cartão de crédito. O kit para cuspir dentro vem e volta pelo correio.

Todas se limitam a fazer análise de SNPs. É a sigla em inglês de "polimorfismos de nucleotídeo único", um tipo de erro de digitação durante o processo de cópia do DNA durante a evolução das espécies. O genoma de uma pessoa pode ter até 1 milhão de SNPs diferentes do de outra. Cada uma dessas trocas de letras pode ou não estar associada com um risco maior de doença ou... "abobrinhas".

A expressão é de Sergio Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais e dono do laboratório GENE. Ele encomendou uma análise dos próprios SNPs à deCODEme.

"Dos SNPs que eles reportam, alguns são "abobrinhas': calvície, intolerância à lactose, identificação de compostos amargos", critica. "Dos SNPs associados com doenças, em apenas dois casos há riscos relativos altos: trombose venosa e doença de Alzheimer. Estes já são conhecidos há anos e já são oferecidos por muitos laboratórios, inclusive o GENE", alerta Pena. Para ele, é "questionável" se o risco para Alzheimer deveria ser comunicado a consumidores sem intermediação médica.

"O impacto de cada variante genética usada nesses testes é muito pequeno", ressalta Marcelo Nóbrega, geneticista da Universidade de Chicago. Ele cita o caso do diabetes, que tem prevalência de 5% na população: "Um aumento de 20% significaria que o risco passa a 6%. Quem vai mudar drasticamente seu estilo de vida porque tem 6% em lugar de 5% de chance de desenvolver diabetes?"

Leia mais na Folha (só para assinantes).

Escrito por Marcelo Leite às 17h07

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Marcelo Leite Marcelo Leite é repórter especial da Folha e autor do livro "Promessas do Genoma".
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