De volta à Lagoa Verde com Callado

A índia calapalo Diacuí, que se casou com Ayres Câmara da Cunha,

funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, tendo Assis Chateaubriand

como padrinho (episódio comentado de passagem no livro de Callado)


Eis os dois primeiros e o último parágrafos que escrevi sobre o relançamento de um grande pequeno livro de Antonio Callado sobre o coronel Fawcett e os índios do Brasil:


É preciso ser de ferro, ou de direita (mesmo na paradoxal versão comunista, como a do deputado federal Aldo Rebelo, do PC do B de SP), para não se solidarizar com os índios brasileiros. Esta reportagem sensacional -no mais sóbrio sentido da palavra- de Antonio Callado abriu espaço para tal generosidade no jornalismo contemporâneo nacional.

E também na literatura, ao preparar o caminho para outro clássico do autor, o romance "Quarup". Só isso já seria razão de sobra para ler "O Esqueleto da Lagoa Verde", 57 anos depois de publicado, nesta reedição encorpada com posfácios de Davi Arrigucci Jr. e Mauricio Stycer. (...)

Callado embrenhou-se em Mato Grosso, desencontrou-se de Fawcett e deu com a "África interior". Gostou dos homens e da paisagem. Um mundo escuro que o jornal e a literatura do presente relutam em visitar, abrindo um flanco do tamanho de metade do país para a destruição do que temos de melhor.

ESQUELETO NA LAGOA VERDE

AUTOR Antonio Callado
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 36 (160 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo


Leia a íntegra da resenha na Folha de S.Paulo (aqui, só para assinantes).